quinta-feira, 15 de junho de 2017

Capítulo 01: Caos no Paraíso


A floresta tropical foi iluminada pela lua cheia, seria mais uma cena normal em Alola, se não fosse um pequeno detalhe, no resto do mundo, era lua minguante. Essa bizarrice e outras coisas estranhas estavam atingindo a ilha nos últimos dias. O vulcão que há anos estava desativado começou a expelir fumaça e logo seria lava. As famosas praias da região agora recebiam ondas gigantes, que nem os mais corajosos surfistas tentavam enfrentar. Além de tempestades e terremotos. Terremoto! Um estava acontecendo naquele instante. Meu corpo velho e frágil balançou e caiu. Os perseguidores se aproximaram e sorriram.
— Agora te pegamos, velhote! — Falou o homem, ele era alto e tinha a pele bronzeada, seus olhos verdes brilhavam mesmo ali na escuridão.
O outro perseguidor era na verdade uma mulher. Ela era baixa e magra e muito jovem. Poderia parecer frágil e inocente se não estivesse segurando uma pistola apontada para mim.
— Sem conversa fiada. — Disse a moça. Ela parecia cansada e arfava. — Ele pode até ser velho, mas deu um trabalho para capturá-lo, não vamos relaxar agora!
— Ok, ok. Mas não se acostume a mandar em mim, você não é minha chefe. — Responde o homem, visivelmente irritado. Ele me levanta com violência e prende meus braços tatuados com uma algema, depois se aproxima e pega no meu colar de madeira no formato de um sol e de uma lua.
— Isso não é necessário, eu sou apenas um velho fraco. — Digo olhando para o homem, quando um momento confusão surge em seu olhar, antes de sumir ao ouvir a voz da colega:
— Não vamos mais cair no seu truque, xamã. — Diz a mulher. — Vamos, antes que aconteça outro desses malditos tremores.

O homem começa a me empurrar e não há o que fazer. Olho novamente para a lua e começo a recitar uma antiga oração, implorando piedade.

