quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Capítulo 08: Grandson

~Sun

Quando os tiras chegaram, eles já haviam partido. Marlon Shizui, assim que me reconheceu, até cogitou a possibilidade de partirmos atrás dos mal-feitores, mas o impedi de fazer isso. Se os pegássemos agora, nunca saberíamos do paradeiro de Solgaleo e sabe-se lá mais quantos lendários sob o controle deles. Além disso, desconhecíamos sua quantidade. Quantas pessoas mais poderiam estar envolvidas? E o povo? O que diríamos a eles? Ou melhor... Com aquela quantidade de gente que assistiu a tudo isso, o que faríamos? Não podíamos simplesmente despejar a verdade para os cidadãos. Aquilo teria que ser resolvido "em particular", e os policiais devem estar do nossos lado que queremos que tudo isso acabe. E agora que começamos... Não vamos parar até ver o final dessa história...


Traduz-se "Grandson" por "Neto"

~Sun

Seis da manhã. Havia pelo menos umas 30 pessoas sendo interrogadas pelos tiras no templo sem teto. Marlon, Phoebe (Fala, sério. Aquela moça que batalhava contra Marlon era... da Elite 4 de Hoenn? Como é que ninguém me falou isso?), White e eu ficamos por último. Éramos autoridades e depois de nossa "ação", estávamos muito envolvidos nesta história. White adormeceu em uma cadeira enquanto esperávamos para prestar depoimento e eu fui até uma casa vizinha pedir um cobertor emprestado para tapá-la.
— Podemos ajudar de alguma forma? — Perguntou Shizui pela trigésima vez.
— Marlon... — Respirei profundamente. Não me lembro a última vez em que consegui dormir. E sinceramente, depois do que vi acontecer, eu estava com receio de deixar White sozinha. — Se você quer ajudar... Precisamos de informações. Só assim conseguiremos pegá-los.
— Que tipo de informações? — Perguntou Phoebe.
— Tudo. Basicamente. Não sabemos muita coisa sobre eles. Sabemos o que eles querem, mas não quem são.
— Ok, então o mais difícil vocês já descobriram. — disse Shizui.
— É. Por aí.
— O que vocês farão? — Perguntou Phoebe.
— Como eu disse, é importante conversarmos com a polícia. E precisamos descobrir qual a relação que essa gente tem com a região de Almia.
— Almia? Onde fica isso? — Gozou Phoebe, referindo-se à impopularidade da região.
— Por que Almia? — Pergunta Shizui. — É uma região tão distante. E lá não tem Liga Pokémon ainda... Ou já criaram?
— Não sei, mas pelo que sabemos, Almia é parecida com Alola. — Respondi. — Ela é uma região de Ilhas, tropical, com região desértica, vulcão, uma cadeia de montanhas e até mesmo neves eternas. Há vários microclimas lá.
— Mas isso não justifica. — Observou Phoebe.
— Não, claro que não. Mas sabemos que algo tem lá. Tudo começou com o 8º kahuna, que são os sacerdotes da Alo--
— Sabemos o que é um Kahuna! — Exclamaram Shizui e Phoebe ao mesmo tempo.
— Enfim, esse Kahuna era de lá. E parece que junto com ele, veio uma organização secreta, uma vertente, uma veia dessa região... É... Uma coisa que eu não sei explicar. Não consigo entender. Quem é essa gente? Qual é a sua linguagem? O que eles pretendem?
— Talvez vocês devessem ir até lá! — Sugeriu Shizui.
— E deixar que eles tomem conta de Alola enquanto isso?
— É, tem razão. Existem maneiras mais fáceis de procurar. Que tal o Booble?
— Eu já comecei minhas pesquisas virtuais, mas não tenho encontrado muita coisa. Mas talvez nos softwares da polícia...
A ideia pareceu surgiu em mim naquele exato momento. Era assim que descobriríamos mais sobre esses criminosos.
— Mas mudando de assunto — Continuou Shizui, percebendo que eu havia me calado — O que vocês farão hoje a tarde? Podem ir para nossa casa, se quiserem.
— Eu adoraria, Marlon. Preciso descansar. Ah, aí vem o policial.
Detetive Pawssum se aproximou e estendeu a mão, cumprimentando-me. Ele era gordo, mas sua pança estava prensada dentro de uma camiseta social azul de manga curta. Seu rosto era ocultado por um bigodão tamanho família, tão preto quanto piche. Usava óculos de sol à la anos 80 e uma boina preta. E por mais que estivesse motherfucking quente, ele usava calças e sapatos sociais limpíssimos de bico quadrado. Imediatamente, ele pediu para que eu me afastasse e concordei: Tínhamos muito o que conversar.

