quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Capítulo 09: Bad Guys

~Malena

A TV continuava passando sobre o ocorrido na outra ilha. Cidadãos testemunhavam, outros especulavam e muitos fofocavam. Um bando de idiotas. Olhei para a outra tela. Dessa vez a do notebook, onde sites noticiavam tudo também. Cada um tinha sua própria versão e história para contar, atrás apenas de audiência. Poderíamos aproveitar o caos e finalizar os planos, usar a energia de Solgaleo e dominar Alola. Mas não, Caitlin agora era sentimental e chorava pela morte do filho. Hérmia parecia quase tão abalada quanto Lady Caitlin e Kilgry só sabia contar piadas. Quorin havia desaparecido, nem ao menos tinha voltado conosco para a ilha, onde ficava nosso esconderijo. Peguei minha pistola e a girei na mão. Eu estava perdendo meu tempo ali. Se Caitlin não agisse eu iria. Levantei e segui pelo corredor, disposta a matar, se fosse preciso.



~Hérmia
- Porque a Lunala atravessou a rua? – Perguntou Kilgry, olhando esperançadamente para mim. Só estávamos os dois na sala de reuniões do esconderijo, também conhecido como sala para não fazer nada. O lugar tinha apenas um sofá, uma mesa e uma TV, que continuava passando sobre o acontecimento da noite anterior. Eu não sabia dizer se estava mais cansada de ouvir os repórteres falando sobre o “ataque” ou as piadas de Kilgry naquele momento infortúnio.
- Você sabe que está sendo indelicado, não é? – Falo, grossa. Jesse, quer dizer, Kyle estava morto. Ainda era difícil se acostumar com seu verdadeiro nome, eu o havia conhecido como Jesse, mas de um ano atrás, na vitória na Battle Royal, ele continuou a ser Jesse até dois dias atrás, quando Caitlin revelou a todos que tinha um filho. Lady Hall acreditava que iríamos vencer e capturar Lunala, assim como tínhamos feito com Solgaleo e então revelou seu maior segredo. Além do garoto estar morto, havia toda a questão de Lunala ter vencido. Ninguém esperava por aquilo. Ele era forte demais. Eu ainda conseguia senti-lo dentro de mim, controlando minha voz e mente.
- Para matar do outro lado. – Ele riu da própria piada e esperou que eu também compartilhasse o momento com ele, mas apenas mandei meu olhar mais assassino. – O que foi? Essa foi engraçada! – Protesta Kilgry, trocando de TV, só para escutar outra voz falando a mesma coisa.
- Hilário. – Reviro os olhos e me encosto no sofá. – Você devia ter um pouco mais de consideração, Lady Caitlin te abrigou, te deu um propósito e você faz piada enquanto o filho dela está morto.
- O rapaz era um mesquinho, nem falava comigo, pouco me importo com ele. – Ele troca novamente de canal e surpreendentemente esse novo não está passando sobre o ataque ao festival, antes que pudéssemos curtir, as propagandas terminam e o telejornal volta com a mesma mesmice. – Tampouco com Caitlin. Ela só me abrigou porque queria um capacho.
- Achei que você fosse fiel a ela. – Falo, intrigada. Kilgry sempre pareceu o mais leal de todos, sempre obedecendo cegamente aos comandos de Caitlin, agora ele estava mais rebelde.
- Eu continuo leal a ela. Ela salvou minha vida, eu iria morrer na rua, com frio, fome e sozinho. Ela me deu apoio e eu a segui por causa de seu nome, Hall. De onde venho, esse nome significa poder. – Ele se refere a Almia, lugar de onde ele e Caitlin vieram. Lady Caitlin era esposa de uma figura poderosa por lá e usou o sobrenome do marido para atrair aliados em Alola. – E força. Lady Hall mostrou tudo isso. Conseguimos capturar os Kahunas, obtivemos o conhecimento deles e prendemos Solgaleo. O grande deus dos Aloianos. Poderíamos dominar o mundo com esse Pokémon, mas em vez disso ariscamos tudo e perdemos. Agora é hora de agir, não ficar chorando. Isso não irá fazer o garoto voltar.
Não consigo pensar em nada para responder. Kilgry sempre foi o que fazia piadas e tinha músculos. Era difícil escutar algo dele se não fosse um gracejo. Mas suas palavras me surpreenderam e me fizeram refletir. Ele tinha razão em muitas coisas, não havia como negar. Porém Lady Caitlin havia me ajudado, me deu uma segunda chance de viver, mesmo cometendo erros eu devia apoiá-la (ainda mais nesse momento), não me revoltar contra.
Eu tenho certeza que tudo voltará ao normal depois que passar o luto. Ela sairá daquele quarto já com algum novo plano, iremos conseguir cumprir nossos objetivos e então o mundo seria um lugar melhor. Não havia com o que se preocupar. Tudo ia acabar bem.