— Essa não é exatamente a definição de paraíso que eu esperava. — Comenta White ao descermos em Alola. No momento, uma impiedosa tempestade começava a castigar a costa e violentas ondas agitavam o mar. Agradeci por chegarmos à região antes da tormenta começar. Peguei na mão da minha esposa e seguimos pelo píer. Carregávamos tudo em pequenas mochilas, em outras ocasiões haveria malas e malas, porém dessa vez não éramos Black e White, campeões de Unova e sim Sun e Moon, um simpático casal estrangeiro que vinha a ilha para passear e ganhar algumas batalhas.
Kukui fechou a cara ao ouvir o comentário de White, quer dizer, Moon, levaria um tempo até eu me acostumar com aquilo.
— É verdade que não é o melhor momento de Alola, entretanto isso não tira a beleza paradisíaca do lugar. — Argumenta meu primo, olhando azedo para minha esposa. Devolvo o olhar e ele muda de assunto. — A tempestade logo passará. Elas são bem estranhas. Surgem do nada e do mesmo jeito desaparecem.
— Achei que Kyogre era o "Deus" das tempestades. — Sorrio para Moon e ela aperta minha mão, retribuindo, se lembrando de nossa viagem a Hoenn.
— Como você, Sun — Enfatiza Kukui — Um jovem e inexperiente treinador de Unova conhece o lendário Kyogre?
— Deixa de ser ranzinza. — Ao dizer minha voz é apagada pelo som de um trovão e Kukui nem ouve o que digo. — E aliás, cadê nossos colares de flores? — Dou um sorriso pelo canto da boca e Kukui contorce o rosto numa careta.
Continuamos nossa caminhada até chegar à rua e pegar um taxi, a caminho da cidade do meu primo.
Durante o trajeto eu e White... Droga, eu não conseguia pensar na minha amada White com outro nome, ela sempre seria minha White, eu só precisaria chama—la de Moon na frente dos outros. Enfim, durante a viagem a tempestade começou a se dissipar e quando descemos do veiculo já não chovia mais e o sol começava a surgir entre as nuvens.
O carro parou onde acabava o asfalto, em frente á um Centro Pokémon e nos deixou ali. Na nossa frente, a estrada se tornava de terra, que por conta da chuva agora era lama. White para bem à frente e observa o sapato depois o caminho que tinham a percorrer.
— Quer que eu a carregue? — Pergunto a White, estendendo os braços.
— Precisa não, amor. — Ela se aproxima e me beija. — Parece que você se esqueceu das nossas viagens por Unova, já enfrentei coisa pior. — Ela me da outro beijo antes de avançar e pisar na estrada de chão. Kukui logo a segue, depois eu vou atrás.
A estrada começa a se inclinar e começamos a subir uma encosta. A trilha era rodeada de flores e por estranhas estatuas de pedra.
— O que são isso? — Pergunta White, no momento que eu iria fazer a pergunta.
— São totens. Foram construídos muitos anos atrás pela tribo que habitava a ilha, você pode encontrá-los por toda a região. — Fala Kukui, parecendo animado com o assunto. — Não se sabe ao certo para o que eles servem, mas algumas lendas dizem que simbolizam fertilidade e paz, outra que são criaturas das trevas aprisionadas e segundo outros são para proteção.
— Proteção do que, se eles não se mexem? — Seguro o riso, eu sabia que Kukui era bastante religioso, mesmo sendo "um homem da ciência" e zombar das lendas nativas não iria agradá-lo, mesmo assim não consegui evitar.
— Não sei, sei apenas que eles estão ai há muito tempo. — Diz ele, visivelmente irritado. White desaprova e lança aquele olhar "Peça desculpas ao seu primo por ter zombado da religião dele".
— Desculpa Kukui, eu não quis ofendê-lo. — Me desculpo, sendo o mais sincero que consigo.
— Tudo bem, mas cuidado com os comentários, existe algumas pessoas que são completamente fanáticas e um simples comentário pode desencadear a ira contra você. — Diz, num tom macabro. Não sei se ele está falando serio ou zoando de mim e antes que eu tenha tempo de perguntar a subida termina e chegamos ao topo da colina.
Ali em cima tinha apenas três casas, nada demais. O impressionante era a vista. Dali, nós víamos a cidade que tínhamos saído mais cedo, dava para ver também uma grande parte da costa e o lindo mar, assim como o assustador vulcão, que cuspia fumaça para os céus.
Passei o braço pelos ombros de White e ela recostou sua cabeça nos meus ombros e ficamos observando aquela obra de arte. As nuvens da tempestade já tinham sumido e o sol reinava no céu e a água do mar brilhava em seu reflexo. O paraíso que Kukui tanto havia falado.
— Se o Céu for metade disso já está bom demais. — Comenta White, e eu balanço a cabeça em concordância, ainda que eu tenha vagas lembranças de como é lá... Do outro lado...
Eu esperava que Kukui nos tirasse daquele transe e nos chamasse, mas o que nos despertou do sonho foi um tremor que quase nos derrubou, se não estivéssemos um apoiado no outro estaríamos no chão.
Procurei por Kukui e o encontrei caído. O tremor passou rapidamente e corri para ajuda—lo a se levantar.
— Isso foi um terremoto?
— Um dos pequenos, mas foi, está acontecendo frequentemente. — Fala ele, como se fosse algo comum.
— Frequentemente? Tipo todo mês? — Questiona White, preocupada. Ela dirige o olhar a cidade, mas nada parece ter desmoronado.
— Tipo todo dia. Felizmente, eles não causam tanta destruição assim.
— E como não nos avisaram sobre isso? A última noticia que chegou ao gabinete foi que um tremor havia atingido Alola, mas não falaram que era todo dia. — Fala White, indignada.
— Acho que está na hora de demitir seu secretário. — Comenta Kukui, limpando o jaleco com as mãos. — Mas isso pouco importa agora, vocês já estão aqui de qualquer forma. Mas escutem: ninguém sabe que vocês são os Campeões de Unova, nem mesmo a Elite dos Quatro, os Líderes de Ginásio, nem meu pai! Todos acham que vocês estão ocupados demais resolvendo seus próprios problemas em Unova. Então não se ofendam se alguém criticar vocês. Entendido?
Eu e White balançamos a cabeça, concordando. Kukui deu um sorriso amarelo e continuou a andar e nós o seguimos.
Passamos por uma arena que ficava no meio da cidade e nos direcionamos para a maior casa do lugar, uma cabana de madeira e palha. Se por fora o lugar era rústico e decadente, por dentro era o inverso, a primeira sala era basicamente um laboratório inteiro, com diversos computadores, estantes repletas de livros, uma mesa bagunçada, algumas caixas e um sofá. As paredes eram lisas, mas ali e aqui se via uma estatueta ou um objeto que se assemelhava a um sino de vento balançando. Por fim, havia uma escada que levava ao segundo andar.
Porém, aquilo não era a única coisa no espaço. Havia um homem barrigudo e barbudo, ele vestia uma camiseta azul sob uma camisa amarela florida ao estilo aloiano e estava de shorts. Na hora reconheci como meu tio Hala, mesmo só tendo visto ele uma vez. Eu sabia que ele era barulhento e falava alto e sempre estava gargalhando, porém naquele momento sua face era de preocupação.
A mulher ao seu lado era alta e muito bela, vestia uma saia amarela florida, dessas compridonas estilo hippie, combinada com uma blusinha branca de algodão. Seus cabelos castanhos caiam sobre seus ombros, no seu rosto usava óculos escuros que ocultavam seus olhos.
Os dois logo percebem nossa presença e param de conversar.
— Kukui meu filho, que bom que você voltou. — Se aproxima Hala, o abraçando, depois ele olha para nós dois. Agradeço por ter visto meu tio apenas uma vez, quando ainda era criança e dificilmente ele me conheceria agora. — E quem são esses dois?
— Treinadores iniciantes, vieram pegar um inicial. — Informa o Professor e como que se percebesse a presença da mulher só naquele momento, diz: Desculpe Caitlin, como você está?
— Bem, na medida do possível. Meu turno terminou hoje cedo e os outros Líderes já tomaram seus lugares, não está sendo fácil — Sua voz parece fraca, como se ela tivesse passado a noite acordada, ela retira os óculos escuros e os coloca nos cabelos. Ela tinha olheiras, mas era muito linda e sorriu ao nos cumprimentar — E como é o nome desse jovem casal?
— Eu sou a Moon. — Se apresenta White, cumprimentando a mulher.
— E eu sou o Sun.
— Prazer em conhecê-los, eu sou a Líder de Ginásio Caitlin, espero reencontrá-los em breve. Porém agora tenho pressa. — Informa a mulher, se dirigindo a todos da sala. — Adeus Hala, Kukui, Moon e Sun. — Ela deixa a casa e o lugar parece perder um pouco do brilho.
— Certo! — Exclama Hala, a monotonia que enchia seu rosto desaparece em segundos e ele grita de entusiasmo — Esses iniciais não serão escolhidos sozinhos, vamos crianças!
Saímos os quatro e nos aproximamos da arena.
— Eu lhes apresento Rowlet, Litten e Popplio! — Grita Hala, lançando três pokéballs. Os Pokémon saem das esferas e vão parar em cima da arena.