~Moon

Acordei em uma cama quentinha e fofinha, tapada por um lençol macio e uma manta super soft com estampa de Liepard. Onde eu estava? Eu não sabia, mas me senti acolhida. Sentei-me, ainda tapada pelas cobertas, esfreguei os olhos e então uma sensação de choque de realidade me acometeu. Tudo o que acontecera ontem... Jesse morto. Filho de Caitlin. Espião. Depois de tudo o que passamos na Ilha dos Dragões...
E Lunala. Ele havia conseguido se safar do esquadrão homicida com aquele poder mental, aquela feitiçaria... Eu ainda estava me sentindo meio tonta, ainda ébria com o que tinha acontecido comigo. Na hora, eu tentava mexer meu próprio corpo, falar minhas próprias palavras, mas eu não conseguia. Havia uma parede que me impedia de fazer coisas simples como respirar por conta própria. E então, essa parede se anulou, e a presença maligna desapareceu de minha mente. Quando vi, um pai e um filho estavam passando pela mesma sensação logo ali á frente, e então uma senhora, um cara fantasiado de totem, um adolescente e enfim... Todos estavam sob o controle da Lua.
E fazer parte daquilo, era assustador pra caramba. O que tinha acontecido era surreal, era desumano. Era... Era divino. Certa parte de mim concordava com os planos daquela gangue. Esses deuses não são flor que se cheire. E nunca foram.
Mas isso também não justificava aqueles crimes todos. Mas espera aí... Que crime? Prender pokémons lendários é crime em algumas regiões, mas se bem me recordo, não em Alola. Bom, talvez andar armado em um evento como o festival de graças ou atirar contra pokémons... Sim, atirar contra qualquer ser vivo é um crime.
Oh, graças a Arceus. Eu já estava até concordando com aqueles canalhas. Não. Não, Hilda. Não duvide de si mesma. Não. Você é melhor do que isso. Por mais que os deuses sejam uns idiotas, especialmente Lunala por penetrar na mente dos outros e tomar posse das mesmas, eles só estão revoltados porque estes humanos começaram essa confusão toda.
Estava na hora de tomar minhas pílulas. Arceus. Onde estavam as minhas coisas? Minha bolsa? Será que havia ficado no barco de Drad? Não, eu me lembro de estar com ela lá no templo...
Levantei-me toda dura da cama ao qual não estava acostumada. Andei pela casa. Era muito simples, mas ao mesmo tempo, muito caprichosa. Senti um cheirinho de malasada e segui na mesma direção. Cheguei à cozinha, onde encontrei uma senhora de idade com cabelo muito comprido preso em um coque, a pele tostada do sol Aloiano. Deveria ter 1,40 m de altura e uns 150 kg. Mais ou menos nessas proporções. Usava uma camiseta lisa, branca e um saião que arrastava no chão, sumindo com seus pés, o que a deixava menor ainda. Cozinhava distraidamente, dançando e rebolando ao som de "Bruno Marte - Uivando com a Lua".
— C-com licença. — disse eu. — O-onde... Onde eu estou?
Ela se virou, levando um susto. Seu rosto tinha traços severos e os peitos eram tão grandes que estavam próximos ao umbigo. Ainda bem que eu não era de rir da desgraça dos outros.
— Seja bem-vinda! — A voz dela era fininha como a de um ratinho. Ela sorriu e então provou o caldo do arroz na panela, usando uma longa colher metálica. — Meu nome é Aquamarine. Sou a mãe do Marlon!
Aquamarine? Agora eu entendia de onde vinha o nome MARlon e sua especialidade em tipos Água.
— Prazer. Eu sou... Moon.
— Ora, não precisa mais disso, querida! — disse-me a velha senhora. — Marlon me disse quem você é. É Cuzilda White, a namorada do Black, o Campeão de Unova!
"Hilda", corrigi automaticamente em minha cabeça. E tecnicamente, eu era mais do que só a "namorada" do Campeão de Unova. Eu. Era. Muito. Mais. Do. Que. Uma. Sombra. Do. Black. Mas eu não entraria em detalhes, desde que não me chamasse de Cuzilda de novo.
— Olha... Por que você não se senta e espera, Porrilda? Marlon e seu namorado estão resolvendo algumas coisinhas. Phoebe quer falar com você.
PORRILDA?! Oi? Só faltava me chamar de Bucetilda agora pra coleção ficar completa.
Mas peraí. A Phoebe queria falar comigo. Por quê?
— Onde ela está? — Perguntei, sentindo agora o bafo de quem se acorda e não se escova. (Eu precisava consertar aquilo).
— Ora, lá no pátio, minha querida!
Ela provou mais um pouco da comida. E quando eu digo um pouco, eu quero dizer MUITO.
— Ahn... Por onde eu saio?
Perguntei, toda perdida naquela casa. Eu não lembrava como eu tinha chegado ali, mas o Black provavelmente tinha me trazido.
— Ah. É só dobrar à esquerda, na primeira porta, Penilda.
Ah não. Aí já era demais. Penilda? Puxa, o que que eu fiz pra merecer?
— Me chame apenas de White. — Pedi, antes de sair.