~Caitlin

Ela havia voltado no tempo. Não estavam mais no esconderijo naquela ilha deserta, Kyle não estava morto em seus braços e ela não havia falhado, ainda. Era um dia ensolarado como aquele em que desembarcaram pela primeira vez em Melemele. O porto estava exatamente como aquele dia e até o barco velho e lento era o mesmo. Ela usava as mesmas roupas que havia trazido de Almia, as únicas que conseguira trazer em meio a fuga. E Kyle chorava exatamente como aquele dia. Na verdade, era aquele dia. O dia em que haviam deixado Almia para trás e começado de novo em Alola.
A primeira coisa que ela fez foi comprar roupas novas, iguais aos dos nativos, para se misturar. Os dois já tinham pele morenas, queimadas pelo sol, o que ajudava a não parecerem estrangeiros. E por sorte ela falava inglês fluentemente. Eles passariam despercebidos se não fosse por Kyle. Ele não parava de chorar, pedindo pelo pai, pela antiga casa, pela antiga vida.
Isso chamava atenção e era o que ela menos queria. Se ela ainda pudesse deixar Togedemaru fora da pokébola, junto ao filho, ele se acalmaria. No entanto, a policia sabia que o filho do poderoso Blake Hall tinha um Togedemaru. Era apenas questão de tempo até alguém desconfiar do seu sotaque e ligar os pontos.
Ela preferia ver o filho chorando ao colocá-lo em risco. Ele era sua maior preciosidade e faria de tudo para protegê-lo. Na primeira semana em Alola ela resolveu pegar o pouco dinheiro que tinham e comprou uma pokébola. Foi até uma rota próxima enquanto Kyle dormia e chamou Meowth, o único Pokémon que havia trazido de Almia, junto com Togedemaru.
- Meowth me ajude. – Ela chamou o felino, que miou animado, depois de um longo tempo sem sair. Ela se lembrava que alguns treinadores olharam estranho para ela e seu Meowth. Naquele momento ela não entendeu e só depois foi descobrir que aquela raça de Meowth era rara por ali e a que existia em Alola era diferente e por isso chamava atenção.
Ela estava com pressa. Não queria que Kyle acordasse e não a encontrasse. Ele iria começar a chorar e a dona da pensão onde estavam iria escutar e chamar a polícia. Por isso, ela decidiu capturar o primeiro Pokémon que apareceu em sua frente.
O pequeno Pokémon parecia um urso de pelúcia, fofo e macio. Sem delongas, ela mandou Meowth atacar.
- Use o Fury Swipes! - Ordenou. Ela adorava batalhar, mas nunca pode lutar quando queria. Seu marido a proibia e ela só batalhava quando era extremamente necessário. Agora era diferente, ela poderia fazer o que quisesse.
Meowth, há muito tempo sem batalhar avançou com toda a sua fúria contra o Pokémon. Outra pessoa sentiria dó da forma brutal que Meowth atacou o fofo Pokémon, mas Caitlin estava na êxtase da batalha e queria mais, muito mais.
- Night Slash agora!
Agora as garras de Meowth se tornaram maiores ainda e arranharam os pelos do Pokémon, que gritou de dor, mas continuou na batalha.
- Stuffulll! - O ursinho gritou e uma aura surgiu ao seu redor e explodiu.
A aura se espalhou e atingiu Meowth e o jogou para trás. Era o Revenge, um poderoso ataque do tipo Lutador, aumentado pelos dois ataques seguidos que Meowth usou contra nosso oponente. Mesmo assim, Stufful já estava fraco e mais um golpe era o suficiente.
- Acabe usando o Thunderbolt!
Meowth pulou e lançou um raio, atingindo o oponente, que não resistiu.
Caitlin chegou em casa antes de Kyle acordar. Tirou o Pokémon da pokébola e deu um banho, deixando seu pelo macio e cheiroso. O menino adorou o Pokémon e não largava o coitado, que parecia ter gostado igualmente do seu novo dono. A partir daquele dia, Kyle não chorou mais e ela passei a sorrir, até o dia em que teve que se despedir dele. Ela Hall estava morta, assim como seu filho Kyle. Caitlin Hall não tinha filho, tampouco um chamado Jesse. O menino chorão cresceu e se tornou um lindo rapaz. Infelizmente, o sonho acabou e ela acordou. E a realidade continuava ali. Seu filho estava morto, morto pelo Pokémon que ela havia dado para fazê-lo feliz...

