quinta-feira, 6 de julho de 2017

Capítulo 04: Caça ao Tesouro


- Vai desmoronar!
Black corre até mim e me abraça. O homem também percebe e começa a correr em direção ao corredor. A garota se vê sozinha e também foge.
- Vamos! - grita Black, me ajudando a caminhar.
- Ei! - Escutamos a voz de Eclipse, quando já estamos no portal. - Lillie, vamos!
O garoto tenta convencer Lillie a sair, mas ela está parada em frente ao totem, hipnotizada.
- Maldição! - Xingo, aquela garota ia acabar nos matando. - Vai lá ajudar Black!
Ele me deixa apoiada no corredor e volta para ajudar, mas antes que ele e Eclipse cheguem até Lillie, pedras começam a cair.
- Não! - Grita Eclipse, que é segurado por Black, a poucos metros da onde pedras soterram a garota e o totem. - Lillie!
- Vamos! Não a mais o que fazer! - Responde Black, puxando Eclipse, enquanto mais pedras caem.
- Eclipse, vamos! Temos que fugir! - Falo para o garoto, que ainda em um estado de estupor começa a correr. Black volta a me ajudar e corremos o mais rápido que pudemos, enquanto tudo parece desabar em nossas cabeças.

~Sun

White e eu chegamos ao prédio de roupas pretas e mãos dadas. O salão estava bem mais vazio do que a última vez que eu tinha estado ali, havia apenas umas 10 pessoas. Kukui e Hala estavam ali, assim como Eclipse. Nos encaminhamos até a frente do lugar e nos juntamos aos demais.
Ainda havia por todas as paredes pequenos altares improvisados, com fotos, flores e velas. Porém não tinha ninguém rezando ou chorando pelos entes queridos naquele dia. Mahara, como era chamado o homem que havia criado aquele lugar e com quem eu já tinha conversado, disponibilizou exclusivamente o salão para aquele momento.
E também diferente dos demais, a foto estava no palco, bem abaixo da enorme faixa. Todos olhavam para a imagem daquela linda garota e permaneciam em silêncio. Até Rotom, estava quieto. Me aproximei mais da fotografia e coloquei a rosa branca que trazia na outra mão, junto com as rosas negras, porém em cima da fotografia de Lillie.
Ela era diferente e sua morte não havia sido em vão. Ela acabou não conseguindo escapar do desmoronamento, mas de alguma forma, a destruição do totem havia parado com as catástrofes. É claro que o objeto poderia ter sido destruído e a vida de Lillie mantida. Entretanto, nunca esqueceríamos seu sacrifício.
- Hoje estamos aqui por mais um amigo que se vai, mais um ente que nos deixa. É a tristeza que devia nos preencher, a dor de ter perdido mais uma jovem, com milhares de oportunidades pela frente. Mas estamos felizes. - Mahara faz um pausa e coça a garganta. Vejo todos ali se remexerem, inquietos. Era a verdade, Lillie estava morta, mas a região em festa. -  É duro dizer isso, egoísta. Porém, a verdade. Lillie teve que perder sua vida para salvar milhares de outras que iriam deixar de viver por conta das tragédias que assolavam nossa região. E pensar que nem daqui ela era. Foi preciso uma garota de Kalos vir até nós e se sacrificar para que continuássemos a viver. Nunca te esqueceremos Lillie, nem você, nem seu ato. Obrigado por nos salvar e descanse em paz.
Mahara termina o discurso e percebo que meus olhos estão lacrimejando. Rotom parece pronto para entrar num curto-circuito. As lágrimas de Eclipse já chegam ao queixo, enquanto Hala soluça. Kukui não está chorando, mas está visivelmente transtornado.
Somos os primeiros a sair, quando Mahara abre as portas para as visitações normais. Esperamos do lado de fora e Kukui logo sai também.
- Como vai a procura? - Pergunta White, enquanto caminhamos em direção a casa do meu primo.
- Parada. O governo não deu aval para máquinas entrarem na reserva e escavarem o templo a procura do corpo. Os bombeiros da cidade tentaram o máximo que puderam, mas nem eles conseguiram.
- Então finalizaram as buscas?
- Sim, Lillie já encontrou seu túmulo. - Fala Kukui, com a voz fria. Um arrepio percorre minha coluna. Aquele comentário  era um tanto sinistro, porém a verdade. Assim como era verdade que foi minha culpa tudo aquilo acontecer. Foram os ataques dos meus Pokémons que causaram o desmoronamento. Mesmo White dizendo que não, que a culpa era daquela garota com o Metang, eu não conseguia me perdoar. - Agora só falta encontrarmos o Campeão e Caitlin para tudo se normalizar.
- Sim e poderemos curtir essas praias maravilhosas! - Sorri White e sou forçado a dar um sorriso quando ela me encara. - Qual é, Sun? É pra ficar feliz, as tragédias acabaram, não precisa mais segurar o riso.
- Não estou afim de sorrir. - Largo a mão de White e começo a caminhar rapidamente, deixando ela e Kukui para trás.
Desvio do caminho que seguiríamos e vou para a praia. O lugar que uma semana atrás estava com seu publico reduzido, agora havia normalizado. Guardas sois coloriam a praia e gritos e risadas preenchiam o lugar. Me sentei num canto mais afastado e fiquei observando um casal de irmãos. A menina, da idade de Lillie, ajudava o irmão mais novo a construir um castelo de areia. Eles haviam conseguido construir dois andares, mas quando tentaram fazer mais uma torre, tudo desabou. O menino começou a choramingar, mas a irmã começou a lhe fazer cócegas e os dois começaram a rolar na areia, gargalhando.
Será que Lillie tinha um irmão? Ninguém da sua família havia vindo para o memorial, capaz de ninguém saber que ela estava morta. Kukui havia falado que a sua ex-assistente nunca tinha falado sobre os pais, nem sobre sua antiga vida em Kalos. Ela poderia ter um irmão que nunca saberia que ela havia se tornado uma heroína numa ilha a quilômetros de distância da onde tinha nascido.
- Rooommmmm! - Escutei o zumbido acima da minha cabeça antes de sentir o choque. Nem me lembrava mais que Rotom ainda estava fora da pokébola. Fui chamá-lo de volta, mas ele desviou e me deu outro choque.
- Ai! - Reclamo, coçando o pescoço, onde ele havia tocado com seus braços de plasma. - Já, entendi, já entendi.
Retiro a Pokédex do bolso e no mesmo instante, Rotom a "possui" e a coisa começa a flutuar.
- Feliz agora? - Questiono, mal humorado.
- Lillie não vai mais voltar? - Sou surpreendido pela pergunta. A RotomDex era metade máquina, metade Pokémon e eu não esperava que Rotom tivesse sentimentos, entretanto ele parecia ter uma espécie de ligação com sua ex-treinadora.
- Não, ela se foi. - Falo cabisbaixo. - Você gostava bastante dela né?
- Sim, Lillie cuidava bem de Rotom. Lillie era legal.
- Uma coisa que não entendo. - Rotom para de rodar em torno de mim e fica me encarando.
- É claro, pessoas burras não entendem as coisas. - Ele solta um risinho e volta a flutuar de um lado pro outro.
- Começou de novo. - Eu não estava com paciência para aquelas gracinhas, se ele continuasse, iria sofrer as consequências. - Eu estava falando sobre Lillie ter abandonado você. - O Pokémon parece perder altura e brilha menos. - Vocês dois pareciam se gostar tanto e do nada ela te abandona?
- Olhe,  lá vem sua namorada. - Rotom aponta um dos braços para trás de mim e vejo White descendo  as escadas que levam a praia.
- Não mude de assunto, estamos conversando sobre você e Lillie. - Falo, seriamente. Porém, o ser resolve se desligar e cai na areia. - Ei, seu malandro. Volte aqui.
Pego a Pokédex e tento ligá-la, apenas para levar um curto circuito. Para piorar ela acabou se enchendo de areia, se Kukui visse aquilo, iria me matar.
- Ei, Sun. - White agra já está do meu lado. - Kukui me falou de um negócio. Acho que vai te animar.
Ela estende a mão e abre aquele sorriso encantador, por qual me apaixonei. Aquela mulher era perfeita. Ela entendia perfeitamente o que eu estava sentido e sabia quando me deixar sozinho, mas sabia também quando era hora de chutar minha bunda e me mandar voltar ao normal.
- O que? - Pego em sua mão e levanto.
- Vamos viajar! - Arregalo os olhos, seria brincadeira? Ela começa a gargalhar e sai correndo. Vou atrás, seguindo aqueles cabelos negros.

