quinta-feira, 13 de julho de 2017

Capítulo 05: A Ilha dos Dragões (1ª Parte)



~Hiroshi

— AAAAH! Que susto! — Gritei.
Eu estava dormindo por cima de uma pilha de balanços, balancetes de verificação, DRE's e outros demonstrativos contábeis que não faço ideia de como se chamam ou para que servem, quando bateram na porta e me acordaram de supetão. Os olhos arderam com a luz do sol transpassando a persiana e meu coração disparou: Já era de manhã, e eu não tinha nem começado meu trabalho!
(Imagem encontrada NESTE link. Créditos a seu criador)
Sabe, aquilo estava me matando. Era muita coisa pra uma pessoa só. Não entendo como a White, quer dizer, a Senhora Black, lidava com tudo aquilo. Todos os dados de todas as transações governamentais estavam naqueles papéis e acredite: era muita coisa. Primeiro, tinha tudo sobre as droga de líderes de ginásio, depois os custos com a elite dos 4, reformas por toda a região, a construção da Rota 04 que mesmo após acabada, continua dando trabalho, reparos dos esgotos de Castelia, reparos na nova Victory Road, conserto de ruas, construção de novas vias e asfaltamentos. Fora o sistema logístico de transporte e cargas que não era nem um pouquinho mole.
E essa foi a razão de meu sono: Com tantas coisas para gerenciar, acabei me atrasando e ficando até tarde no escritório para terminar meus projetos. No fim, acabei tirando um cochilo por cima da papelada, e esse cochilo acabou se tornando um sono profundo... Sonhei que estava no lugar de meu primo Black, e não no da esposa dele. Em meus sonhos, batalhava contra os mais fortes treinadores de toda Unova e até mesmo os estrangeiros, e sempre vencia, mantendo meu título de Campeão...
É uma pena que, quando aquela mão me empurrou, esse sonho foi tirado de minha cabeça, me trazendo de volta à triste e dura realidade. Eu era só mais um cara no meio da papelada e super hiper mega atrasado para com seus deveres.
— O que você faz aqui? — Pergunto, sem a intenção de ser rude, mas já sendo.
— Quero minhas férias. — disse Marlon, o líder de ginásio que não se importava em mostrar o próprio corpo. Andava sem camisa, só pra mostrar os músculos e causar inveja nas inimigas -DESGRAÇADO-, sem falar que por onde passava, ele deixava um rastro de água pelo chão.
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— VISTA-SE! — Ordenei. Aquela era uma instituição do governo. Ninguém poderia andar "pelado" por lá, mesmo que fosse um líder de ginásio. As leis se aplicam a todos, ou pelo menos deveriam.
— Ei, relaxa! — Esqueceu que você está me devendo?! — Ele perguntou, como que me chantageando. — Você mandou aqueles seus amigos lá pro meu ginásio e eles passaram um tempão na piscina onde os MEUS pokémon deveriam nadar livremente. Isso sem falar na bagunça que eles fizeram: primeiro, comeram todo o meu estoque, que deveria durar um mês e uns quebrados; segundo, acabaram derrotando todos os treinadores do ginásio, de forma que os participantes chegavam e iam direto a mim, porque todos estavam muito ocupados no CP tentando recuperar a vida de seus parceiros pokémon; e terceiro: acabaram destruindo o campo de batalhas! Tive que pegar o dinheiro de minha própria poupança para reconstruir a estrutura! Ah, e tem também--
(Imagem encontrada NESTE link. Créditos a seu criador)
— Está certo, está certo! Okay, já entendi! — Disse eu rispidamente, cortando Marlon e impedindo que listasse qualquer coisa que Natan White e Rosa Grey pudessem ter aprontado em sua estadia em Humilau. — Mas se você vai sair de férias, quem é que entra no seu lugar para cuidar de Humilau?
— Ora, você é o Campeão. Isso não é problema meu! — Marlon devolveu-me a mesma gentileza que utilizei para com ele.
— Masoque-- GRRRR!
Me irrito, mas logo me lembro que meu corpo é extremamente seco e desprovido de força. Eu não deveria me meter contra um cara daqueles.