Me levantei da cama e fui até a mesa, onde estavam as pokébolas que pertenciam a Kyle. O que eu faria com eles? O que eu faria dali em diante? Essas perguntas eu não sabia responder, mas uma coisa tinha certeza. Black e White iriam pagar por isso.

~Kilgry

Hérmia estava de mal humor, Caitlin chorando, Quorin Arceus sabe aonde e Juan com suas tretas (e tetas), Malena coletando informações e minha mão direita já estava cansada. Não havia mais o que fazer, a não ser contar piadas aos velhos Kahunas. Os velhos (e põe velhos nisso: devia ter até teia de aranha em seus berimbaus), eram os únicos que apreciavam minhas hilárias piadas. Se não rissem eles sabiam que iam chorar, então era melhor dar risada.
Eu estava pensando em qual piada contar, a da velhinha que foi ao geriátrica ou do testamento, quando escutei uma voz vindo das celas. Os Kahunas ficavam longes uns dos outros para não se comunicarem entre si. Caitlin não gostava de ideias de velhos com dezenas de séculos de vida planejando uma fuga e arruinando todos os seus planos. Não que eu achasse isso possível, antes que ele conseguissem parar de reclamar das dores nas costas, Malena já teria disparado contra os 7 e não teria mais nenhum para contar história.
Malena, a doce e sanguinária Malena. Ô mulher difícil de conquistar. Nem minhas melhores piadas galanteadores tinham surtido efeito nela. Ela agia como um robô assassino, desprovido de emoções, mas eu sabia que no fundo ela me amava. Como era possível alguém não me amar?
Segui o barulho e cheguei no corredor do kahuna de Alola. Ele havia sido capturado por mim e Malena, o último dos Kahunas a serem pegos e o único a não abrir a boca. Ele não havia revelado nada, mesmo após Malena e a própria Caitlin o torturar.
Eu não gostava de contar piadas para ele, o velho me dava arrepios.
- ...Cansada de você não colaborar. - Aquela voz feminina, tão familiar quanto a minha, continuou falando: - Eu sei que você é bem resistente em questão de dor e tem uns truques legais, mas você não pode fazer nada enquanto eu torturo sua família.
- Não! - Exclamou o velho. Sua voz não era carregada com magias e truques dessa vez, era puro terror. - Sua mentirosa, você não sabe quem eles são.
- Está duvidando? - Ela deu aquela sua risada maravilhosa e eu só arrepiei de ouvir. O velho nem havia contado uma piada e já havia conseguido arrancar risadas dela, 1 para o kahuna, 0 para Kilgry. - Saiba você que eu já se encontrei com seu neto e por sorte ele escapou. Não vou deixar isso acontecer novamente.
- Não mexa com ele, por favor. - Agora eu estava próximo o suficiente para ouvir que o homem chorava. Malena finalmente havia encontrado o ponto fraco do velhote.
- Safadinha, nem me chamou para a festa. - Falo, quando estou próximo. - Não sou muito fã de velhos, mas se eu soubesse teria trazido mais cami...
- O que você está fazendo aqui? -  Malena me empurra e nos afastamos da cela. - O que você escutou?
Ela tira uma faca do cinto e coloca em minha garganta.
- Não sabia que você curtia um sadomasoquismo também. - Falo, abrindo um sorriso e tentando beijar Malena, que me empurra novamente e chuta meus países baixos.