~Moon

Voltamos ao nosso quarto de hotel, onde arrumamos uma mochila para cada, contendo objetos essenciais e algumas mudas de roupas. Nossa viagem seria rápida, mas ainda assim deveríamos passar uma noite fora, além de estarmos numa região tropical. Era areia entrando por tudo, suor por conta do calor e banhos de mar com roupas. Não havia como saber o que aconteceria. Depois de tudo pronto, deixamos a chave na portaria e partimos em direção ao atracadouro da cidade. Um prédio azul, enorme, cheio de barcos e lanchas, prontas para te levar para qualquer ilha da região. E olha que eram muitas, havia as 4 principais e maiores. Mas havia mais uma dezena de ilhotas conhecidas como "as ilhas menores", sendo algumas delas ainda inexploradas.
- Que fila enorme! - Exclamo, quando entramos no enorme porto. Umas 20 pessoas estavam em uma fila única que levava a um barco branco. Recebendo as pessoas encontrava um velho marinheiro, com um chapéu comum entre os capitães. Ele cumprimenta as pessoas e recebe os bilhetes.
Somos praticamente os últimos da fila. Até porque não tinha como caber mais pessoas dentro do pequeno barco.
- Boa tarde, meu jovem casal. - Cumprimenta o marinheiro quando enfim chega nossa vez. - Me chamo Drad e sou o piloto dessa velha banheira. - Ele aponta para seu barco e sorri, percebo que ele tem um dente de ouro.. - Serei também o guia de vocês pela maravilhosa Alola. Espero que se divirtam!
- Eu sou a Moon e esse é meu namorado, Sun. - Digo, Black ainda estava meio calado. - Mal posso esperar para conhecer todas essas ilhas. - Digo, mostrando o pequeno panfleto que havíamos ganhado na agência de viagem onde tínhamos comprado as passagens. Nele, mostrava alguns exemplos de lugares onde conheceríamos e só de ler e ver pequenas imagens eu já ficava em êxtase.
- Garanto que não irão se decepcionar. - Ele afirma. - Já já sairemos!
Subimos a borda da lancha e nos sentamos ao lado dos outros passageiros. A maioria em si eram turistas, assim como eu e Black. De todos os cantos do mundo, Kalos, Unova, Hoenn, Kanto... Havia um casal de nativos, assim como uma outra garota. Era percebível pelo seu tom de pele bronzeado e pelas suas roupas.
Mais umas quatro pessoas chegaram antes de Drad subir a bordo e anunciar a partida.
- Já estamos saindo, coletem todos os coletes e apreciam a vista!
Todos afirmam, animados. Pego um colete salva-vidas em baixo do banco e o visto. Mesmo sabendo nadar, não poderia ficar sem um colete. Drad some dentro da cabine e liga o barco e logo partimos, deixando o porto, a cidade e a ilha para trás.
Algumas pessoas começam a enjoar, mas Black e eu estamos bem. Pego sua mão e sorrio, ele ainda está triste. A morte de Lillie havia realmente o abalado. Ele estava daquele jeito desde que deixamos o templo. Eu não entendia como a morte de uma garota que mal  se conhece poderia abalar tanto uma pessoa, embora tenha sido uma verdadeira tragédia. Eu já havia tentado conversar, porém ele não quis, o que me deixava num estado de impotência. Não havia o que fazer. Até mesmo aquela viagem, que era para melhorar o ânimo do garoto, parecia não estar fazendo o efeito desejado.
- Atenção, atenção! - Soa a voz de Drad a partir de um alto falante. Ele ainda está na cabine e levanta uma mão fazendo um sinal positivo quando a maioria das cabeças levanta para olhá-lo. - Nossa primeira parada será na Ilha Lunar, que recebe esse nome por conta do seu formato de lua crescente. A ilha possui uma biodiversidade incrível e é inabitada. Faremos uma pequena brincadeira nessa ilha e ficaremos por lá durante uma hora, antes de partirmos para a próxima. - Pego o panfleto e vejo uma foto da tal ilha.
Realmente lembrava o formato da lua. Na descrição do papel, falava que a ilha era um recanto pequeno e charmoso, imaculado das mãos humanas. De flora e fauna abundante, a Ilha Lunar é um paraíso para os turistas que visitam Alola.
- Olhe Sun, combina perfeitamente com meu nome. - Falo, tentando tirar um sorriso do meu marido, mas consigo só mais um  sorriso tristonho.
- Verdade, amor. - Ele se aproxima e tenta me dar um selinho, mas viro o rosto. Ele estranha. Estava cansada de tentar animá-lo pela morte de Lillie, eu entendia que alguém havia morrido. Mas tantas outras pessoas morreram antes dela e isso não evitou dele inventar um jantar romântico para mim na nossa primeira noite em Alola. Já havia se passado uma semana desde a garota tinha morrido e ele continuava assim. Me levantei e fui me sentar do outro lado, bem longe dele.
Ele me olha, num misto de confusão e irritação. Viro a cara e começo a conversar com uma turista de Unova ao meu lado (O sotaque era inconfundível. Pude identificar até de que cidade: Nimbasa).
Poucos minutos depois, Drad volta a falar:
- Estamos chegando! Se segurem e se preparem! - Anuncia, quando o barco começa a diminuir a velocidade. Todos colocam a cabeça para fora, vendo a costa da ilha. A lancha vai parando até que enfim deixa de se locomover, a poucos metros da praia. Drad deixa a cabine e fica a frente de todos. - Quem está preocupado que não sabe nadar, não se preocupe que o mar é raso. - Várias pessoas suspiram, aliviadas. - Haverá uma pequena gincana, que eu chamo de Caça ao Tesouro. Ele consiste em vocês tendo que coletar 3 itens. Uma flor rosa, uma pedra azul e uma concha laranja. Todos são encontrados perto da praia e o primeiro que trazer os 3 itens ganha o tesouro. - Várias pessoas gritam animadas, enquanto o capitão volta até a cabine e depois sai trazendo um baú, com cara de velho. - Aqui está o tesouro. Como temos pouco tempo, darei 30 minutos para vocês coletarem. Se ninguém tiver voltado com os 3 itens ainda, soarei o alarme. Vocês devem voltar ao ouvir o barulho. - Drad acaba de dizer todas as regras. - Permaneçam com seus coletes, eles possuem uma mini bússola e um apito. Caso se percam, usem o apito ou tentem chegar a costa seguindo para o sudeste. Entendido? Quem não quiser participar pode ficar no barco ou na praia. Quem irá jogar, pode ir!
Com um grito de Drad, mais de uma dúzia de pessoas pula do barco. Inclusive eu e... o chato do Black. Mas naquele momento, ele parecia determinado a ganhar e eu mais ainda. Iria mostrar pra ele que eu era tão boa treinadora quanto ele. O mar é cristalino e consigo ver o fundo, a vontade é parar de nadar e ficar vendo a vida que existe ali embaixo. Mas minha vontade de ganhar de Black é maior.
A primeira coisa que faço ao pisar na areia é procurar a tal concha laranja. Existe milhares daquelas coisas, mas todas brancas. A maioria dos competidores permanece na praia, caçando pela concha primeiro. Já Black corre para a mata, usando outra estratégia.
Percebo que permanecer junto dos demais apenas irá me atrapalhar e consequentemente atrasar. Por isso corro para a direita, me afastando de todos. Enquanto avanço meus olhos permanecem na areia branca, à procura da concha. Quando finalmente a encontro já estou no extremo da ilha, afastada de tudo.
- Aí está você. - Me agacho e apanho o objeto. O primeiro item já havia ido. Faltava mais 2.
Me levanto e me preparo para correr para a floresta. Quando algo me chama a atenção no mar transparente. No movimento das ondas vejo algo lilás. Me aproximo mais, colocando os pés na água. A coisa me parece um flor, mas poderia ser uma alga. Continuo caminhando até a água atingir meu peito. Agora a planta está à apenas um metro e tenho certeza que é uma flor. Ainda por cima é de um tom rosado.
A sorte está a meu favor. Respiro fundo e mergulho. A água salgada irrita profundamente a meus olhos, mas tenho que saber onde está a flor.
Consigo pegá-la, mas a flor não se solta. Em vez disso, ela se fecha. Puxo mais forte e ela sobe com tudo, revelando algo por baixo.
- Bruuuuuu! - Rosna o peixe, escapando da minha mão. Levo um susto e acaba engolindo água.
Subo e começo a tossir blocos de sal, voltando a respirar.
- Que...coisa...feia. - Falo, enquanto tusso. O Pokémon continua nadando ali próximo, me encarando com aqueles dentes ameaçadores. Resolvo não arriscar e começo a sair da água. Porém, assim que começo a me afastar, o bicho vem em minha direção. Aumento a velocidade e estou quase fora da água quando olho para trás e vejo que a saliência voltou a se abrir, formando uma flor novamente. Sinto uma estranha tontura e quase caio. Continuo caminho até não sentir mais a água e caio no chão. Minha cabeça começa a doer e a tontura continua.
O peixe fica no seu limite, onde ainda há água o bastante para se locomover e me observa ferozmente. Fecho os olhos e tento recuperar meu equilíbrio. Alguns minutos depois, quando volto a abrir, o Pokémon ainda está ali. Ele não havia ido com minha cara, nem eu com a dele. Mas eu tinha um orgulho a manter e o Pokémon parecia pensar o mesmo.
Resolvo aceitar seu desafio!
- Rowlet, vamos acabar com esse cara! - Tiro a pokébola do cinto molhado e a expando, para logo em seguida abri-la.
- Row row! - Pia o pássaro que sai da pokébola voando baixo e passa por cima do outro Pokémon. Sua asa estava bem melhor agora. Havia passado bastante tempo desde o tiro, e agora Rowlet não precisava mais das bandagens.
- Bruuuxxxx! - O peixe abre e fecha sua mandíbula rapidamente, assustando Rowlet que voa de volta para perto de mim.
- É esse cara com quem temos que lutar, Rowlet! - Aponto, animando meu Pokémon para recuperar sua coragem. - Temos a vantagem, será fácil!
A "flor" do peixe se abre novamente e minha dor de cabeça piora. Seria algo que comi no almoço? Minha mãe sempre dizia que comer e depois nadar fazia mal.
- Vamos começar com o Leafage!
Rowlet abre as asas e disparas varias folhas brilhantes que avançam em direção ao mar e ao Pokémon, que nada para as profundezas, fugindo do ataque.
- Seu trapaceiro! - Reclamo. Ainda consigo ver onde está meu oponente, mas a água se torna um escudo natural para ele. Ataques como Leafage, Peck e Growl não podem alcançá-lo, só me restando uma opção. - Use a Energy Ball agora!