— Deixe o Cress lá. — Sugeriu Marlon.
— Cress? Mas ele...
— Ele já aprendeu a lição e... Não há outro especialista em tipos água na região tão bom quanto Cress!
— Ceeerto! — Tive que concordar, de mau grado. — Aqui está. — Peguei o recibo de pagamento e assinei, depois entreguei a Marlon. — Seu salário e suas férias serão depositados em até 1 hora em sua conta. E por amor de Arceus, vista uma calça menos... Justa. — Completei eu, percebendo que aquela roupa de mergulho era tão apertada, mas tão apertada, que além de ser ultrajante, mostrava... DEMAIS.
— Foi bom negociar com você. — Marlon falou, enquanto pegava os papéis e saía. — Região de Alola, aí vou eu!
— Espere! — Gritei. — Você vai para Alola?
— Vou. — disse Marlon. — Minha namorada e eu vamos para a região das ilhas menores. Alugamos uma cabana por lá, com a vista para o mar. — Eu estava pensando... A pessoa sai de férias e deixa uma saída que tem praia para ir para outra cidade que também tem praia. Qual o sentido disso? Porém, tudo o que eu disse foi:
— Namorada? Achei que você fosse... Bom, deixa pra lá.
— Acho bom mesmo. — E virou-me as costas.
— Se encontrar a White por lá, diga que a próxima vez que ela desligar o telefone pra não falar comigo, EU VOU MATÁ-LA!
— Pode deixar. — E se foi.
Peguei os papéis e joguei tudo no chão, de raiva. Foda-se. Aquilo não era pra mim.

~Drad

Passamos a manhã ancorados na pequena Ilha Moolelo. Primeiro nos dirigimos à bela cidade. Os turistas ficaram impressionados com a quantidade de lojinhas de penduricaios que havia por ali. Tanto as mulheres quanto os homens se enxeram de brincos, pulseiras, tornozeleiras e joias artesanais feitas por tribos indígenas que habitavam a menor das Ilhas Menores de Alola.
Tomamos um café da manhã típico da região: Haupia, um doce divino feito de coco com a deliciosa e imprescindível malasada, e então partimos para a praia, deixando os turistas livres para se divertir o quanto pudessem até o meio-dia, horário em que o barco deixaria a ilhota e seria conduzido a mais uma das belezas naturais da região de Alola. Naturalmente, este processo seria feito por mim, o capitão do barco.
Hoje seria um dia e tanto. Pararíamos com os torneios e competições interativas por um tempo para dar lugar aos mistérios e segredos que se escondem pelo litoral. Como um guia de viajem, há muito experiente, devo confessar que a cada ilha que se visita, é uma história diferente. Um deus diferente, um povo diferente, uma cultura diferente. Mas algo me inquietava. Os tremores, as chuvas, as ondas gigantes... Tudo havia silenciado de uma hora para outra.
Conheço muitas e muitas lendas. Ouço e vejo coisas que nem Arceus acreditaria, mas uma coisa é certa: Os deuses são orgulhosos e egoístas. Preocupam-se mais consigo mesmos do que com os outros. Sentem-se superiores à nós, superiores aos outros pokémon. Por que diabos parariam justo agora? Do nada?
Não reclamo, os negócios estão indo bem melhor agora. Mas, essas pessoas... Elas ouvirão o que tenho a contar. Ouvirão sobre a mitologia de Alola. Das Ilhas Maiores e das Ilhas Menores. E se elas forem espertas, também ficarão se perguntando o porquê de tudo isso.
Ah, eles são inteligentes. Muito inteligentes. Também ficarão com uma pulga atrás da orelha, assim como eu. Especialmente aqueles dali. O nome dele é Sun, ela é a Moon e aquele rapaz sem camisa ao lado deles é o Jesse. Eles parecem se dar muito bem juntos. E são tão novos. Ah, como eu era jovem quanto comecei a me interessar por esses mares... Eu era exatamente como eles. Sorridente, magro...