Do lado de fora, Phoebe batalha com dois pokémon em uma arena pokémon improvisada na areia. Era na verdade, um espaço delimitado por um risco na terra, feito à mão com um pauzinho. O pátio dava para uma rua, mas não havia ninguém passando. Dentro do retângulo desenhado, estava o já conhecido Mimikyu, cada vez mais esbodegado.
Do outro lado, uma criatura roxa com um sorriso maligno estampado no rosto flutuava alegremente, sem nenhum arranhão. Ao que aparentava, tinha vencido aquela batalha.
— Phoebe? — Chamei.
— Ah. Oi, White. Tem alguém aqui que você precisa conhecer. Espero que me perdoe, mas não resisto a um tipo fantasma. Peguei o seu Haunter enquanto você dormia, fiz uma troca por Mimikyu, destroquei e então...
— Não?! SÉRIO? — Olhei para aquele enorme Gengar me encarando. Era Haunter. O MEU Haunter.
— Me desculpe pela liberdade, mas sem uma troca, ele nunca atingiria o último estágio evolutivo!
— Ah, eu... Obrigada. Na verdade, eu não tenho como agradecer.
O que eu queria dizer de verdade era: "Que libertina essa mulher, cheia de ousadia, toda arriçada pegando o pokémon dos outros", mas fiquei quieta. Era melhor um Gengar do que um Haunter, afinal.
— Ora, não precisa! Digamos que foi um presentinho meu. — Phoebe sorriu, mas eu não estava com disposição para retribuir a gentileza. Ainda mais depois de me chamarem "Cuzilda". Posso ser bem realista? Eu queria era estar lá pra provar aquela comida pra saber se estava "Cuzilda"! Meu estômago estava roncando.
Phoebe então continuou:
— Sabe, Gengar pode evoluir ainda mais. Mas pra isso, ele precisa de uma pedra chamada Gengarite. Eu não sei se tem dessas pedras em Alola. Elas são muito raras, mas eu encontrei uma em Hoenn outro dia. Eu posso te dar, se você quiser. Não me é útil, uma vez que eu não tenho um Gengar, tampouco estou perto de conseguir um.
— Quanta gentileza! — Eu disse, desconfiando de tamanha bondade.
— Alohaaa! Estamos em Alola! — disse ela, pegando alguma coisa no canteiro da casa, que não pude identificar o que era. — É nossa cultura ser cordial. Mas afinal, você vai querer a pedra ou não?
— Você quer, Gengar? — Perguntei ao meu pokémon. Ele fez que sim com a cabeça, feliz por poder evoluir mais e mais.
— Então sim.
— Ótimo! — Phoebe se aproximou e colocou ao redor de meu pescoço um colar de hibiscos de verdade, cor rosa choque. Era nisso que ela estava mexendo. — Eu parto de volta a Hoenn Poakahi.
— Poa o que?
Poakahi. Segunda-feira.
— Ah ta.
— Eu posso te mandar a pedra nos cargueiros. Não me custará nada (o que esses capitães não fazem pra ver os nossos seios).
— Ah, eu agradeço, mas não me envolvo com prostituição. — Eu disse em um tom mais humorado.
— Não seja boba. Daqui a uma semana, você já vai estar com sua Gengarite pronta para por no Gengar!
— Mahalo nui lua! — fiz uma saudação em agradecimento.
— Mahalo nui loa! — Ela corrigiu e deu uma gargalhada.
— Onde está o Black? — Perguntei, querendo única e exclusivamente o meu marido.
— Ele e Marlon foram à delegacia. Foram para lá depois de te deixar aqui. Disseram alguma coisa sobre pesquisa.
— Ah, eu entendo. Acho que... Acho que vou atrás dele. Pode me dizer onde fica a deleg--