- Cala a boca. - Ela me olha, com sangues nos olhos, apontando a faca. - Caitlin mandou você aqui?
- Caitlin? A mulher está ainda chorando em cima do corpo em decomposição do filho. Só vim contar umas piadas para os kahunas, o de Johto adora aquela da Miltank que...
- Silêncio. - Ela coloca a mão em minha boca e sinto o cheiro do seu perfume. - Pode se levantar, mas fique quieto.
Ela tira a mão e eu lamento, mas me levanto e a sigo até a cela novamente.
- Vamos continuar nossa conversa. - Malena guarda a faca e fica frente a frente ao velho tatuado. - Me diga por que não conseguimos capturar Lunala?
- Vocês foram burros. - Ele diz, para frustração de Malena. Ele coloca a mão na cintura, certamente louca para pegar a faca e fazer o homem em pedaços, mas se controla.
- Se eu soubesse que ele tinha senso de humor, teria vindo contar piadas mais vezes aqui. - Digo, apenas para levar uma cotovelada.
- Eu não estou fazendo piadas, apenas contando a verdade. Uma coisa é capturar Solgaleo de noite, quando ela não esperava que os humanos fossem capaz disso. Outra é tentar enganar Lunala, Ele já esperava por isso. Caitlin foi burra ao continuar com o plano.
- Ela sabia!? - Malena quase grita, o que eu também quase faço. Caitlin sabia que o plano poderia falhar e mesmo assim prosseguiu com ele? Até eu que era o mais idiota do grupo sabia que isso era  
burrice. - Como ela sabia?
- Foi avisada. Todos os Kahunas conhecem o bastante dos deuses para saber que Lunala estaria esperando uma armadilha e contra atacaria.
- Mesmo assim, quem garante que vocês contaram? Se Lunala contra atacasse seria ótimo para vocês.
- Os Kahunas ensinaram Caitlin a capturar Solgaleo, ensinaram todos os segredos. Não havia razão para não contar isso também. Sua Lady sabia e sabe de muitas coisas que vocês nem imaginam.
- Aquela puta! - Malena se levanta e se afasta da cela, pisando duro.
- Valeu pela conversa, velhote! Qualquer dia desses eu volto aqui! - Corri atrás de Malena e a encontrei socando uma parede.
- Ela mentiu para nós, colocou nossas vidas em perigo e para quê? Para conseguir toda a energia do mundo e blábláblá? Estou cansada de seguir algo que não acredito, que não quero. - A mão de Malena sangrava quando ela parou de socar a parede. Arranquei um pedaço da minha camiseta e enrolei em sua mão. - Poderíamos dominar o mundo com Solgaleo. Mas não, estamos aqui, esperando nossa chefe sair do luto que ela mesma provocou. Enquanto isso temos dois campeões atrás de nós. É questão de tempo até tudo desmoronar.
A voz de Malena era carregada de fúria e algo que eu nunca tinha visto nela: medo. Eu nunca tinha imaginado vê-la assim, tão frágil, tão tão, humana.
-  Então vamos fazer do nosso jeito.
- Do que você está falando?
- Não sei, eu sou apenas os músculos, você a cabeça. O que você decidir eu irei apoiar. - Digo, me aproximando mais e segurando a mão de Malena. Nunca estivemos tão próximos assim e minha vontade era de beijá-la imediatamente.
- Você tem razão. Iremos fazer do nosso jeito. - Malena puxa sua mão e volta ao modo normal. - Você é o melhor amigo do mundo, Kilgry.
FRIENDZONE NÃOOOOOOOOOO!