O corpo do Pokémon começa a ganhar um brilho esverdeado que passa para uma pequena, porém densa bola em seu bico, que vai aumentando até brilhar intensamente. Rowlet lança a espessa bola que atravessa a água e explode na cara do adversário, que nem tentou escapar, imaginando que não seria atingido.
- Tome essa! - Comemoro e Rowlet se junta a mim.
O Pokémon se recupera do ataque de Rowlet mais rápido do que eu esperava e quando vejo ele já está contra-atacando, usando ondas psíquicas a partir da sua antena. O pássaro recebe o dano e ainda fica desorientado, voando de um lado para outro, balançando a cabeça.
- Bruuubruuubruuu - Gargalha o peixe, nadando feliz.
Eu já estava irritada e minha dor de cabeça não ajudava.
- Rowlet use o Growl!  - Não estava disposta a arriscar os pontos de vida de meu pokémon, por isso resolvo usar um ataque que não causasse danos, mas que me ajudaria da mesma forma.
Rowlet solta um poderoso grunhido, mas novamente o peixe nada para o fundo e escapa das ondas sonoras.
- Bruxish! - O Pokémon retornou, já usando um novo ataque. Ele abre a boca e dispara uma rajada de água, o famoso e conhecido Water Gun,
- Voe alto. Vamos usar o mesmo truque que ele! - Rowlet bate as asas e dispara para o céu, desviando do jato de água. O pokémon aquático ainda sobe alguns metros, mas logo perde a força e cai, para sua frustração. - Viu? Recebeu o seu troco! - Volto a zombar da cara do peixe, já tendo percebido que ele não gostava muito disso. Porém, não me deixo distrair novamente e já estou pronta para atacar. - Energy Ball novamente!
Rowlet cria outra esfera brilhante e dispara, mas ela não chega muito longe. Os olhos do Pokémon começam a brilhar e sua saliência se abre.
Ele usa seu poder psíquico para controlar o caminho da esfera. A bola de energia volta e quando acho que vai atingir Rowlet, ela passa por cima e atinge o pássaro pelas costas. O ataque não faz grandes danos, mas empurra Rowlet para baixo e o deixa no campo de alcance do inimigo. Antes que eu sequer possa falar, o peixe pula e abre sua mandíbula, que ganha um brilho azulado.
O Pokémon lasca uma poderoso mordida no corpo de Rowlet. Assim que as presas tocam o pequeno corpo, gelo começa a surgir nas penas. Para meu desespero era um Ice Fang, um ataque muito efetivo contra Rowlet. A gravidade começa a fazer efeito e os dois caem no mar. Corro para à água desesperada, quando Rowlet surge boiando, nocauteado.
- Meu querido. - Agarro o corpo gelado e molhado do meu Pokémon e o colo no meu corpo, aquecendo-o. - Você vai ficar bem, vai ficar bem.
Eu não estava mais irritada, agora era pura raiva. Aquela coisa havia ferido meu pequeno Pokémon e ainda tinha vontade de rir da minha cara. Ele ia ver só!
Saio da água novamente e pego minha outra pokébola, trazendo Gastly à batalha.
 - Gassstly. - Anuncia o Pokémon ao sair da sua pokébola. Ele ainda não havia se recuperado totalmente da última batalha. A explosão havia ferido seu corpo, mas ele já estava bem para uma batalha.
O peixe encara seu novo adversário e rosna, antes de disparar um ataque!
Sou pega de surpresa, mas Gastly já estava preparado e desvia.
- Lick na cara desse aí! - Falo, já imaginando o quão irritado meu adversário ficaria ao receber uma lambida na cara. Gastly parece gostar da ideia também e não demora.
O ataque além de irritar causa bastante efeito. Confirmando o que eu já imaginava, meu oponente era do tipo Psychic.
- Bruuxxx! - Grita o Pokémon, mergulhando e se limpando da gosma deixada pela língua do fantasma. Aproveito e chamo Gastly e lhe cochicho minha estratégia. O fantasma volta a sua posição quando o oponente retorna a superfície.
- Aproxime-se! - Comando Gastly, que chega perto da água. Onde o outro Pokémon vê a oportunidade de atacar. Ele avança com a boca aberta, preparado para usar novamente o Ice Fang. Mas eu tenho outros planos. - Agora!
O corpo de Gastly deixa de "existir" e some. O peixe passa direto e não acerta nada. Gastly já sabia o que fazer, ele volta a aparecer e dispara seu ataque.
Raios negros saem dos olhos do tipo Fantasma e acertam em cheio o corpo do Pokémon que é jogado para fora do mar, nocauteado.
- Isso! - Comemoro. Pego uma pokébola apropriada para pokémons do tipo Water e lanço.
A esfera balança três vezes de um lado para outro antes de parar. A captura estava confirmada. O peixe era meu. Contudo, antes que eu pudesse correr para juntar a pokébola da areia, Gastly dá um grito e começa a brilhar.
A nuvem de gás envolve o corpo do Pokémon, que ganha um tom negro. O brilho se expande , assim como o gás. Quando a luz diminuí, vejo a nova forma do Pokémon, agora feito totalmente de gás.
- Haunter! - O fantasma se aproxima e lambe minha cara, feliz por ter evoluído.
- Isso é incrível! Eu capturo um novo Pokémon e o outro evolui! - Comemoro, pegando a pokébola. Mal poderia esperar para contar para Black. Black! A caça ao tesouro! O tempo! - Ai meu Arceus!

