quinta-feira, 27 de julho de 2017

Capítulo 05: A Ilha dos Dragões (3ª Parte)



~Sun
— Peraí! Já não passamos por aquela árvore ali antes? — Perguntei, ao lembrar de já ter visto aquela raiz contorcida.
— Ah, não. — White deu um tapa com força na própria testa, a ira lhe subindo à cabeça.
— Estamos perdidos. — Afirmou Jesse, com a mão sobre o estômago. Estávamos famintos, ensopados, morrendo de frio e cheio de picadas de inseto. Pra piorar, apenas seguir pela costa estava fora de cogitação. Tínhamos de nos enfiar no meio do mato, ou White nos mataria.
— Tudo o que temos que fazer é escutar o barulho do mar. — disse eu, pois se seguíssemos pela praia, pela lógica, refaríamos o caminho em dois toques.
— Não, vocês não vão escutar NADA! — disse White em um tom ameaçador.
O que aconteceu lá na praia... Eu... não me lembro direito, estava tudo nublado, tão confuso. Mas eu sabia que Jesse e eu havíamos feito alguma coisa muito errada. Era quase como se eu sentisse uma presença feminina nos afastando de White. E se foi mesmo isso o que aconteceu, isso explica a fúria dela.
Nós não tínhamos tempo pra ficar brigando. Aquilo só nos atrasaria, mas eu senti que a raiva de White só aumentava a cada passo. Pra piorar, o céu começou a perder o tom de laranja e rosa que pincela o pôr-do-sol, e uma fina névoa começou a subir. O cosmos enegreceu de forma rápida e concisa, quase como se algum pokémon estivesse aprontando aquilo.
Então lembrei-me das palavras de Drad ao ver uma montanha erguendo-se bem à nossa frente.
Se havia um momento inoportuno para se perder, este momento era esse. A dança dos Dragões se iniciou com um estrondo. À princípio, era muito lindo. Uma explosão de fogos de artifício, preenchendo o céu chuvoso, mas então, tudo mudou drasticamente. Com o início da tormenta, meteoros começaram a rasgar o ar e a colidir com a terra, formando uma catástrofe atrás da outra, exatamente como vinha acontecendo nas ilhas maiores de Alola.
Corremos para nos protegermos, mas a chuva piorou. Coisas começaram a despencar de tudo quanto era direção. Rajadas de energia, estrelas, lâminas e explosões. Por mais bonito que aquele fenômeno fosse, era uma maldição que a Ilha dos Dragões iria carregar. Para sempre.
— Gente, o que é aquilo? — Jesse perguntou, quando enormes pedras envoltas por energia despencavam a uma velocidade inigualável.
— É... Draco Meteor! — Disse eu, identificando o ataque que descia em nossa direção.
— CORRE! — Gritou Jesse, mas não era preciso. Saímos em disparada em direção à mata densa, que ficava mais fechada a cada passo que dávamos.
— Por aqui, por aqui! — Berrou White, puxando-nos por um caminho estreito, a chuva nos ensopando e fazendo com que as folhas colassem em nossa pele.
— Vamos para aquela gruta! — Sugeriu Jesse. E foi o que fizemos. Nunca corremos tão rápido. A cada passo, a gruta parecia maior, mas ao mesmo tempo, o desespero aumentava. Era como se algo nos perseguisse. Algo vindo do céu.
Ao atingirmos o pé da gruta, uma árvore caiu atrás de nós, e quando olhei para cima,  um frio percorreu minha barriga.
A tempestade de raios começou tão rápido que mal tivemos chances de nos abrigarmos. Por sorte, achamos aquela gruta. Lá dentro era quente, seco e seguro. Mas eu tinha medo do que poderia acontecer. As nuvens no céu eram negras e espessas e pareciam fundir com a fumaça e a poluição emitidas na terra. Fogo misturava-se à luz e o barulho era terrivelmente alto. Parecia que aquela caverna iria se partir em duas a qualquer instante.
— Black! — White me chamou, mas eu não conseguia parar de prestar atenção na desgraça que nos cercava. — BLACK!
— O que foi? — Perguntei rispidamente, puxando meu braço com força.
— Parece que temos companhia! — Anunciou White.
— Mas o que-- AAAH!
Uma criatura enorme, de características únicas se encontrava encolhida no fundo da gruta. Apesar de seu tamanho enorme e traços esquisitos, não aparentava ser hostil, tanto que Jesse começou a lhe fazer carinho embaixo do queixo.
— Que... Que pokémon é esse? — Perguntei.
— É exatamente o que quero saber! — disse White, aproximando-se do dócil dragão. — Chame Rotom!