~Juan

- Alô? - Falei ao atender um dos meus 3 celulares. - Quorin?
A voz do homem surgiu do outro lado da linha.
- Sim, estou esperando novas ordens, Lady Caitlin ainda não me contatou.
- Nem a mim. - Minha paciência estava acabando. Já tinham se passado 3 dias desde o ataque ao festival, Caitlin já havia enterrado o filho, mas ainda permanecia de luto. Enquanto isso, ninguém sabia o que fazer ou como agir. Estava cansado de esperar. Eu era um dos maiores empresários do mundo, com filiais em quase todos os continentes e bilhões em seus cofres. Estava cansado de ser apenas um subordinado de uma mulher cheia de caprichos. - Esqueça a Senhora Hall por ora, eu tenho uma missão para você.
- Diga. -Quorin, sempre rápido e direto. O homem era cheio de segredos, mas eficiente em tudo que fazia. Ele era uma peça importante naquele jogo e já que Caitlin não estava o movendo, eu iria usá-lo para meus próprios planos.
- Existe um grupo, uma pequena gangue, em Melemele que está me dando dores de cabeça. Eles são pequenos ainda, mas crescem a cada dia que passam. Se chamam a si mesmos de Team Skull ou algo do tipo, quero que você os investigue.
- Certo. - Ele desligou antes que eu pudesse dizer mais algo.
Segui meu caminho até chegar ao restaurante onde almoçaria com um novo sócio. Não tinha nada a ver com minha empresa ou meus negócios com Caitlin e seu grupo. Não se podia apostar tudo em só um Mudsdale. Por isso eu jogava em diversas frentes. A energia que Caitlin prometia com os poderes dos deuses seria incrível para minha companhia, enquanto isso a destruição da Alola pelos mesmos deuses abriu diversas portas para minha construtora. Agora havia surgido outra chance de crescer. Com o campeão de Alola morto e um dos seus líderes de GYM como a figura mais procurada da região, a Liga Pokémon estava em queda. Suas ações na bolsa só caiam e cada vez menos pessoas queriam sair de casa, viajar por um mundo perigoso, atrás de insígnias. Era a oportunidade perfeita de iniciar um novo negocio.
O restaurante não era como os que eu costumava frequentar. Nada de coisas chiques e ternos. O restaurante ficava na beira da praia e a maioria das mesas com céu aberto. Vários totens decoravam o lugar e em um palco havia um homem dançando, junto com seu Marowak que cuspia fogo.
Me sentei numa próxima e quando o rapaz terminou seu espetáculo ele se aproximou.
- Mr. Juan?
- Sim, Kiawe, pode se sentar.
O homem se sentou e começamos a conversar.
- O senhor falou que tinha planos a tratar comigo?
- Exato. Você deve conhecer bem a cultura e a história de Alola.
- Conheço muito bem, senhor.
- Então deve conhecer as Island Challenge.
- Claro que sim, era uma antiga tradição de Alola, mas que acabou sendo esquecida.
- E se eu disser que quero trazê-la de volta?