Eu tinha aqueles mesmos talentos... Talentos de batalha. Quando eu via um pokémon selvagem, eu fazia exatamente o mesmo que eles. Me jogava com tudo. Só o que eu queria era ter mais um parceiro ao meu lado. E não reclamo. Meus fiéis pokémon permaneceram durante muitos anos ao meu lado, mas muitos se foram e muitos se renderam à velhice. Hoje, eu preferia muito mais assistir aos jovens do que me juntar à eles.
E lá estava a garota. Tinha reflexos rápidos, tão ágil quanto um Pikipek em busca de objetos para roubar. Ela lutava contra um Pato selvagem que encalhara por ali mesmo e pleo brilho nos olhos dela, eu poderia dizer que ela queria capturá-lo.
Como era o nome daquele Pokémon mesmo? Ah, certo. Psyduck. Um Psyduck barrigudo, com bico gigante e olhos esbugalhados. Tinha uma fina plumagem amarela cobrindo-lhe o corpo, uma cauda estranha para uma ave e três fios de cabelo brotando do topo da cabeça.
Seria um oponente fácil, se não fosse suas habilidades psíquicas, que confrontavam de igual para igual com o Rowlet da menina.
A corujinha era mais ágil, tinha a vantagem aérea e ataques mais bem preparados, mas o pato era um ótimo nadador, sem falar que seus golpes eram tão brutos, que Rowlet sofria como um condenado a cada impacto.
Nisso Moon foi esperta. Tentava diminuir a força do adversário com ataques de status.
— Não pare! Growl!
Rowlet deu um grito muito agudo, que jogou Psyduck pra longe, mas isso só fez a ira do mesmo aumentar. Os olhos dele brilharam em um tom de azul muito intenso, e Rowlet foi jogado longe.
— Aquele foi um Psychic! — Constatou Jesse.
Um Ataque psíquico, e dos fracos. Aquele Psyduck tinha o nível baixo, eu poderia apostar. Já vi Psychics melhores. Mas Rowlet também não era grandes coisas. O golpe o havia deixado muito ferido. Mas, quando vi aquilo, eu sabia que aquela menina acharia um jeito de contornar a situação. E estava certo. Quem quer que julgue a inteligência dela, vai acabar sendo prejudicado. E muito.
Razor Leaf, vai!
As folhas que faziam parte das asas de Rowlet se desprenderam e então esvoaçaram pra cima do Psyduck, girando tão rápido e batendo com tanta força, que provocaram diversos cortes na superfície do pato.
— Puxa vida! Que incrível! — Admirou-se Jesse, Sun lançando-lhe um olhar de desaprovação que fez com que as bochechas dele ficassem em um tom vermelho-pimentão.
— E lá vem ele de novo! — Moon disse, ao perceber que o pato era mais resistente do que parecia. Uma onda se formou por baixo do pokémon no golpe Surf e este veio com tudo, inundando Rowlet, cuja força se esvaía rapidamente...
Então, ela fez o que mais me surpreendeu:
— Rowlet, use a Energy Ball para cima.
Rowlet disparou a bola para o alto. Psyduck seguiu a bola de energia com os olhos, temendo que o ataque voltasse e lhe atingisse a cabeça. Mas não voltou.
PECK!
O bico de Rowlet energizou-se e como um raio, ele atingiu o distraído Psyduck, que estava tão preocupado com a esfera de energia que não percebeu seu adversário se aproximando até ser tarde demais.
O pato voou e caiu na arrebentação, os olhos pra lá de Bagdá, girando como se fosse um redemoinho em alto mar. Estava sem condições de batalhar.
— Vai, Pokébola!
Moon pegou uma pokébola diferente. Uma daquelas que se compra nos camelôs com 50% de desconto. Bola Submersa, o nome. Segundo os pescadores locais, efetiva contra pokémons encontrados na água, seja na pesca, no surf ou debaixo do oceano.
A bola engoliu o pato e começou a se mexer na areia. A cada mexida, Moon dava um suspiro. Quando a bola finalmente estabilizou e lançou umas bolhinhas ao ar, ela se contraiu e então deu um salto de vivas, comemorando a nova aquisição para o time. Sun veio correndo abraçá-la. Jesse ficou meio sem jeito, mas a cumprimentou igualmente. Os três então começaram a exibir suas pokébolas e a mostrar os parceiros de time uns para os outros. E assim ficaram por bastante tempo.