— C-Certo! — Peguei a pokédex, que se encontrava imóvel dentro de meu bolso.
— Já acabou? — Perguntou a voz de criança, com uma terrível entonação de medo.
— Eu não sabia que máquinas ficavam com medo! — disse Black.
— Eu já disse que pessoas burras não sabem das coisas! — Retrucou Rotom. — A propósito, a tempestade de raios é prejudicial a aparelhos eletrônicos, por isso a cidade foi projetada fora do alcance da Dança dos Dragões! E se não engano, era lá que vocês deveriam est--
— Ah, CALA A BOCA!
Apertei a boca de Rotom com a mão, para que não falasse mais abobrinha.
— Preciso das informações daquele pokémon. — disse eu, apontando para a criatura que agora se derretia com os carinhos de White e Jesse.
— Ampgofdingduusn — Rotom não conseguia falar com minha mão em sua boca. — Ufa, bem melhor. — Exclamou, quando o deixei falar novamente. — Aquele é Drampa, um Dragão das Montanhas. Eles vivem sozinhos nas montanhas, 10 000 acima do nível do mar. Uma vez que a esta altitude não conseguem obter as frutas de que se alimentam, descem até à base das montanhas todos os dias ao amanhecer. 
— Mas por que este Drampa está aqui? Já passou das 6 horas! — Perguntou White. O braço dela tremia enquanto passava a mão pelo pelo sedoso e limpinho do pokémon. Então percebi que estava chorando. De medo.
— Será que ele é treinado? — Perguntou Jesse, que não percebera a situação.
— Temos que tirá-lo daqui. Ele está correndo perigo. — White disse imediatamente, enxugando as lágrimas no rosto com os pulsos enquanto fungava o nariz.
— É verdade. Os pokémon do tipo dragão são fortes e fracos contra seu próprio tipo. Eles são fortes no ataque e fracos na defesa, o que quer dizer que a dança pode ferir este Drampa e qualquer outro dragão da ilha gravemente! — Complementei o assunto, para que White não caísse no choro outra vez.
— Mas o que vamos fazer? — Perguntou Jesse. — Não tem como a gente sair daqui.
— Mas nós vamos sair daqui. — disse White. — Logo depois que eu capturá-lo! — White se levantou e engoliu o choro. Ela pegou uma pokébola e lançou ao alto, trazendo à tona Gas, o recém-evoluído Haunter.
— Hón!
— Moon, não é hora pra isso! — disse Jesse firmemente.
— É claro que é! E vamos deixá-lo aqui? Haunter, use o Shadow Ball! — Ordenou White, rapidamente, antes que o assunto se prolongasse e Jessie se calou.
Das mãos do fantasma púrpuro, surgiu uma bola de energia das trevas, rodeada por raios negros que eram tão escuros quanto a mais profunda das sombras.
Ele lançou a esfera e, quando Jesse e eu erguemos os braços para nos protegermos da explosão causada pelo golpe, ficamos esperando. Nada aconteceu. A esfera foi absorvida pelos pelos espessos de Drampa.
— O que é isso? — Perguntei, sem entender.
— Drampa é do tipo Normal e Dragão. — Explanou Rotom. — Todo mundo sabe disso!
— Todo mundo de Alola. Eu sou de Unova. — Me expliquei.
— Não dê desculpas por ter faltado à aula! Você e sua namorada se conhecem a bastante tempo, não é mesmo? — Soltou Rotom.
— O que é que você está insinuando?!
— Black, não se estressa com ele! — disse Jesse, me acalmando. — Vamos prestar atenção na luta!
— Certo!
— Haunter, Hypnosis!
As mãos de Haunter começaram a se mover magicamente, enquanto seus olhos brilhavam, emitindo uma onda hipnotizante que flutuou pela caverna...
— Draaaam...
Mas Drampa apenas boceja, produzindo e disparando uma bola de energia vibrante da cor verde, que logo identifiquei como Dragon Pulse.
A esfera atingiu Haunter e explodiu em uma luz verde que fez a todos caírem. O impacto atraiu mais raios, e a entrada da gruta tornou-se inacessível.
— Haunter, muito obrigada! Volte! — White fez com que Haunter retornasse à pokébola e já puxou mais outra para substituí-lo. — Vaai, Bill!
O Psyduck recém-capturado saiu de sua pokébola sonolento, mas estreitou o olhar quando visualizou seu oponente.
E lá vinha Drampa, armazenando uma grande quantidade de energia roxa em frente à sua face, e depois expelindo essa energia em um fino raio de energia, que avançou rapidamente na direção do pato.