O primeiro era um pássaro redondo e fofo, com o que parecia ser um gravata borboleta feita de folhas. Ele virou a cabeça nos olhando de lado. 

O seguinte era um gatinho negro com detalhes vermelhos, ele começou a lamber sua pata dianteira, nem um pouco interessado com o que estava acontecendo ali.
O terceiro era o mais animado, um leão marinho azul com nariz de palhaço.
 O Pokémon ficou pé com apenas sua cauda apoiada no chão e bateu palmas com as nadadeiras. Ele pareceu satisfeito consigo mesmo quando todos riram e deram atenção a ele, porém ele acabou perdendo o equilíbrio e começou a cair da arena, me joguei e peguei o Pokémon antes que ele atingisse o chão.
— Acho que já tenho meu escolhido. — Digo ao aconchegar o monstrinho em meus braços.
— Muito bem! Esse é o Popplio, do tipo Water. — Informa Kukui. — O pássaro é o Rowlet, do tipo Grass e Flying e temos também o Litten, do tipo Fire. Você que decide Moon.
A garota se curva, apoiando os braços no joelho. Rowlet passa a observar White e os dois ficam trocando olhares por vários segundos antes da menina se pronunciar.
— Rowlet! — Afirma e pega o Pokémon nos braços. 

*Créditos ao Criador*

— Pronto! Agora só falta o terceiro treinador chegar. — Como uma premonição surge no fim da colina um rapaz. Ele vem correndo, animado em direção à arena. Possui a pele bronzeada, como muitos moradores de Alola, seus cabelos estavam presos, com algumas mechas caindo sobre o rosto.
— Aii! — Parou ele a nossa frente, ele respirava fundo, cansado. — Estou atrasado?
— Vocês jovens, sempre apressados. — Gargalha Hala.
— Dois iniciais já foram escolhidos, só sobrou um. — Fala Kukui, para tristeza do jovem. — Pode ser?
O rapaz se aproxima de Litten e se agacha, o felino se aproxima do menino e lambe o nariz dele. Sua tristeza some e o rapaz pega o Pokémon nos braços.
— Todo mundo feliz, assim que eu gosto de ver. Agora vou voltar ao meu trabalho. — Hala se despede e volta para a cabana. White esta com Rowlet no ombro e o Pokémon belisca os cabelos da menina, Litten está aconchegado, recebendo carinhos do seu novo treinador. Já Popplio esta energético, pulando e rolando em cima da arena, criando bolhas do seu nariz e as usando como bolas.
— Você é animando, hein pequeno?
— Po Popplio! —  Exclama o ser e dirrige o olhar para Litten e Rowlet. Então entendo o que ele quer dizer, o Pokémon quer uma batalha.
— Ei, rapaz. — Chamo o aloniano. — Meu nome é Sun e essa é minha namorada Moon. Como você se chama?
Ele se aproxima, com o Litten em seus pés.
— Eclipse. Vocês não são daqui, né? — Questiona o jovem.
— Somos de Unova, viemos passar uma temporada na região. — Informo a ele.
— Estranho vocês virem bem agora, com tantas catástrofes! Se eu fosse um turista ficaria bem longe daqui.
— Errr... — Não sei o que dizer, Eclipse está me olhando desconfiado e não consigo pensar em nenhuma mentira.
— Nossa passagem estava comprada faz tempo. — Intromete White, resolvendo a situação, ela sempre foi melhor do que eu com palavras. — E gostamos de um desafio.
Eclipse parece não estar muito convencido, por isso Kukui que estava apenas observando a conversa, diz:
— Porque vocês não batalham? O que me diz Sun?
— É claro, que tal Eclipse? — Pergunto, ansioso por mudar de assunto.
— Vamos nessa!
Eu e o garoto nos posicionamos na arena, com Popplio e Litten prontos.
— Eu serei o juiz, será uma batalha 1 contra 1, o primeiro Pokémon que ser nocauteado será considerado o perdedor. Prontos? — Eu e Eclipse balançamos a cabeça, confirmando — Comecem!
Meu primeiro instinto é mandar Popplio usar o Water Gun, seria uma batalha rápida. Porém me lembro que Eclipse já estava desconfiado, eu não poderia dar mais motivos para ele achar que eu não era o que eu dizia ser.
Olhei para White, que assistia ao lado de Kukui, fingi estar desligado e Eclipse mandou Litten atacar.
— Use o Scratch!
O felino se aproxima correndo e ataca Popplio com suas garras, que cortam a pele dele, fazendo o Pokémon reclamar. Sinto uma dor no peito ao ver meu novo companheiro sofrendo, mas eu não podia estragar meu disfarce.
— Popplio, vamos com Tackle! — Ordeno o mamífero aquático, que começa a avançar contra o felino, entretanto o Pokémon do tipo Water é desengonçado e Litten mais veloz e desvia facilmente.
— Esquente as coisas com o Ember!
            Litten arrepia os pelos das costas e solta uma bola de brasas que atingem Popplio. O Pokémon não sente tanto quanto o ataque anterior, mesmo assim, eu sei que se acertarem mais um golpe, ele irá desmaiar.