Tirei horas observando aqueles três, imaginando o que cada um deles pensaria sobre o povo daqui, de Alola, quando eu lhes contasse todas as lendas à grosso modo. Eles seriam os primeiros a questionar, eu tinha certeza. Eles fariam perguntas, demonstrariam interesse e então ficariam, assim como eu, perplexos. Muitos sacrifícios foram e são feitos até hoje pelos deuses, mas muita coisa têm me intrigado. E muita coisa vai intrigá-los também. Disso eu não tenho dúvida.
Quando percebi, já era cinco para meio-dia. Apressei-me em sair da sombra da palmeira e fui para o parco. Os turistas foram entrando e em pouco tempo, o litoral de Moolelo Islet estava vazio. Assumi a direção e guiei todos à segunda etapa da expedição: a visitação cultural.


~Jesse
O almoço fora no barco. Petiscos e mariscos, uma bela combinação com as algas e frutos do mar. Eu estava sentado na mesma mesa em que Sun e Moon quando o velho Capitão Drad se pôs na frente de todos, pegou o microfone e anunciou.
— Estamos passando agora pelo "Valley o ka Holo Malie", o Vale da Morte. Ele é chamado assim por causa dos inúmeros redemoinhos e das enormes pedras que parecem desaparecer quando a maré está alta, sendo o motivo do naufrágio de inúmeros navios.
As pessoas começaram a olhar pelas janelas, umas assustadas, outras admiradas. Muitas delas tiravam fotos.
— Esta área é também conhecida como Losango dos Calções — Continuou o guia de viagem. — e é conhecida por inúmeros fenômenos estranhos, que muitos julgam sobrenaturais. Mas eu lhes digo, companheiros, se nos mantermos longe desses redemoinhos, não teremos nada a temer.
As pessoas ficaram com um nó na garganta, mas Drad limitou-se a dar uma gargalhada.
— Dentro de meia hora, estaremos na Aniuea Island, a chamada Ilha dos Dragões. Mas, antes que cheguemos lá, preciso lhes contar a terrível história da ilha, que envolve não só o passado muito distante como o presente há pouco recente. — Do jeito que ele falava, dava pra perceber que ele tinha decorado aquelas falas. Não era algo que saía de seu coração, estava apenas cuspindo as palavras como em um mantra pra lá de repetido.
Mas aquilo foi suficiente para tirar o pessoal das janelas. Todos se sentaram e ficaram atentos à história, esperando para conhecerem mais da cultura de Alola. Eu já estou acostumado com isso. As pessoas acham que só porque somos da região, temos hábitos estranhos ou crenças cabulosas. Nossos antepassados, até não nego, mas os jovens... Somos uma nova geração. Se tem algo em que acreditamos é no poder de Arceus e seus Mil Braços que criaram o mundo.
Talvez tudo o que Drad falasse acabasse deixando as pessoas com receio de mim, como medo que eu fosse do mesmo tipo de pessoa que as tribos canibais que por aqui viveram ou os Kahunas e sua magia negra. Especialmente se Drad fosse falar da Ilha dos Dragões. Aquele lugar cheio de montanhas guarda muitos segredos e mistérios que nem mesmo o próprio povo de Alola ainda conseguiu desvendar por completo. Mas é claro que muitas coisas que a gente ouve falar daqui é história de pescador. E é óbvio que o Capitão incrementaria a história com vários desses mitos, para atrair a atenção do público.
Eu só quero ver a reação deles. Isso pode ser até engraçado.
— A Aniuea Island é o lar de muitas histórias, mas a maioria delas não passa de história de pescador. O que vou contra-lhes aqui é apenas a VERDADE.
O que? Então ele não ia enfeitar? Aah, agora que eu estava gostando da ideia de ver as pessoas fazendo careta com as bizarrices que esses fishermans inventam.
— Há três grandes fenômenos sobrenaturais registrados nesta ilha, bem como três fenômenos naturais: os sobrenaturais consistem na Dança dos Dragões, o Canto das Sereias e o a Origem dos Kahunas! Os fenômenos naturais consistem na aparição das neves eternas no topo das montanhas, fontes de águas termais em meio ao gelo e é claro, vulcões que se ativam de mil em mil anos. Sobre o que vamos falar primeiro?