— Psychic! — Ordenou White. E os olhos de Psyduck brilharam em um tom azul magnífico. Eu conhecia aquela estratégia. Era a mesma que eu usava com meu Reuniclus e a mesma que White costumava usar com sua Gothitelle lá em Unova.
O ataque de Drampa parou de avançar no meio do ar e então contornou, voltando-se contra seu próprio usuário.
Drampa gemeu ao receber a carga de energia super efetivo ao mesmo tempo em que as vibrações psíquicas de Psyduck o prendiam, ganhando dano duplo.
— Está quase lá! — Comemorou White, ao perceber a redução da energia do oponente. Mas então...
Um brilho alaranjado tomou conta de Drampa, e a este mudou radicalmente de personalidade. O pokémon dócil e carinhoso que há poucos minutos deixava os humanos o acariciarem tornou-se um ser de pura raiva, pronto para explodir qualquer um que entrasse em seu caminho.
— O que é isso? Ele mudou tão de repente!
— Berserk! — Informou Rotom. — A Habilidade de Drampa que se ativa quando ele atinge a metade de seu HP total. Quando isso acontece, Drampa solta sua fúria, aumentando seu Special Attack!
— E só agora que você avisa? — Disse White, em um irônico, enquanto Drampa rugia e soltava energia pelas narinas.
— Como assim?! Todo mundo sabe disso!!! — disse Rotom com aquela risadinha sarcástica.
— TODO MUNDO DE ALOLA, CARAMBA! — Gritei, pressionando o botão de desligar do maldito boneco.
Então, muito rapidamente, uma rajada pastosa amarela, da cor do mel, mas com uma luz própria que lembrava o magma, brotou da boca de Drampa. O Hyper Beam avançou tão rápido que Psyduck não teve tempo de se desviar e acabou sendo atingido por uma explosão de fogo.
— Psyduck! — White gritou e foi até seu pokémon, tentando acordá-lo.
— A Habilidade de Drampa aumentou a potência do ataque! — Constatou Jesse.
— Não podemos deixar que ele vença! Psyduck, use o Surf!
Uma onda de água salgada brotou dos pés de Psyduck, e este avançou pra cima de Drampa, engolindo o dragão com a força marítima.
— YES!
— Vai, White! — Gritei, sem nem prestar atenção no que eu havia dito.
Drampa escorregou pela caverna, mas um brilho atingiu seu corpo. Ele tentou se mexer, mas gemeu de dor. Não conseguia. Estava imobilizado devido ao uso do Hyper Beam? Era, era alguma coisa a mais.
— Aquele Dragon Breath! — Exclamou Jesse. — Paralisou Drampa quando o atingiu!
— Então dá tempo de mais uma coisinha: Fury Swipes!
As garras de Psyduck se energizaram e o pato acertou diversos cortes em Drampa, reduzindo seu HP ao vermelho...
— Pokébola Sombria, vaaai!
White jogou uma pokébola que aumenta as chances de pegar o pokémon durante a noite ou em cavernas. Assim, ela rapidamente se fechou em torno de Drampa e concluiu a captura rápida e efetivamente.
— YEAH! O Drampa... É MEU!
— Parabéns, White! — Corri até ela e a abracei rapidamente. Era em momentos assim que costumávamos fazer as pazes.
— Vocês se chamam de White e Black... — disse Jesse de repente, e aquilo foi um soco em nossos estômagos. Nós nem percebemos, mas não estávamos mais atuando, e agora Jesse sabia a verdade.
— Cara... — Eu comecei a enrolar uma desculpa, mas White me interrompeu.
Ela pegou uma foto nossa antiga (toda úmida por causa do banho no mar) e disse, na lata:
— Esses são nossos nomes. Bem, mas ou menos... Eu sou Hilda Black, mas todos me chamam de White, meu nome de solteira. E este é meu marido, Hil--
— HILBERT BLACK!?! Não pode ser! — Jesse deu um grito. — E-eu batalhei contra Hilbert Black, o Campeão da Liga Unova! Cara, eu vi que eu te conhecia de algum lugar, mas não sabia de onde!
— É, mas não conta pra ninguém. — Adverti.
— Tá brincando?! Wiki e Maron precisam saber dis--
— Não! Eu NÃO estou brincando. Nós estamos aqui disfarçados e em missão. Bem, estávamos, até que tudo estabilizou.
— Missão? — Ele fez cara de desentendido.
— É — Explicou White. — Os deuses, digo, os pokémon lendários têm causado muita destruição em Alola. O poder deles é tão grande que são capazes de formar exércitos sob sua influ-- Espera aí! BLACK! Os desenhos!
— Desenhos? Que desenhos?
White abriu a pokédex de Unova e me mostrou uma foto de desenhos esculpidos na parede do mosteiro.
— Os deuses! Eles são deuses! — Ela disse. — É isso!
— Isso o que? — Jesse e eu ficamos sem entender.