— Vamos lá Sun! — Grita White, me animando. Minha vontade era dar tudo de mim, eu já havia até planejado uma estratégia usando as bolhas de Popplio, seria perfeito. Porém, eu não poderia usá—la, não agora.
— A torcida pode estar do seu lado, mas eu vou ganhar. — Afirma Eclipse, determinado. Isso me faz lembrar de mim mesmo, assim que comecei minha jornada, sabia tão pouco, mas estava determinado a vencer tudo e a conhecer tudo. Já haviam se passado varias anos e eu não conhecia nem um 1% do mundo. — Scratch novamente!
— Popplio use o Water Gun!
Litten corre para atacar e salta para cima do adversário, nesse mesmo momento, Popplio dispara uma rajada de água que atinge em cheio o corpo do Pokémon e o joga longe.
Litten se levanta com dificuldades e com o corpo todo molhado, visivelmente machucado. Com apenas um ataque eu havia assumido a liderança.
— Droga, droga! — Reclama Eclipse, toda sua confiança desapareceu e ele parecia perdido. Eu sabia o que era sentir aquilo. Você estar tão confiante e de repente seu chão sumir, você não sabe o que fazer, como reagir e resta apenas cair.
Em muitas pessoas, quando isso acontecia, elas não sabiam mais se reerguer, apenas desistiam. Eu não queria que Eclipse fosse uma dessas pessoas, por isso eu precisava deixá-lo ganhar.
— Popplio, use o Tail Whip!
Popplio vira de costas e balança o rabo em direção ao Litten. O ataque não afetava fisicamente o oponente e sim suas condições. Naquele momento as defesas de Litten haviam caído.
Aproveitando que eu não havia atacado, Eclipse parece reagir e o brilho volta ao seu olhar.
— Litten avance em zigue-zague.
O Pokémon começa a correr, indo de um lado a outro da arena rapidamente, ele queria evitar que o felino fosse pego novamente em cheio pelo Water Gun.
— Popplio use o Wa-- Tackle! — Digo, quase falando o outro ataque. Era frustrante ter que parecer e agir como um iniciante, mas era pelo bem de Alola e de todos que moravam ali, era preciso fazer sacrifícios.
O Pokémon se joga com a força de suas nadadeiras dianteiras e se lança contra Litten que desvia varias vezes dos encontros em que Popplio tenta atingi-lo.
— Scratch! — Grita Eclipse, com toda sua força. Correspondendo ao treinador, Litten ataca com tudo. Suas duas garras dianteiras surgem, brilhantes e afiadas e fazem um "X" em Popplio, nocauteando o Pokémon.
— Popplio está fora de combate, Litten e seu Treinador Eclipse são os vencedores.
— Yep! — Comemora Eclipse, pegando seu Pokémon no colo.
Kukui parabeniza o jovem e depois de aproxima de mim e Popplio. White já está ao meu lado, abraçando meu corpo.
— Dê essa Potion a ele. — Fala Kukui, me dando um frasco. Pego o item e passo sobre as feridas dele, que rapidamente já começam a melhorar, milagres da ciência.
— Obrigado pela batalha Sun. — Eclipse está ali na frente, estendendo o braço.
— Obrigado você. — Cumprimento ele, sorrindo e o garoto devolve o sorriso, antes de se despedir e sumir colina abaixo, dizendo que iria capturar novos Pokémons. — Essa foi por pouco.
— Verdade, eu achei que nosso disfarce iria pelos ares. — Suspira White.
— Temos que tomar mais cuidado. Por isso acho que vocês devem ir dormir num hotel na cidade. Seria estranho eu hospedar dois treinadores desconhecidos. — Ele informa, preocupado. — E sabe como é cidade pequena, a fofoca rola solta.
Relaxamos e sorrimos. Eu estava começando a entender todo o peso que pessoas como Kukui, Hala e Caitlin carregavam nas costas. Naquele lugar ali você só tinha vontade de sorrir e ser feliz, mas como ser feliz num momento daqueles? Era quase um pecado e evitar a felicidade era mais doloroso do que viver triste.
Pego a mão de White, levanto e a levo ao rosto. Era bom sentir seu cheiro, sua pele lisa em meus lábios. Eu queria aproveitar nossa estadia ali para curtir um pouco também, tinha um casamento a manter.
— Vamos para um hotel então e aproveitamos e fazemos umas compras. — Digo, para alegria de White. — Amanhã discutimos sobre a Operação Sanimum — Cochicho as últimas palavras.
— Certo, tchau! — Se despedimos e seguimos o caminho até a cidade. Dessa vez vamos a pé e enfrentamos mais um tremor, pelo menos o céu estava limpo.
Após deixarmos nossas coisas no hotel e tomarmos um banho, vamos as compras. Depois de umas cinco lojas, consigo enrolar White e dou uma fugidinha. Tinha planos para aquela noite e precisava me preparar.