O povo começou a levantar as mãos e pediram para falar dos fenômenos sobrenaturais. Era óbvio que eles iriam se interessar mais por isso do que neves eternas, fontes de águas termais e vulcões. Isso não é "especial". Tem nas outras ilhas de Alola também...
— Muito bem, muito bem... Vamos começar pela Dança dos Dragões, um fenômeno que pode ser visto somente à noite. Dizem que, no topo das montanhas mais altas vivem pokémons do tipo dragão que batalham uns contra os outros, provocando tempestades de raios. Os ataques deles sobem à atmosfera e a mãe natureza devolve com raios de verdade. Por isso, toda noite é dia de tempestade na ilha de Aniuea. Em contrapartida, não chove de dia por aqui.
As pessoas ficaram admiradas com aquilo. Começaram a perguntar que tipo de dragão se escondia pela ilha.
— Há milhares de pokémons dragão espalhados pela ilha, mas dizem que há uma espécie muito antiga e muito poderosa se escondendo nas montanhas. E esta espécie é a responsável pela Dança. Ninguém consegue se aproximar em meio à tempestade de Raios, então ninguém conseguiu constatar ainda QUAL dos dragões tem feito isso, mas há quem chute um Dragonite. Há mais ou menos duzentos anos, as pessoas desconheciam o que causava a dança. Ainda desconhecem, mas já se tem o conhecimento de como o fenômeno acontece. Naquela época, acreditavam que um Deus zangado com os humanos mandava as tempestades de raios todas as noites para impedir que as construções nas cidades avançassem aos domínios selvagens. Eu já falei que os habitantes da ilha afirmam ter visto sereias?
Drad tirou mais uns quinze minutos falando sobre o canto das sereias, que muitos homens (especialmente os estrangeiros) que vinham à Aniuea morriam afogados, atraídos pela voz de soprano destes seres marinhos... Por incrível que pareça, essa história rendeu mais aplausos do que a dança dos dragões. Uma menina perguntou como que sabiam que os homens morriam afogados por causa do canto quanto qualquer pessoa pode desencarnar por afogamento?
Aí a discussão virou num reboliço. Alguns defendiam a ideia (meu pai viu uma), outros eram totalmente contra a existência de tais seres (isto é contra a natureza dos seres humanos! Deus fez os pokémon para serem pokémon e os humanos para serem humanos!)
Em dado momento, alguém disse:
— Metade Humanos, Metade pokémon?! Isso é bizarro!
E Sun respondeu:
— Isso porque você nunca se transformou em um Victini!
Eu não sabia o que era um Victini e nem fiquei sabendo, pois o assunto não se prolongou muito. Estávamos a poucos minutos da Ilha, e Drad teve de parar a discussão, para contar a última das três sobrenaturalidades de Aniuea.
— E por fim, — Ele disse — A Origem dos 7 Kahunas! Esta é uma velha lenda que vem sendo discutida por muitos e muitos especialistas. Seria verdade ou seria mentira? O fato é que há cento e cinquenta anos atrás, uma caravela naufragou próxima à costa da Ilha. Oito homens sobreviveram, cada um deles vinha de uma região diferente... Kanto, Johto, Hoenn, Sinnoh, Unova, Kalos, um daqui mesmo, de Alola e o oitavo e último vinha de Almia.
"Eles chegaram à costa aos farrapos, mas estavam satisfeitos, pois haviam conseguido a Soul Heart, uma peça importante na alquimia, ciência que se desenvolvia na distante região de Kalos, cujo objetivo era evoluir os minerais (como quem evolui a um pokémon) para sua forma mais perfeita: o ouro. A peça tão importante que eles conseguiram furtar era a primeira forma de vida artificializada, criada por mãos humanas.