~Sun
Me agachei na beira do riacho e comecei a procurar entre as pedras uma com a tonalidade azul, mas havia apenas verdes, negras e brancas. Eu esperava encontrar a pedra facilmente, para prosseguir para os próximos itens. Mas, eu já havia gastado vários minutos de corrida até ali e já se iam mais um minuto procurando e nada.
Segui pelo leito do riacho, usando a mão para tirar os matos que impediam minha visão.
Suspirei cansando, me levantando. Ficar arqueado daquele jeito já estava prejudicando minha coluna. Resolvo sentar numa pedra maior e descansar um pouco.
Será que White já havia conseguido pegar algum item? Eu não entedia porque ela estava chateada comigo, eu não havia feito nada.
Ela havia inventado essa história de excursão e agora estava de cara feia. Eu acho que ela queria fazer com que eu esquecesse da morte de Lillie, mas uma viagem não iria apagar aquela cena de minha memória. Ela continuaria morta, não havia o que fazer.
- Aiii! - Grito quando algo morde minha bunda.
Levanto, e vejo um pequeno inseto cascudo grudado em meu shorts.
Dou um peteleco e o jogo longe. O besouro cai ali perto, nem um pouco feliz por ter sido arremessado.
- Grrrr! - Do espaço entre suas presas sai um jato de seda, que atinge minha cara.
- Ai! - Reclamo, tentando tirar aquilo. A teia sai do rosto e gruda na mão. Vou até o rio e a lavo e quando volto, o inseto ainda está lá, me esperando. - Vejamos.
Pego a Pokédex do bolso e a ativo. Desde nossa discussão mais cedo, Rotom estava em silêncio. Ele se ativa e rapidamente escaneia o Pokémon.
- Grubbin, o Pokémon carapaça. - Informa RotomDex com sua voz infantil - O Grubbin utiliza a sua forte mandíbula como arma durante as batalhas e como ferramenta para escavar a terra.
- Já percebi. - Digo, coçando o local onde fui mordido.
- Bem feito, fica sentando em tudo que é lugar. - Diz Rotom, com sua malícia costumeira.
- Olha aqui, eu ainda estou zangado por causa nossa conversa mais cedo. - Informo ameaçador, mas o Pokémon nem liga e fica flutuando zombateiramente.
- Vai capturá-lo ou não? Eu não quero ter que ficar lutando toda hora para salvar essa tua cara feia.
- Como se você fosse grandes coisas, mal consegue dar um choque direito. - Ele se irrita e vem em minha direção, mas já estou preparado e o pego. Clico rapidamente no botão de desligar e a coisa se desativa. - Muito melhor agora.
Até que não era má ideia capturar o Grubbin, ele havia mostrado personalidade.
- Venha, Popplio!
O Pokémon aquático surge da pokébola já todo animado, batendo as patas dianteiras. Entretanto, ele fica a observar o local e depois olha para mim, sem conseguir identificar seu oponente.
- Ali, Popplio! - Aponto - Devemos capturá-lo e temos que ser rápidos. Por isso vá logo de Hydro Pump!
Popplio salta e estufa o peito, preparando o poderoso ataque.
O canhão de água avança, mas não encontra seu alvo, apenas o solo. Grubbin, num verdadeiro movimento artístico, usa vários fios do String Shot para lançá-lo para cima e depois se balançar.
- Ué! - Exclamo, surpreso.
- Ao enrolar ramos de árvore nos fios pegajosos que lança da boca, o Grubbin consegue baloiçar-se em cabos suspensos! - Diz uma voz infantil e abafada. É a RotomDex -já reativada- em meu bolso.
- E só agora você vem dizer? - Dou uma pancadinha nela, apenas para receber um choque de volta. - Ai!
Acabo me distraindo e Grubbin continua a se balançar e acaba se aproximando de Popplio. O inseto se solta dos fios e cai direto na cabeça do outro.
- POOOOOPPLIIIIII! - Grita de dor, meu Pokémon. Grubbin havia dado uma poderosa mordida na sua cabeça. Popplio tenta jogá-lo fora, balançando a cabeça, mas o inseto não larga de jeito nenhum.
- Use o Pound para tirá-lo daí! - Comando. Porém, Popplio está desesperado, fica andando de um lado para outro, berrando. - Popplio, me escute!
Mas o Pokémon continua assustado, sem saber o que fazer. Num ato de desespero, Popplio se joga na água. Isso é o bastante para fazer Grubbin se largar e voltar a disparar as teias para se balançar.
- Agora me escute, Popplio! - Falo, chamando a atenção de meu Pokémon, que já havia voltado ao estado normal. - Use o Disarming Voice!
Mando Popplio usar um novo ataque, que ele havia aprendido há pouco tempo. Nessa semana que passou, desde o incidente no templo, eu estava sem vontade para fazer nada. Por isso apenas treinava com Popplio, que aprendeu dois novos golpes, Pound e Disarming Voice, além de subir alguns níveis. Eu também havia escrito bastante, parecia que a tristeza era um ótimo combustível para a inspiração.
Popplio dispara um grito estrondoso, que ressoa por toda a selva. Dessa vez não havia como Grubbin fugir e ele foi atingido pelas ondas sonoras. O Pokémon havia aguentado até ali, mas não resistiu muito mais.
- X-X
O inseto cai virado para cima, nocauteado.
- É a minha deixa! - Pego uma pokébola comum. Resolvo não jogá-la, já que as chances de eu errar o pequeno corpo de Grubbin eram grandes. Toco a esfera no inseto, que se abre e o absorve. Ela balança três vezes antes de parar. Pronto, eu tinha um novo Pokémon.
Olho para o relógio. Haviam se passado apenas 5 minutos. Me restavam ainda 20 para achar os 3 itens. Volto ao rio e começo a fuçar novamente, dessa vez com a ajuda de Popplio e é ele que acha a pedra azul.
- Pronto, temos um. Vamos atrás da flor agora! - Retorno Popplio para agilizar e mergulho na mata. Uma nova animação enche meu peito. Eu havia capturado um novo Pokémon e finalmente tinha achado um dos itens. Minha curiosidade para saber o que havia naquele baú era gigantesca. Eu estava acostumado a vencer, agora não era diferente.
Atravesso uma moita e dele vários mosquitos voam dali. Eram pequenas coisas amarelas, menores ainda que o Grubbin.
Os insetos voam até mim e ficam voando ao meu redor. Acho as coisas fofas e até poderia captura-las, mas não tinha tempo a perder. por isso pego a Pokédex apenas para coletar informações.
Cutiefly, Pokémon Mosca-Abelha. O Cutiefly consegue detetar as auras de seres vivos, tais como pessoas, Pokémon e plantas. Procura as flores pela cor e pelo brilho das suas auras e, em seguida, retira-lhes o néctar e o pólen. - Fala Rotom de mal vontade, com uma voz zombeteira.
Mas nem ligo. As informações dadas por ele iriam me ajudar muito. Se fosse verdade que os Cutieflys iriam me levar direto para as flores que eu tanto queria.
Encontro mais deles voando por ali e começo a segui-los. Dito e feito. Os Pokémon me levaram até a costa, ali não havia areia ou praia. Apenas uma vastidão de flores, com vista para o mar e para outras ilhas.
Eram centenas de Cutieflys em centenas de flores com centenas de cores. Os que estavam ao meu redor me deixam e voam para alguma flor livre. Caminho devagar, encantado com aquele visual. Pego a minha Pokédex antiga -sim, eu ainda a carregava- e tiro uma foto em alta definição. Rotom acabaria aprontando alguma se eu deixasse minhas fotos em suas mãos. Arranco uma flor rosa sem algum Pokémon e volto correndo para a mata, seguindo o rumo do barco.
Chego a praia faltando 2 minutos. O lugar ainda está cheio, mas são os outros turistas que não estavam participando da brincadeira. Não vejo White em lugar algum, mas não procuro muito. Foco meu olhar no chão e sigo para a parte da praia mais vazia.
Não me importo com o que vão pensar, me jogo no chão e começo a fuçar por tudo. Finalmente vejo a dita cuja e a agarro.
Levanto num salto, a felicidade preenche meu corpo.
- Consegui! - Exclamo feliz, quando a buzina do barco soa. O tempo havia acabado.