— Ora ora! Se não é a "Moon"! — Uma terceira voz se intrometeu em nossa conversa. Rapidamente, ao reconhecer aquele timbre, me virei, dano de cara com ninguém mais ninguém menos que ECLIPSE! Ele vinha da rua, com uma mão no bolso e a outra acenando.
— Ou devo dizer... "White"?
Gelei. Ele sabia.
— Acharam que eu era burro? Por que não me contaram?
— Contaram o que? — Me fiz de sonsa.
— Não sou idiota. Você é Hilda White. E o Sun é Hilbert Black! Vocês vieram pra investigar, por isso o seu "turismo" em plena catástrofe.
Não tinha como negar.
— Estávamos (e ainda estamos) disfarçados. Como você descobriu isso?
— Liguei os pontinhos. E faz muito sentido. Por que vocês tem a prioridade de Kukui? Por que apareceram justo em tempos tão ruins? Por que você estava naquela caverna quando tudo aconteceu? Eu fui atrás e... Bingo! Muita gente diz visto você chamar Sun de Black. E ele chamar você de White. E adivinhem só: o casal mais famoso das Américas: Black e White? Ah, e não é o seu esposo que é famoso pelos disfarces? Ah, pois é. Que coincidência. Acho que estou enganado.
Cobicei de virar as costas e dizer "Poupe-me", mas resolvi ficar calada.
— Você é esperto. — Disse Phoebe. — Mas, White... Não sei se seu disfarce cola mais. Muita gente viu o que aconteceu ontem à noite e vai ser questão de horas até todos os jornais estamparem o seu nome. Digo, o verdadeiro nome.
— É, tem razão. Acho que... Pisamos na bola.
— Não, vocês não pisaram. — Me animou Phoebe. — Vocês conseguiram adivinhar o local de ataque de Caitlin e interviram no momento exato. Saiu como o planejado? Não, mas mesmo assim... Vocês são ótimos detetives e além do mais, isso demonstra que a região de Unova está preocupada com Alola. Isso tranquiliza as pessoas. Eles sabem que não estão sós.
— O que eu temo é que mais gente tenha descoberto isso. — disse Eclipse. — Gente muito má.
— O que você sabe sobre Caitlin Hall e seus capangas? — Despejei, sem me segurar.
— Eu? Nada. — Respondeu o garoto com um olhar ardiloso e um sorriso obscuro que dizia "eu sei que você sabe quem eu sou, mas isso só torna as coisas mais divertidas".
— Nada, é? Você é muito suspeito também. Sabe de coisas que não sabemos. Conheceu Lillie e tiveram uma conversa muito estranha aquela vez... E como veio parar aqui? Como você "ligou os pontinhos"? Você estava NOS investigando?
Eu riu com aquele ar sombrio e debochado e então disse:
— Tenho que admitir que vocês são bastante estranhos. Mas eu... Ah... Se você está mesmo desconfiando de mim, "Moon" querida... Me derrote em uma batalha. Vamos. Prove o que quer que você esteja tentando provar sem nenhuma prova concreta. Eu quero só ver. Vamos. Me Derrote. Quero ver.
Eu ia pedir desculpas, mas era tarde. Eclipse já tinha lançado uma pokébola bem alto, revelando uma criatura flutuante de dentro dela.
Comfey — o pokémon colar de flores, extremamente semelhante ao anel de Hibiscos que Phoebe fez pra mim — girou 360º no ar, em vertical e voltou à e posição original. Ele era pequenino e perfumado. Não parecia ser um oponente difícil.
— Então eu escolho... Bruce! Vai!
Bruxish saiu exuberante de sua pokébola, os dentes à mostra. Aquilo terminaria rapidinho, rapidinho... Como eu estava enganada...