"Ao chegaram na cidade, juntaram-se a um mosteiro, onde desenvolveram seus planos sádicos, ou pelo menos tentaram... É dito que um dos homens, o oitavo de Almia, resolveu de roubar a Soul Heart para si mesmo e utilizou a energia artificial para mega evoluir muitos pokémons ao mesmo tempo (coisa comum hoje em dia, com as novas tecnologias). Mas na época, a mega evolução era um tabu, e poucos treinadores tinham força o suficiente para derrotá-las, ainda mais várias do mesmo tempo.
"Os 7 Kahunas restantes perderam e feio para o oitavo de Almia. Devastados pela derrota, o grupo que trouxe a Soul Heart de Kalos para Alola se desfez, e então, o tempo passou...
"O oitavo dos Sacerdotes Kahuna (o que tinha a Soul Heart para si) começou uma explosão de tecnologia que durou (adivinhem) 7 anos. Cidades foram construídas da noite para o dia, e o mundo pokémon foi revolucionado. Porém, a vida selvagem começou a desaparecer tão rapidamente quanto as civilizações eram construídas. E os 7 outros Kahunas decidiram se reunir novamente para acabar com a ameaça tecnológica que estava por acontecer.
"O Almiense estava sendo tratado como um Deus, e agora tinha um exército de pessoas a seu favor, desmatando e destruindo o ecossistema. E os Kahunas, como haviam passado bastante tempo aprendendo as doutrinas de sacerdote no mosteiro da Ilha, desprezavam este tipo de atitude.
"Assim, foram à praia em uma madrugada para realizar um ritual que mudaria suas vidas para sempre. Pegaram duas pessoas. Um homem e uma mulher homossexuais, algo que era considerado um crime de perversão naquela época. Amarraram-nos em totens e os ofereceram em sacrifício aos deuses. Dizem que os Kahunas comeram seus corações, tripas e todas as suas vísceras. Queimaram-os vivos e então jogaram os restos mortais no mar.
"A oferenda foi bem recebida pelos deuses, que deram poderes aos sete sacerdotes. Para cada um, uma habilidade diferente:
"Para o Kahuna vindo da região agrícola de Kanto, o poder da flora;
"Para o Kahuna vindo da região tradicionalista de Johto, o poder da chama;
"Para o Kahuna vindo da região vulcânica de Hoenn, o poder da terra;
"Para o Kahuna vindo da fria região de Sinnoh, o poder do gelo;
"Para o Kahuna vindo da revolucionária região de Unova, o poder dos novos ares;
"Para o Kahuna vindo de região de dualidades, Kalos, o balanço entre a vida e a morte;
"E para o Kahuna nativo de Alola, a região tropical, o poder das águas.
"Antes de ir embora, no entanto, os deuses deixaram bem claro que quando mais os homens usassem seus poderes, mais fracos eles ficariam fisicamente. Mas eles tinham que
"Com seus novos poderes, os Kahunas se uniram e deram sua energia vital para derrotar e matar a Mega Onda do Almiense. Durante o processo, seus corpos ficaram velhos e reumáticos, mas o poder foi o suficiente para selarem a Soul Heart para que nenhum humano se apossasse de seu poder novamente.
"Com a região fora de perigo, os sacerdotes, agora velhos, acabaram chamando a atenção de um dos guardiões das ilhas maiores. Tapu Koko, o guerreiro elétrico ficou descontente com o sacrifício dos inocentes e condenou os Kahunas a uma terrível maldição, mantendo-os na forma de velhos sob o peso da imortalidade.
— Dizem que é verdade... Eu não posso afirmar nada, mas os 7 Kahunas de Alola batem exatamente na descrição: cada um vem de uma região diferente e todos são decrépitos desde que eu era criança. Em nada mudaram durante esses meus 50 anos. — Afirmou Drad, dando um tapinha sobre sua barriga rechonchuda. — Ah, observem!
Drad apontou para fora da janela e de lá, era possível ver a Ilha Aniuea, com suas enormes montanhas se projetando no fundo da paisagem litorânea.
— É linda. — Admiti, nunca tendo ido às ilhas menores pessoalmente.
— Sejam bem-vindos à Ilha dos Dragões! — Drad anunciou, ancorando o barco.
— O que vocês acham disso? — Perguntou Sun, em um tom não muito casual. — Os Kahunas... Não eram estes sacerdotes que começaram a desaparecer quando os deuses começaram toda aquela catástrofe?