***

- Vejamos - Drad caminha entre os 13 participantes, todos mostrando seus itens. Olho para a mão de White, só havia uma concha laranja. Eu esperava que ela conseguisse os 3 itens, deveria ter acontecido algo. Os demais participantes também só haviam conseguido 1 ou 2 itens, ninguém os três. Até que um Aloniano mostra os três itens, a concha laranja, a pedra azul e a flor rosa. - Parabéns, você conseguiu os três itens. - Drad continua a inspecionar até chegar minha vez, onde também mostro os três objetos. Vejo White me observando de relance e vejo um sorriso de satisfação em seu rosto. - Mais um! Parece que temos um empate. Jesse e Sun. Como iremos resolver isso?
O rapaz devia ser da minha idade, com a pele bronzeada e o cabelo castanho, os olhos eram incrivelmente verdes. Ele está vestido casualmente com uma camiseta regata, com um óculos escuro, e um shorts, mas o que chama minha atenção é a esfera vermelha e branca.
- Você é um treinador?
- Sim, por quê?
- Que tal desempatamos isso com uma batalha? - Proponho.
- Ótima ideia, Sun. Uma batalha só será rápida e poderemos continuar nossa viagem. - Drad se intromete no meio da conversa. - Pode ser Jesse?
- Por mim tudo bem! - Concorda o jovem nativo, pegando sua pokébola.
- Será uma batalha 1x1, o primeiro Pokémon que desmaiar perde. E o vencedor... - Drad cria um pequeno suspense e levanta o velho baú. - Ganha o magnifico tesouro!
Vivas surgem e algumas pessoas formam um círculo ao redor de mim e Jesse. Levo um susto quando escuto a voz de White em meu ouvido:
- Sabia que tu ia conseguir! Não vá perder agora.
- Pode deixar, amor. - Me viro para lhe dar um beijo, mas ela empurra meu rosto.
- Ainda não te perdoei - Cuma? - Agora foco na batalha!
Ela se afasta e se junta a multidão. Sigo seu conselho e deixo todos os meus sentidos focados na luta que logo começaria.
- Que comece a disputa! - Grita Drad. Essa é a deixa e jogo a pokébola para cima, assim como meu oponente faz.
Popplio surge novamente. Rotom é meu Pokémon mais forte, mesmo que eu não admita isso, mas sua personalidade difícil dificulta as batalhas. Por isso resolvo ir pelo mais seguro e mais confiável.
O Pokémon que Jesse traz é uma novidade para mim.  É um pequeno roedor gordinho, parecendo uma bola, de coloração cinza e bochechas amarelas.
Pego a Pokédex de Alola e inspeciono-o.
- Togedemaru, o Pokémon Rechonchudo. - Diz Rotom, no automático. - A longa agulha que cresce na parte de trás da sua cabeça funciona como um para-raios para atrair a eletricidade. Em dias de tempestade, podemos ver, por vezes, os Togedemarus se juntar e alinhar as suas agulhas à espera de serem atingidos por um raio.
- Incrível! - Guardo a Pokémon e analiso o Pokémon. Eu estava em desvantagem, então era preciso criar uma ótima estratégia.
- Lutem! - Grita Drad, enquanto ainda estou pensando no que fazer para derrotar Jesse. Porém o meu oponente já sabe muito bem como agir e anuncia seu primeiro movimento:
- Use o Spikes por todo o campo de batalha!
O que eu achava ser manchas nas costas do roedor crescem e se mostram poderosos espinhos. Depois disso ele salta e começa a girar, disparando espinhos pela a areia.
Os espinhos cravam na areia, ficando as partes pontudas para cima. Prontas para machucar quem ousasse andar por ali.
Adeus eu usar o Pound agora. Popplio teria que se locomover até chegar em Togedemaru e consequentemente iria se ferir. Por sorte meus outros 3 ataques não eram Físicos.
- Comece com o Water Gun! - Comando, querendo testar as características do meu oponente.
Popplio dispara uma pequena quantidade de água a partir da sua boca.
- Desvie com o Quick Attack e avance! - Anuncia Jesse ao ver meu movimento.
A pequena bola de pelos ganha velocidade e desvia do Water Gun, para logo depois avançar contra Popplio. Ao ver sua anatomia eu não esperava que ele conseguia se mover tão rápido, mas não tão rápido quando minhas habilidades como treinador!
- Pound, Popplio! Mas não se mova. Deixe ele chegar até ti!
Mesmo sendo veloz, Togedemaru tem que desviar dos espinhos, assim ele avança em ziguezague. Dando tempo para Popplio se preparar e quando finalmente o oponente chega perto o suficiente, ele já está pronto.
Togedemaru fica no campo de alcance de Popplio e o Pokémon dá um poderoso tapa que joga o oponente para trás e ele acaba caindo em cima de um espinho, se ferindo ainda mais.
- Aii! - Reclama Popplio também. Demoro alguns segundos para entender o motivo. Sua pata está machucada, como se tivesse sido espetada.