***
Malena segurou a faca suja de sangue e me olhou com raiva. Eu não sabia quanto tempo estávamos ali, mas já havia se passado horas. Meus dois raptores haviam me levado até aquele galpão e a mulher da dupla, Malena, estava me torturando até então. Kilgry, o homem, aparecia de vez em quando, sentava, observava a companheira me ferir em buscas de respostas, se entediava e depois saía, para dali algum tempo voltar.
— Diga—me, o que você sabe sobre Lunaala? — A bela moça range os dentes e vocifera. Eu apenas sorrio e ela resmunga de raiva. A primeira vez que sorri ao ela fazer uma pergunta perdi meia dúzia de dentes, na segunda vez perdi mais alguns, na terceira perdi o resto — Onde está Solgaleo? — Ela volta a questionar, sempre as mesmas perguntas "Onde estão os Deuses?", "Você conhece Solgaleo e Lunaala?", "Do que eles são capazes?" e ela sempre recebia a mesma resposta, meu silêncio, para frustração da mulher.
A porta atrás de mim se abre, rangendo. Malena nem olha, achando que é novamente Kilgry, mas eu sinto que é uma aura diferente, mas poderosa. A mulher lança a faca e arranca outro dedo da minha mão direita. A dor é exorbitante, como se todos os meus tendões e nervos se rompessem, minha vontade era gritar, chorar, implorar. Entretanto, eu apenas resmungo, entoando antigas palavras de paz e liberdade.
— Já chega Malena. — Diz uma voz atrás de mim, minha torturadora pula de susto, surpresa. Ela deixa a faca cair e assume uma posição ereta, claramente nervosa. — Pode sair, eu irei conversar com nosso amigo agora.
— Sim, Chefe. — Responde rapidamente a mulher e logo some. Fecho os olhos e sinto o dono da voz se aproximar, ficando na minha frente. Não preciso vê—lo fisicamente, eu já sinto seu cheiro, é perfumado, ocultando suas verdadeiras intenções por baixo de flores e fragrâncias.
Sinto sua pele na minha, enquanto suas mãos passam por meus braços, sobre minhas tatuagens. É um toque leve e macio, delicado. Abro os velhos e vejo a minha frente uma bela mulher, de cabelos e pele morena. Ela vestia uma saia amarela florida e uma camisa branca e um sorriso encantador no rosto.
— Meu nome é Caitlin. — Sua voz é como melodia, porém eu sinto o veneno que exala. — Acho que começamos com o pé esquerdo. Por que você não diz seu nome?