~Sun

Meio-dia. minha cabeça latejava, mas aquelas informações eram preciosas demais pra se jogar fora. Detetive Pawssum estabeleceu contato via videofone com a Ranger Union, a equipe de policiamento que atua nas regiões de Fiore, Oblivia e é claro, Almia. Tivemos uma conversa rápida, mas direta com Professor Hastings, o coordenador dos Rangers. Ele se encontrava ocupado com umas pesquisas a respeito de Team Debonairs, uma equipe de rebeldes que invadiu a Altru Building, a companhia de energia mais famosa da região de Almia, mas concordou em conversar conosco.
— Em posso ajudar? — Ele perguntou. desconfiado.
— Precisamos lhe fazer umas perguntas. — Ele manteve o olhar duro, firme. — Eu sou Black, Campeão da Liga Pokémon da Região de Unova e este é Detetive Pawssum. Queremos falar a respeito de algumas influências estranhas da região de Almia em uma quadrilha de Alola.
— Quadrilha? — Ele perguntou, mais desconfiado ainda.
— É. — Expliquei. — Um grupo que até então sabemos conter umas seis ou sete pessoas, liderado por uma líder de ginásio local, Caitlin Hall e--
— Hall?! — Ele perguntou, espantado.
— Sim, este é o nome dela. Procede? — Confirmou Detetive Pawssum.
— Algum problema em relação a este nome, senhor? — Perguntei.
— Bem... — A voz dele era de velho. Rouca, rouca, rouca. Parecia ter uns 90 anos de idade. Então, com uma cacofonia desgraçada, quase como se a garganta arranhasse a cada palavra, ele disse: — Bem, a Altru Inc é uma empresa de energia que utilizava ilegalmente a vitalidade dos pokémon para gerar dinheiro. E... Bem, a história é longa... Quando você me falou em "Hall", logo lembrei-me de Doyle Hall, o fundador da Altru. Ele administrou a empresa durante longos anos, até passar o legado para seu filho Brighton Hall, que passou para o filho dele (neto de Doyle), Blake Hall.
"Até algum tempo atrás, Blake era o presidente da Altru Inc, mas quando os Rangers descobriram o que ele estava fazendo com os pokémon, sacrificando-os para conseguir dinheiro, o homem foi preso, junto com inúmeros capangas, ao qual ele intitulava "Team Dim Sun", ou "Equipe Sol Negro".
— Marlon! — Gritei. — Joga aí "Blake Hall" e "Team Dim Sun".
— É pra já, chefe. — Só ouvi o barulho do teclado digitando.
— A Team Dim Sun foi presa — continuou o Professor. — Mas alguns homens ficaram soltos. Uma trupe de criminosos continuou na ativa e agora tentam retomar a Altru sob o estandarte de "Team Debonairs".
—  Alguma mulher na família dos Hall? — Perguntou o detetive.
— Não, não com esse nome... Mas Blake Hall tinha uma mulher e um filho, que permanecem desaparecidos, desde que a Altru caiu.
Detetive Pawssum e eu só nos olhamos. Caitlin e... "Jesse".
— Continue. — Ordenou o detetive.
— O nome dela era "Ela" e ele... Se não me engano, se chama Kyle, ou alguma coisa assim. A mulher sofria de graves transtornos psicológicos e foi internada diversas vezes, mas Blake sempre encobria a história, pra não ficar feio para a empresa, então isso é tudo o que eu sei.
— Mais uma pergunta, Doutor Hastings... Essa mulher, "Ela". Se parece com "ela"?
Detetive Pawssum pegou uma foto da líder de ginásio anteriormente conhecida como Caitlin Hall. Os cabelos bastante compridos e os óculos escuros sempre tapando o rosto.
— Morena e com esses óculos? Não tenho certeza. Ela tinha a cabeça raspada. Faziam tratamento de choque, pelo que parece.
— E este rapaz, o senhor conhece?
Peguei a foto de Jesse (encontrada através dos softwares policiais) e mostrei ao Professor. Ele fez um olhar indiferente e então disse:
— Desconheço. A Altru fechou há alguns anos. uns seis eu diria. O filho de Blake Hall era criança quando desapareceu, junto da mãe. Mas olhos dele eram extremamente verdes, de um tom que não consigo explicar.
Olhos verdes. Muito verdes. Essa foi a primeira característica que notei em Jesse. Tudo se encaixava, não encaixava?
— Ah. — E por fim acrescentou o Professor. — E o filho deles era fascinado por um pokémon que não me recordo o nome, mas era estrangeiro. Ele era capaz de absorver eletricidade e foi dado a ele por seu pai, Blake Hall, para que o menino aprendesse sobre a "energia" e um dia herdasse a Altru Inc.
Togedemaru. Eureca.
— Obrigado, professor. — Agradeceu o detetive. — Retornaremos mais tarde para mais informações.
Doutor Hastings simplesmente desligou, sem dizer mais nada. De qualquer forma, ele já tinha nos ajudado mais do que pensava.
— Por que a desgraçada manteve o sobrenome? — Perguntei, tendo certeza de que Ela Hall e Caitlin Hall eram a mesma pessoa.
— Talvez por orgulho do marido. — Sugeriu o detetive, por trás daquele espesso bigode negro.
— Ou talvez por que o sobrenome seja o alicerce dessa gente. Não ouviu ele dizer? Antigos "Team Dim Sun" se organizaram para tomar a Altru Inc de novo, o que quer dizer que eles permanecem fiéis a seus antigos chefes. E é isso o que faz de "Hall" uma jogada estratégica.