- É o Iron Barbs, não é? - Pergunto a Jesse.
- Exato, é a habilidade dele. - Responde o rapaz. - Não vamos mais facilitar. - Ele me provoca. - Thunderbolt!
- DESVIE!
O Thunderbolt era um ataque forte contra Popplio, pois ele era do tipo Water, o que provocaria ainda mais danos.
Togedemaru salta e usa toda a eletricidade de seu corpo para disparar poderosos raios e trovões. Popplio tenta em vão desviar, mas não havia para onde ir e nem ele era capaz de se mover tão rapidamente. O ataque elétrico atinge em cheio, mas Popplio era forte e resiste o máximo que pode. Eu havia o treinado bem, sabia que momentos como aqueles chegariam e era preciso treinar a resistência. Por sorte eu tinha um Pokémon do tipo Electric no time e tinha o usado  para Popplio melhorar sua defesa.
- Pliio! - Reclama meu Pokémon, mas ainda se levantando.
- Vai Popplio, vença! - A voz de White surge de algum lugar da multidão. Não olho, mas sorrio para ela. Outras vozes se juntam e uma pequena torcida grita o nome de Popplio, motivando-o. Outras pessoas gritam o nome de Togedemaru, mas isso não nos abala.
- Popplio, Hydro Pump!
Popplio dispara uma torrente de água, mas Togedemaru desvia.
- Gyro Ball!
- Hydro Pump!
Gritamos juntos. Togedemaru se junta em forma de bola e começa a girar, com um anel de energia em volta. Já Popplio repete o ataque anterior!
O corpo de Togedemaru colide com a água de Popplio e nem um, nem outro avançam. A torcida volta a gritar, incentivando os dois Pokémons a não desistirem. E nenhum desiste. Os dois permanecem com seus ataques por vários segundos ainda até que os dois cessam.
Togedemaru volta para seu lugar e Popplio toma fôlego.
Mais um ataque e Popplio iria desmaiar. Jesse sabia que Quick Attack e Gyro Ball não iriam adiantar, então ele iria de Thunderbolt e eu podia deixar.
- Hydro Pump novamente! - Comando. Aquele era meu ataque mais poderoso e eu iria usá-lo até não poder mais!
Togedemaru ainda está se recuperando quando a bomba de água o atinge e o joga para trás.
- Togedemaru, não! - Jesse se preocupa com seu Pokémon, mas a criaturinha fofa se levanta e volta para o campo de batalhas. - Não podemos mais arriscar, Thunderbolt!
- Só se eu deixar. - Finalmente havia surgido uma estratégia em minha cabeça e ela era perfeita. - Hydro Pump o mais baixo que puder!
Togedemaru ainda estava armazenando energia para liberar seu ataque, quando Popplio dispara a água que avança rente ao solo. Ela acaba coletando areia e espinhos que avançam tudo junto contra Togedemaru. Água, areia, espinhos, tudo acertam Togedemaru que mais uma vez é jogado longe, não mais se levantando.
- Togedemaru está fora de combate! - Anuncia Drad - Sun e Popplio são os vencedores!
- YEAH! - Grito e pego Popplio no colo e começo a comemorar. White se junta a mim e agora me dá um pequeno selinho. - Agora eu mereço, é?
- Abri uma exceção. - Ela sorri e abre espaço para Drad se aproximar.
- Parabéns, Sun! Aqui está seu prêmio. - O velho marinheiro entrega o baú, que abro rapidamente.
Lá dentro encontro 4 itens. A primeira é uma pedra azul, mas nem um pouco parecida com a que eu tinha coletada. Aquela era mais rara e poderosa, uma Water Stone.
O segundo item era uma semente amarela, mas não parecia ser algo especial. Eu a conhecia, no entanto, era uma Miracle Seed.
O terceiro era um estojo e dentro havia um cd. Olho no verso e vejo escrito TM38 - Fire Blast. Seria ótimo quando eu capturasse um Pokémon do tipo Fire.
O quarto e ultimo item era uma pedra parecendo um prisma. Eu nunca tinha visto algo parecido com aquilo.
- O que é isso? - Pego a pedra nas pontas do dedo e levanto em direção ao sol.
- Uma Mysterious Stone. - Diz Drad, mas isso pouco muda. Ainda não sei o que aquilo é ou que faz. - Também não sei, mas deve ser raras.
Tenho que rir junto com o velho capitão.
- Bem, alguma utilidade eu vou encontrar. - Digo, guardando os quatro itens.
- Muito bem! - Drad volta sua atenção para o resto dos seus tripulantes. - Pessoal, 5 minutos para partimos! Vamos se apressando, temos muita coisa para ver!
Vários turistas começam a recolher suas sacolas e roupas. Procuro por White, mas ela já está correndo em direção ao barco,
- Te vejo mais tarde! - Ela grita e eu não entendo. Uma hora ela estava de boa, depois ficava de mal, pra depois ficar de boa de novo. O apelido de Moon até que havia lhe caído bem, como uma lua ela tinha varias fases. De qualquer forma, eu amava o luar!