~Hérmia

Abri o livro e folheei as antigas páginas. Ele devia ter mais de um século de vida e as folhas grossas já estavam amarelas há muito tempo, mesmo assim o conhecimento presente ali dentro seria novo para a maioria das pessoas. Tão velho quanto o livro em minhas mãos, era o Pokémon a minha frente.
Assim que o felino chegou, ele era enorme e exuberante, mas depois de tanto tempo trancafiado, sem a luz solar e com sua energia sendo captada pelas enormes máquinas que cercavam a cela, estava murcho e abatido. Solgaleo descansava a minha frente, com uma cara tristonha. Na primeira vez que eu a vi, temi seu rugido e sua fúria, mas agora ela não apresentava perigo algum. Diferente da sua contraparte, Lunala.
Cheguei na parte do livro que falava sobre Lunala e voltei a reler, pela décima vez desde o ataque. Caitlin havia me dado o livro para eu saber tudo sobre os deuses e como derrotá-los, mas quando fui colocada em prova, eu simplesmente desmaiei e deixei o lendário me dominar.
Eu não poderia ser fraca, não poderia decepcionar Caitlin.
- Você não é fraca. - Escuto a voz em minha mente e fecho rapidamente o livro. Olho para Solgaleo e a vejo olhando para mim. O livro dizia que os deuses podiam se comunicar com humanos, mas Solgaleo não havia feito nenhum contato com ninguém desde que havia chegado, então eu achei que era simplesmente mentira. - Apenas burra.
- Eu, burra? - Protesto, já era ruim o bastante ter um deus dentro da sua cabeça, imagina um deus dentro da sua cabeça te chamando de burra. - Não sou eu que estou dentro de uma jaula.
- Vocês não podem me manter aqui para sempre.
- Podemos manter tempo o suficiente para cumprir nossos desejos.
- "Nossos desejos"? Ou de Ela Hall? - Solgaleo se levantou e se aproximou, uma corrente prendia suas patas e medicamento era dado regularmente para ela permanecer num estado de estupor. Mesmo assim eu recuei, temendo a poderosa figura. - Ela está te usando e você sabe disso. Ela sempre te usou...
- Mentira, você quer me jogar contra ela para fugir. Mas nunca irá conseguir. Caitlin é como uma mãe para mim, ela me deu uma segunda chance de viver. - Protesto, quase gritando.
- Ela Hall só amou uma pessoa nesse mundo e agora ele está morto. Logo todos vocês estarão mortos. - Começo a mês afastar cada vez mais da cela, querendo fugir dali. - Corra criança, corra para bem longe, pois quando eu sair daqui vocês irão se arrepender.
E eu corri.

~Caitlin

Malena, Kilgry, Hérmia, Juan e Quorin olhavam para ela, esperando que começasse a falar. Não os deixou esperando por muito tempo.
- Acabou o recreio, vamos voltar a agir. Vocês devem estar pensando que passei todos esses dias lamentando a morte do meu filho, esquecendo nosso grupo e nossos planos, estão errados. Eu estava planejando os próximos passos e sei exatamente o que fazer agora. Aqueles moleques metidos a campeões... Black e White são nossos maiores inimigos no momento e representam o maior perigo em perturbar nossos ideias, por isso o primeiro passo é eliminá-los do jogo. Malena, Kilgry, Hérmia e Quorin, vocês voltarão a ativa e sua missão é trazer os campeões para mim. Vivos ou mortos!



Pokémon Sol & Lua: A Missão – Escrito e publicado originalmente em meados de Agosto de 2016 sob o título "Pokémon SL Adventures". – A cópia, venda ou redistribuição desse material é totalmente proibida. Pokémon e todos os respectivos nomes aqui contidos pertencem à Nintendo.
Ao escrever a fanfic, os autores não estão recebendo absolutamente nada, ou seja, esta é uma produção artística sem absolutamente nenhum fim lucrativo. A fanfic foi projetada apenas como uma forma de diversão, de entretenimento e passatempo para outros fãs de Pokémon.
Capítulo escrito por Joka
A fanart acima foi encontrada na internet, NESTE Link.
Todos os créditos vão para os artistas.

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