Eu estava descendo para a casa de Marlon à pé quando vi White correndo em minha direção. Ela tinha um olhar espantado.
— Querido, você PRECISA me ajudar em uma batalha.
Aquilo era sério? A ira me subiu à cabeça. Eu não comia, não dormia, quebrava a cabeça para ver aquele caso resolvido e ali estava White, batalhando?
— Quer dizer que eu me mato nessa investigação e você fica aí batalhando?!
Ela então deu uma risada sinistra, meio obscura.
— Temo que essa luta também faça parte da investigação.

Quando cheguei na frente da casa de Marlon, lá estava Eclipse, esperando-me para um confronto.
— Ah, aí está você! Eu mal posso esperar para ter essa revanche, "Campeão"!
Virei-me para White e ela me devolveu um olhar de "é, ele já sabe".
— O que está fazendo aqui? — Perguntei.
— Te desafiando, ora.
— Não. Aqui na Ilha. - Falo, desconfiado.
— É a Liga Pokémon. Ah, eu me esqueci. você não participa da Liga Pokémon porque na verdade é o Campeão e não precisa disso. Muito pelo contrário, você só pega os pokémon iniciais de regiões menos desenvolvidas para impedir que treinadores iniciantes tenham alguma chance e uma dia venham lhe oferecer concorrência.
— Que grosseria.
— Isso é desacato a autoridade! — Comentou Marlon.
— E você quem é? — Perguntou Eclipse, debochado.
— ESCUTA AQUI, SEU PIVETE DESGRAÇADO! — Seguramos Marlon e foi então que o rebuliço começou. Joguei uma pokébola para cima e Voilà: Popplio.
Eclipse jogou a dela e revelou: MUDSDALE.
— Um tipo Solo? —Me surpreendi pela escolha, que o fazia ficar em desvantagem. Mas ao mesmo tempo, EU estava perdidamente perdido. Mudsdale era maior e evoluído, provavelmente muito bem nivelado. E Popplio... Bem, Popplio estava em seu estágio básico, o que queria dizer que não tinha stats bons e nem muita habilidade com movimentos. Mas eu era conhecido em Unova por ganhar minhas lutas através de estratégias, e era assim que eu iria derrotá-lo: com o cérebro.
— Mudsdale: High Horse Power! — Bradou o rapaz. E então, o garanhão veio à galope, desferindo um burra de um coice em Popplio, que voa longe, o HP passando da metade...
Com aquela velocidade, Mudsdale não seria bom para com Popplio, mas eu tinha alguém que poderia ajudar muito bem neste caso, em uma batalha de substituições.
— Vai, Grubbin!
Substituí Popplio por Grubbin, meu insetinho cascudo.
— Acha que essa coisinha aí vai me parar? Mudsdale, de novo!
E lá veio mais uma patada. Temi que o pior tivesse acontecido, mas Grubbin era esperto. quando as patas de Mudsdale desencravaram do chão... Onde é que ele estava? Sumiu!
— Onde você se escondeu? — Perguntou Eclipse, descontente com o sumiço de Grubbin.
— Se você fosse um bom treinador, saberia. String Shot!
Grubbin reaparece. Ele estava preso por fios de seda na árvore acima do cavalo, e balançando-se de modo que circundasse o oponente, prendeu-o com jatos tão poderosos que imobilizaram Mudsdale, reduzindo drasticamente sua Speed. E é claro, sua capacidade de locomoção, afinal, suas pernas foram tomadas pelas rajadas adesivas.
— E é isso o que dá mexer com um campeão! — disse eu, pegando a pokébola de Popplio e o trazendo para a batalha, no lugar de Grubbin. Eu sabia que ele não era bom em andar na terra, mas nós tínhamos uma grande habilidade...
— Acha que isso vai nos deter? Mudsdale, desamarre!
O cavalo relinchou e com uma força descomunal, partiu as correntes de seda que o envolviam.
Double Kick! — Ordenou Eclipse.
— Não, não, não... Popplio, os balões, por favor.
Do nariz do tipo água surgiram balões de ar, que envolveram Mudsdale tão rápido quanto os fios de Grubbin. O tipo solo ficara preso mais uma vez.
— Mas o que?! — E Eclipse ficou p*to, obviamente.
— Rotom, preciso de informações. — disse eu, no momento em que a pokédex-viva saiu de meu bolso para espiar a batalha. Imediatamente, a criatura mecânica começou a falar, sem pausa entre as palavras:
— As suas pernas estão cobertas de lama protetora e o peso deste revestimento aumenta a força dos seus pontapés. Basta um coice para transformar um carro num monte de sucata! Pode continuar durante três dias e três noites, apesar de arrastar cargas superiores a 10 toneladas! Quando o Mudsdale está em pleno galope, o poder de cada passada pode abrir enormes buracos, mesmo em asfalto. O Mudsdale está proibido de correr em algumas das estradas públicas de Alola.
— Obrigado. — Agradeci.
— Mas o que é isso? Rotom é um pokémon! Isso é trapaça!
— Não, não é não! — eu disse, com um ar superior. — Este aqui é uma pokédex. — CHUPA!
Eclipse fez uma cara de rabo e então se lembrou que seu Mudsdale estava preso dentro de uma bolha gigante.