— Muita gente desapareceu naquela catástrofe, Sun. — disse Moon, que então começou a listar. — Teve a Líder de Ginásio, os--
— Eu sei, eu sei! Mas... Você não acha muito estranho tudo isso? Essa história de sacrifício, de meio-ambiente vs tecnologia, de deuses com personalidade, dando poderes e destruindo e tudo mais?
— É estranho. — disse eu. — Mas para o povo de Alola, isso já foi incorporado à nossa cultura. Todos os lendários, os daqui e os estrangeiros, são considerados deidades e cada ilha, seja maior ou menor, tem uma divindade protetora, um guardião. Em toda ilha há também a presença de templos para cultos aos deuses e a presença de festivais especiais de oferenda aos deuses, mas esses sacrifícios de sangue foram substituídos por batalhas pokémon em oferenda aos lendários. — Sun e Moon me observavam com atenção, absorvendo cada palavra do que eu dizia. — Ah, vocês estrangeiros devem achar que somos muito estranhos!
— É, achamos! — Concordou Sun, que então recebeu um cutucão de desaprovação de Moon.
— Eu não me incomodo mais com isso. — disse eu. — Alola é uma região da religião. As pessoas ainda veneram totens e templos antigos, essas inscrições nas paredes e pedras sagradas, sabe...? Essas coisas. Mas eu acredito no que eu vejo!
— Eu também! — disse Sun. — Mas se pensarmos bem, em Unova também tem essas coisas... O Castelo Relíquia debaixo da Rota 04 guarda muitos mistérios, e a Equipe Plasma... Como não chamar aqueles caras de religiosos extremistas?
— Olhando por esse lado, até que somos parecidos. — disse Moon. — É por isso que fazemos parte da América. In God We Trust!
— Alola sempre esteve mais distante do que qualquer outro país da América. — Anunciou uma outra voz, que chegou por trás, dando-me um susto.
— AAAH! Capitão Drad! Não faça mais isso!
— O que? — Ele perguntou, dando mais uma gargalhada e tapinhas na pança. — Escutem, crianças. — Ele se aproximou e começou a falar baixinho. —Eu tenho observado a vocês... São mais inteligentes do que a maioria dos turistas aqui! Eu normalmente não aconselho ninguém a fazer isso, mas se querem descobrir mais sobre as histórias místicas que envolvem a ilha dos dragões, façam a volta na ilha pela praia. Haverá uma construção muito antiga, onde fora o mosteiro dos Kahunas. Muitas coisas se escondem por aquelas paredes, literalmente. E vocês tem o perfil exato para irem até lá.
— O que quer da gente? — Perguntou Moon, desconfiada.
— Quero que aproveitem a viagem. Sei que não se encrencarão indo até lá e sei que são espertos o suficiente para entrar no lugar, além de serem bastante experientes nas batalhas pokémon.
— Ceeerto, e por isso o senhor vai nos instigar a ir em um local... misterioso e provavelmente proibido só para que aproveitemos melhor a nossa viagem, além de estar subjugando a inteligência dos outros que estão viajando neste barco? — Perguntou Sun, com carregada ironia na voz.
— É isso mesmo.
Então o treinador de Unova abriu um sorriso e disse:
— Eu já falei que você é o melhor capitão do mundo, Mestre Drad?

~Moon

— Eu já falei que você é o melhor capitão do mundo, Mestre Drad? — Foi tudo o que Black disse, e graças à ele, estávamos nós três (ele, Jesse e eu) contornando a Ilha dos Dragões pela praia, procurando por alguma coisa com qual não deveríamos estar nos metendo.
— É ali. — disse Jesse, apontando para um estranho aglomerado de pedras coberto pela vegetação. As árvores nesta região eram tão grossas e com galhos tão compridos, que deveriam ter centenas de anos. O limo acumulado e a população de pteridófitas na base sombria e úmida dessas enormes árvores era bastante diversificada.
— Sinto que não deveríamos estar aqui. — disse Black, com um olhar triste que agora eu entendia completamente. Aquelas pedras, aquelas paredes, aquele misterioso templo que jazia ali como marca de um tempo que há muito passou... Tudo aquilo lembrava nossa trágica aventura em Melemele.