***
A lua cheia brilhava no céu, o que era estranho, pois eu jurava que apenas uma noite atrás eu havia visto a lua minguante no céu sobre minha mansão em Unova. O céu poderia estar estranho, mas sob a lua tudo estava perfeito. No melhor estilo romântico, eu havia organizado um piquenique noturno na praia, com direito a velas, vinho e tudo que um jantar romântico merecia.
White estava com medo que alguma onda gigante aparecesse e nos levasse embora ou que alguma tormenta surgisse do nada e atrapalhasse tudo, entretanto o destino parecia a nossa favor. Não estava tão quente, nem tão frio, bom o suficiente para White querer ficar aconchegada em mim. A lua brilhava como nos filmes românticos, o que poderia estragar? Até o vulcão ali perto parecia ter voltado a cochilar.
— Black. Está. Tudo. Tão. Perfeito. — Disse ela, me beijando a cada palavra, eu não sabia se queria que ela continuasse falando ou apenas me beijando. Resolvi escolher a segunda opção.
— Estamos no paraíso, White, — Falo, após uma longa sessão de beijos. Não havia preocupação de alguém nos ouvir, estávamos sozinhos. Resolvemos comer logo e quando vimos estávamos bêbados com o vinho importado de Kalos. — Eu te amo, meu amor.
— Eu também te amo, Black!
Nos abraçamos e ficamos deitado, olhando para as estrelas, a cabeça de White apoiada no meu peito, eu sentia o cheiro dos seus cabelos e a leveza dos seus fios em meus dedos. O mundo poderia acabar ali e eu morreria feliz.
Como se o mundo tivesse lido meus pensamentos, um estrondo rompe o silêncio e o chão treme. Levanto, assustado e olho para o vulcão que era como uma gigantesca pira, brilhando em escarlate. Fogo e lava surge do cume da enorme montanha, como fogos de artifícios. Pedras incandescentes começam a cair no mar e ao redor.
Eu e White estamos paralisados, admirados e amedrontados, e não corremos quando uma enorme bola de fogo, como um cometa, vem em nossa direção.


Pokémon Sol & Lua: A Missão – Publicado originalmente em Maio de 2016 sob o título "Pokémon SL Adventures" – A cópia, venda ou redistribuição desse material é totalmente proibida. Pokémon e todos os respectivos nomes aqui contidos pertencem à Nintendo.


Ao escrever a fanfic, os autores não estão recebendo absolutamente nada, ou seja, esta é uma produção artística sem absolutamente nenhum fim lucrativo. A fanfic foi projetada apenas como uma forma de diversão, de entretenimento e passatempo para outros fãs de Pokémon. ~

Capítulo escrito por Joka
A fanart acima foi encontrada na internet. Todos os créditos vão a seu criador.

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