Pop, termine. — Ordenei. E então, uma enxurrada de água brotou da boca de meu pokémon, explodindo a bolha e atingindo Mudsdale no super efetivo.
O equino tombou com os olhinhos revirando. Nem mesmo sua habilidade Stamina o ajudou a se manter de pé depois de um golpe tão forte quanto aquele. O nível de Popplio estava subindo e eu tinha uma plena visão disso em seus ataques, que se tornavam mais fodas a cada dia.
— Vai, Exeggutor!
Eclipse lançou mais um. Desta vez um tipo Grama, com vantagem a Pop.
Exeggutor na verdade era uma mistura de palmeira com brontossauro, e misturava os tipos Planta com Dragão.
— Então neste caso... Vai, Bagon!
Minha próxima escolha constituía o que eu chamo de "bater e correr", pois Bagon é tipo Dragão e todos sabem que defensivamente o tipo dragão é fraco ao próprio tipo.
— Rotom? — Pedi, e lá vinham mais informações, sem nenhuma pausa para descanso:
— Este Pokémon distingue-se por utilizar o seu longo pescoço como um chicote, para atacar com as suas rijas cabeças. Mas, às vezes, este pescoço pode tornar-se uma fraqueza...
— Ótimo, Rotom. É só isso o que eu preciso.
Eclipse enraiveceu-se, ordenando imediatamente:
Psychic!
Os olhos de Exeggutor brilharam em um tom verde e o enorme Bagon começou a flutuar, preso pela influências das ondas vibratórias. Agora nós havíamos em nossa própria armadilha.
Egg Bomb! — Gritou Eclipse e então, do topo das três cabeças de Exeggutor são disparadas bombas de semente, que explodem ao encontrarem o corpo de Bagon...
— Eu substituo de novo. Vai, Grubbin!
O Inseto ressurgiu, dessa vez com alguma vantagem competitiva.
Bug Bite! — Gritei.
Grubbin grudou-se na perna da palmeira, projetando uma mordida dolorosa.
Mas então... BLAM! Grubbin é jogado com força no chão.
— O que foi isso? — perguntei, desorientado.
— Ao contrário de outros Exeggutor, o Alolan Exeggutor tem uma quarta cabeça — na cauda! Esta quarta cabeça controla a cauda independentemente e pode enfrentar adversários na parte traseira, que estejam fora do alcance dos ataques desferidos pelas cabeças principais.
— E SÓ AGORA QUE VOCÊ ME DIZ ISSO, ROTOM?!
— Você quem disse... — E então a voz da pokédex mudou para ficar igual à minha — "Ótimo, Rotom. É só isso o que eu preciso." — Depois, ela voltou a ser de criança. — E da próxima vez, ouça mais e fale menos, "Campeão".
— Que bichinho debochado! — Comentou Phoebe.
— Pois é... — disse White. As duas assistiam à batalha com um prato de comida na mão. A mãe de Marlon, Dona Aquamarine fazia o mesmo, mas estava dentro de casa, espiando pela janela.
— Exeggutor pode até ter uma "quarta cabeça", mas não consegue pensar tão bem quanto eu consigo com — duas — uma! Grubbin, String Shot nesse rabo!
— Crianças, não pesquisem isso. — Debochou Rotom.
Mas então, a pokédex se calou quando viu o que estava acontecendo. Uma luz envolvia o corpo do tipo inseto, remodelando-o de modo a ficar quadrado, com as presas bem menores e a graciosidade indo embora.
— Charjabug! — Gritou Rotom, já preenchendo-se com dados sobre o pokémon.
— Tá mais pra Caixa-bug! — disse eu.
O inseto fez um ruído em reclamação, mas então percebi o que se passava. Seu corpo estava vibrando e por um breve momento, percebi faíscas saindo de sua charja torácica. Quer dizer, caixa. Ah. Bem. Você entendeu.
— Rotom, detalhes! — Ele me olhou de cara feia. — Dessa vez eu vou ouvir tudo. — E então ele despejou:
— O Charjabug é capaz de armazenar eletricidade. Consegue armazenar energia suficiente para alimentar uma casa durante todo o dia. A energia que armazena pode ser fornecida a outros Pokémon, funcionando também como bateria!
— O tipo Elétrico não é muito bom contra tipos grama! — Observou Eclipse, do outro lado do campo.
— Não, mas não precisamos muito dele, não. Crunch!
A caixa-inseto pulou em Exeggutor e mordeu-lhe uma segunda vez, dessa vez na outra perna. Momento perfeito. O retornei e chamei Bagon de volta.
Dragon Claw! — Gritei.
A pata dianteira de Bagon vibrou em um tom verde, ampliando-se para um golpe frontal.
Nisso, com muita velocidade, Eclipse bloqueia.
— A cauda! — Ele gritou, e lá vinha o rabo de Exeggutor, para rebater Bagon. Mas...
— Pra baixo! — Ordenei, e Bagon enviou-se debaixo das pernas da palmeira-ambulante, uma local que as cabeças não podiam enxergar e a cauda feita de madeira não tinha poder de alcance.
— Ponte que partiu! — Berrou Eclipse, mas já era tarde. — Seed Bomb!
Das folhas no topo das cabeças de Exeggutor brotaram sementes gigantes, mas como o seu enorme pescoço de madeira era inflexível, de modo que ele não podia dobrar para se abaixar, o pokémon não conseguiu mirar em suas próprias pernas, e o ataque falhou.