~Moon

Já havia escurecido quando chegamos à quarta ilha de nossa excursão. Naquela havia um lindo resort e iríamos passar a noite por ali. No dia seguinte, haveria várias outras para conhecer. Então deveríamos estar bem descansados. Mas eu não estava descansada. Eu havia colocado minha melhor roupa, um vestido carmesim, que por sorte havia trazido, mesmo após Black ter dito que eu nunca iria usar.
Passei uma maquiagem básica e um pouco de perfume e fui para o restaurante do hotel.
Black já me esperava e ele estava encantador. Usava uma calça jeans e uma camiseta polo, as coisas mais chiques que ele havia trazido para a excursão. Mesmo assim ele estava divinamente lindo.
- Você demorou. - É a primeira coisa que ele diz.
- Quer que eu volte a ficar brava contigo? - Ameaço e Black fica pálido.
- Mas eu, eu...
Sorrio e ele relaxa.
- Estou brincando, bobo. - Me aproximo e lhe dou um demorado beijo. Consigo sentir o gosto da sua pasta dental de menta, o cheiro do seu perfume fresco e o toque da sua pele na minha. - Eu te amo.
- Eu também te amo. - Ele responde.
- Mas por favor, nunca mais entre em depressão por uma garota que você mal conhece. - Digo.
- Mas eu - Interrompo.
- Eu sei, te entendo. Nós viemos aqui para salvar o mundo - Digo, sendo nada modesta. - Mas também para se curtir.
- Eu sei. - Admite ele. - Me desculpe.
- Vamos aproveitar então?
- Com certeza!
Ele puxa a cadeira para eu sentar e logo depois se senta também.
Comemos maravilhosamente bem e me divirto como a tempos não fazia.
Era como na época que namorávamos, na verdade era melhor. Eu era apaixonada por aquele garoto e iria ficar com ele até o fim do mundo.

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Pokémon Sol & Lua: A Missão – Originalmente publicado em Julho de 2016 sob o título "Pokémon SL Adventures". – A cópia, venda ou redistribuição desse material é totalmente proibida. Pokémon e todos os respectivos nomes aqui contidos pertencem à Nintendo.

Ao escrever a fanfic, os autores não estão recebendo absolutamente nada, ou seja, esta é uma produção artística sem absolutamente nenhum fim lucrativo. A fanfic foi projetada apenas como uma forma de diversão, de entretenimento e passatempo para outros fãs de Pokémon. ~



Capítulo escrito por Joka
A fanart acima foi encontrada na internet através DESTE link. Todos os créditos vão a seu criador.

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