— Os desenhos do mosteiro dos antigos Kahunas! Eles diziam que o 8º Kahuna, o cara de Almia, ele queria o poder dos deuses! Capturou os 4 guardiões das ilhas maiores para obter um novo poder e controlava pokémons com um cajado. Ele queria, assim como Solgaleo e Lunala, formar exércitos. Mas enquanto o exército dos deuses era formado por pessoas submissas, o exército do homem era formado por pokémons! Ele queria inverter a situação! Ele queria que os humanos dominassem os deuses!
— E para impedir isso, os 7 Kahunas restantes se uniram à Solgaleo e Lunala, que de bom grado, lhes deram poderes!
— É claro! — Continuou White. — Porque esta era uma guerra contra eles mesmos! Contra Solgaleo e Lunala! E é por isso que eles estão destruindo tudo agora!
— Você não acha que...
— Sim. — White confirmou minhas suspeitas. — Aquelas pessoas lá na caverna de Melemele! Eles queriam o poder dos guardiões para superar o poder de Solgaleo e Lunala! Eles queriam o poder! O PODER! E foi por isso que os lendários começaram a destruir tudo! Para se manterem "no trono"!
— Então o oitavo Kahuna queria dominar o planeta... — Assimilei. — E os outros Kahunas, quando perceberam que o outro estava indo longe demais, ainda mais depois de ter roubado a "tecnologia" misteriosa Soul Heart... Se uniram à oposição para dar um basta nisso! E graças à eles, Solgaleo e Lunala se mantêm reinando até hoje, sendo obrigados a agir quando novas ameaças surgem... Novas ameaças como... AQUELAS PESSOAS DA CAVERNA! Sim! White, você tem razão!
— Ok, mas tem uma coisa que não encaixa. — disse Jesse, que pegou a pokédex para ver as fotos dos desenhos. — O que a região de Almia (lá na puta que pariu) tem a ver com isso? Ela esta desenhada aqui.
— O 8º Kahuna era de lá, até onde sabemos.
— E as pessoas de preto no desenho, provavelmente também vêm dessa região. Não vê, Black? Está tudo se encaixando! As pessoas em Melemele... Usavam preto, o que quer dizer que elas têm alguma ligação com os desenhos de preto e talvez até com Almia! Talvez elas sejam descendentes do 8º ou talvez descendentes de quem quer que tenha feito os desenhos! Ou talvez pessoas alheias que simplesmente descobriram isso e agora querem continuar o que o oitavo queria! Por isso estão seguindo esse mesmo plano! E esse símbolo... — disse White, indicando a espiral púrpura com chifres. — Preciso descobrir o que este símbolo significa!
— Ah, isto? Isso é fácil! É a Insígnia entregue por Caitlin Hall! — Afirmou Jesse. — Mas eu não sabia que o símbolo era tão antigo assim para estar representado nesses desenhos!
— Será que ela...? — Perguntei, com uma sensação estranha de descoberta inundando o meu peito.
— Não sei. — disse White, um tanto insegura. — Não podemos afirmar nada. Mas uma coisa é certa: esse caso ainda não acabou! E pelo visto... Está longe de acabar!
— Precisamos voltar para as Ilhas Maiores! — disse eu, tendo uma súbita vontade de investigar mais a fundo o misterioso sumiço de Caitlin e dos 7 Kahunas restantes.
— Mas como? Como vamos sair desa caverna, pra início de conversa? — Perguntou White, enquanto a torrencial tempestade elétrica mantinha-se à todo vapor do lado de fora da gruta.
— Bom, tem um jeito. Mas nós somos 3 e é muito arriscado. Eu... Nunca fiz isso antes!
— Fala, qual é? — Perguntei, desesperado para voltar ao navio.
— Bem... Togedemaru pode absorver a eletricidade e...
— É ISSO! — Aquilo me pareceu genial — Como não pensamos nisso antes?
— Mas, senhor Black... É... Perigoso! É muito perigoso! — Advertiu Jesse.
— Quem não chuta, não marca. — Afirmei, retirando a pokébola da mão dele e trazendo Togedemaru para fora.
— TOGE?!
— Seja o que Arceus... Ou melhor... O que os Deuses quiserem. — E saímos em meio à dança, confiando nossas vidas e nossa segurança a um único e minúsculo para-raio.

Continua...

Pokémon Sol & Lua: A Missão – Publicado originalmente em Julho de 2016 sob o título "SL Adventures". – A cópia, venda ou redistribuição desse material é totalmente proibida. Pokémon e todos os respectivos nomes aqui contidos pertencem à Nintendo.

Ao escrever a fanfic, os autores não estão recebendo absolutamente nada, ou seja, esta é uma produção artística sem absolutamente nenhum fim lucrativo. A fanfic foi projetada apenas como uma forma de diversão, de entretenimento e passatempo para outros fãs de Pokémon. ~



Capítulo escrito por #Kevin_

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