Essa era a minha chance, percebi. E então gritei:
Fire Fang!
Os dentes de Bagon cravaram-se na parte de baixo de Exeggutor, que ardeu em chamas, removendo todos os pontos de HP da árvore-pokémon.
— MADEEEEEIIRAAAA! — Gritei.
O barulho da criatura batendo no chão foi ensurdecedor. Eclipse, enrubescido, colocou Exeggutor de volta na pokébola.
— Eu... ARGH! Não tenho como te vencer AINDA!
E saiu, bufando de raiva. Eclipse pisava com tanta força no chão, que seu Mudsdale parecia ter baixado nele. O garoto saiu pelo alto da cidade e desapareceu de vista.
— O que foi isso? — Perguntei.
— Ele anda meio irritado e sabe da gente. — disse White. — Ele está nos investigando, Black. Se não tomarmos uma atitude, ele vai nos interceptar antes que possamos barrar Caitlin! Ele sabe tudo sobre a gente, TUDO! Ele me disse.
— Ele é mesmo muito habilidoso. — Comentou Aquamarine, lá da janela. — Mas não se preocupem, ele é um garoto bom. Ele ficou assim malucão depois que o avô dele sumiu!
— Hã? A senhora o conhece, Dona Aquamarine? — Perguntei.
— Mas é claro. Ele é neto do Kahuna que vivia aqui na casa ao lado. Desde que o avô dele desapareceu, ele vem cuidar da casa. Todos os dias.
Eclipse era neto de um dos kahunas? O que isso significava? Ele era mesmo um bom menino ou estava por trás disso tudo? O que foi aquela discussão? Por que estava tão irritado? E por que ele NÃO estava no Festival Pomaikai se ele vem à cidade todos os dias?
— Tem alguma coisa estranha nesse pivete e eu vou descobrir o que é.
Bati o pé com firmeza no chão e então entrei na casa, pra lá de faminto. Em breve, partiríamos para mais uma das ilhas maiores de Alola com o apoio da equipe de investigação da polícia federal, mas não sem antes provar um pouquinho do "cuzildo" da dona Aquamarine.


Pokémon Sol & Lua: A Missão – Publicado originalmente em Agosto de 2016 sob o título "Pokémon SL Adventures" – A cópia, venda ou redistribuição desse material é totalmente proibida. Pokémon e todos os respectivos nomes aqui contidos pertencem à Nintendo.

Ao escrever a fanfic, os autores não estão recebendo absolutamente nada, ou seja, esta é uma produção artística sem absolutamente nenhum fim lucrativo. A fanfic foi projetada apenas como uma forma de diversão, de entretenimento e passatempo para outros fãs de Pokémon. ~



Capítulo escrito por #Kevin_
A fanart acima foi encontrada na internet, NESTE Link.
Todos os créditos vão para o artista.

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