— Foi você que inventou de virmos aqui! — Disse, apontando o dedo indicador diretamente contra o peito dele. — Agora nós vamos entrar nessa droga!
E saí, de cara fechada, em direção às aberturas do que um dia fora um mosteiro, ou as ruínas de qualquer outra coisa.

~Jesse
Foi naquele instante que percebi que estava de mãos atadas em meio a uma DR (discussão de relacionamento). Como diz o velho ditado: em briga de marido e mulher, não se mete a colher. E não teria também por que eu me meter, mas ficar no meio de uma situação dessas era terrivelmente constrangedor. Peguei a pokébola de Togedemaru e comecei a fingir um estranho e repentino interesse nela, enquanto adentrávamos nas ruínas sob aquele climão tenso.
— Como é escuro aqui dentro... — Por fim disse Moon. Não sei se ela percebeu meu constrangimento ou se estava tentando quebrar o gelo mesmo. — Jesse, você não tem nenhum pokémon que possa nos ajudar a enxergar melhor?
— T-tenho. — disse eu, trocando a pokébola de Togedemaru pela de meu outro parceiro. — Growlithe, vaaai!
— Grooow! — O pokémon filhote sai da pokébola e imediatamente veio pra perto de mim, lambendo e pulando em minhas pernas, feliz por ter sido escolhido.
Moon ficou o encarando por alguns segundos, como se ele a fizesse se lembrar de outro pokémon ou de uma pessoa. E o clima esfriou de novo.
— Ahn... Growlithe, tem como você nos ajudar aqui? Precisamos de luz!
— Grow!
Mas Growlithe continuou pulando em mim, querendo carinho e atenção. Passei a mão em sua cabeça felpuda e ele se contentou.
— Agora não, amigão. Precisamos de luz! Luz!
E só então ele pareceu entender o que estávamos pedindo. Growlithe abriu a boca e emitiu um jato de fogo na direção interior das ruínas e iluminou a passagem.
Quando o jato se extinguiu, tudo voltou à escuridão, porém, já tínhamos uma boa visão do que estava pela frente. E assim, seguimos pela passagem cheia musgos e fungos, com Growlithe soprando constantemente para que pudéssemos ver aonde estávamos indo.
— O que tem de especial aqui? — Perguntou Sun, que apalpava nos tijolos antiquíssimos, em busca de uma passagem secreta ou algo do tipo que só se vê em filmes.
— Nada. O que é muito estranho. — Disse Moon, indicando com o dedo o chão por onde pisávamos.
Aparentemente, não havia nada demais ali. Eram só ruínas. Não havia nenhuma mobília velha, nem pichações ou rastro de pessoas, coisas como lixo e embalagens plásticas. Nada. Era um templo bastante preservado, e isso só podia indicar que havia alguém cuidando.
— Vocês ouviram isso? — Pergunto, ao escutar um ruído muito distante e abafado.
— Tem alguém vindo aí. — Sussurrou Moon.
Tudo aconteceu muito rápido. Nos enfiamos para trás de pedras, no que eu disse baixinho "Growlithe, apague as luzes". O escuro se instaurou e o barulho rouco, como um ronronar felino ficava cada vez mais alto. Alguma coisa arfava e pisava pesadamente contra o chão, fazendo um barulho de esmagamento a cada passo.
— Está próximo. — Falou Sun.
Uma respiração ofegante e bastante audível se fez presente e mais alguns passos foram dados, até que o silêncio recaiu sobre nós.
— Será que ele... Se foi? — Perguntou Moon, com a voz vacilando de medo.
— Vamos esperar. — Disse Sun de forma quase inaudível.
Então, senti Growlithe escapar de meus braços.
— ESPERE! Growlithe, aonde você vai!? — Disse eu, um pouco mais alto, já ouvindo o rosnar de meu pokémon.
Levantei-me, esperando que não tivesse atraído a atenção de ninguém indesejável e então, o jato de fogo voou pelas paredes, iluminando a sala, no que todo mundo gritou desesperadamente:
— AAAAAAAHHHH!

Continua...

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