quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Capítulo 12: Olho Por Olho

~Moon

— Ei! Oliver, eu... Tive uma ideia! — disse para o garoto, que chorava emocionado ao ver Vulpix desaparecer da dimensão entre a vida e a morte e voltar para seu lugar, no mundo dos vivos.
— Tia? — Ele me chamava assim de um jeito tão carinhoso, que inclusive eu me derretia.
— E se... E se fizermos o mesmo com todos eles? — Perguntei, indicando Oricorio, Minior, Rattata e Meowth com o braço, os pokémon no plano espiritual. Se eles estavam ali, era porque poderiam ser salvos, certo? Mesmo que eu precisasse de sua ajuda influenciadora no futuro, era mais importante que eles estivessem vivos e são e salvos, certo?
— Vamos precisar da ajuda deles para que os encontremos. — Disse o garoto. E como se os pokémon compreendessem, todos eles desapareceram de vista, buscando seus respectivos corpos em alguma parte de Alola, longe do alcance de um auxílio médico ou qualquer coisa que os ajudasse a recobrar a consciência.



Oricorio foi o último. Com o pokémon entregue a profissionais de saúde, não demorou muito para que ele desaparecesse do plano espiritual, e então só restava eu e Oliver ali. Se salvar a vida de um humano fosse tão simples quanto salvar a de um pokémon, eu já teria feito aquela criança voltar à sorrir. Mas eu não podia. Infelizmente o problema de Oliver, assim como o meu, era grave demais e não tínhamos outra alternativa senão rezarmos para que alguém nos ajudasse do lado de lá.
Sentei-me e então percebi que eu havia voltado ao barco onde Black estava. Ele segurava meu corpo inerte no colo e eu percebi que suas roupas vertiam sangue. Na verdade, todo aquele líquido vermelho vinha de mim e isso me deu calafrios.
— Eu vou morrer... — disse eu, sem esperanças.
— Não, tia. Minha tia Audrey sempre disse que as pessoas não morrem de verdade: nós somos entregues aos deuses como oferendas.
Quando ele disse aquilo, imaginei Giratina no Distortion World, devorando nossas almas fria e lentamente.
— Credo! — deixei escapar.
— O que? — Ele perguntou.
— Nada, Oliver. Vamos. Eu tive uma ideia.
Saímos dali. Agora havíamos nos projetado para dentro de outro barco. Mas esse era mais familiar, mais aconchegante e acolhedor. Eu já estivera ali antes. Fizera uma excursão, para falar a verdade.
— Drad? — Chamei, na esperança de que o velho homem pudesse me ouvir, mas isso não aconteceu. Ele estava recostado em uma cadeira, refletindo. O que eu vou fazer? Eu podia ouvir os pensamentos emanando através de sua aura.
Aproximei-me e cochichei em seu ouvido:
— Um barco.
— Um barco? — Oliver perguntou, sem entender.
E então, o radar da embarcação de Drad apitou. De fato, um barco se aproximava e eu sabia que era ali que vinha minha encomenda.
Encostei-me nas costas de Drad, como se fosse massageá-lo e senti minha presença difundindo-se com a dele. De repente, eu estava dentro da cabeça do velho capitão. Por algum motivo, aquilo era muito mais fácil de fazer com ele do que com qualquer outra pessoa que eu tenha tentado antes. Eu o possuía por completo. Podia mover seu corpo e enxergar através de seus olhos. Era como se eu fosse ele.

Do lado de fora, o barco aportara do lado do de Drad, na Ilha de Melemele, pelo que pude perceber. As pessoas que trabalhavam no navio começaram a descarregar cargas e contêineres, uns sendo carregados por dois homens e outros por guindastes.
O capitão do barco (que se vestia completamente de branco) descera por fim e ficou espiando ao redor. Onde estaria a menina que fizera tal encomenda?
— Capitão? — Chamei através do corpo de Drad.
— Sim? — O homem perguntou.
— A encomenda da senhorita Hilda Janet Black, por gentileza? — Será que falar todo o meu nome (de casada) ajudaria?
— Desculpe, mas recebi ordens expressas para entregar isto — Ele indicou uma caixa que carregava nas mãos — somente para ela.
Droga. E agora?
O capitão de branco então começou a ceder e eu percebi que Oliver me ajudava, convencendo o homem a entregar a caixa a Drad.
— Obrigada! Quer dizer... Obrigado! — Falei, no corpo de Drad e me afastei.
Rapidamente, peguei o pequeno objeto nas mãos e abri. Dentro, havia uma esfera enorme, a Gengarite, que permitiria que Gengar evoluísse mais ainda, tornando-se temporariamente um Mega Gengar. E também vinha outra coisa junto. Um cristal púrpura igual ao amarelo que Black carregava e o azul, que era meu e agora estava com Eclipse. Ghostium Z, dizia um bilhete logo abaixo do cristal.
 
Peguei o bilhete e o abri.
"Cara White. Eis aqui sua Gengarite. Creio que o processo de Mega Evolução você já conheça, certo? Estou mandando também uma outra pedra, a pedido do Professor Birch. Ele quer que você entregue este objeto ao Professor Kukui, que é especialista em movimentos. Trata-se de Ghostium Z, um cristal que habilita pokémons do tipo fantasma a performar um quinto movimento, mortal e destrutivo. Se quiser testar em Gengar antes, não está aqui quem falou... Mas por favor, entregue a Kukui. O Professor Birch me mata se descobrir que eu enviei a pedra diretamente a você e não ao real destinatário. Com amor, Phoebe."
Então era isso o que aqueles cristais faziam? Davam a pokémons de respectivos tipos um quinto movimento? Haha, Black PRECISAVA saber disso. Mas agora ele estava impossibilitado de batalhar. O que eu faria? Como eu entregaria estes objetos a meu Gengar, que com certeza estava sob os cuidados de Caitlin?
Bom, de um jeito ou de outro, Drad teria de levar essas pedras até eles...
— Chame Kukui, Hala e quem mais você encontrar. — eu disse firmemente, e ele apenar me obedeceu. — Leve esta pedra a Black. O esconderijo da "Team Dim Moon" fica na Ilha deserta, próximo ao labirinto. — Lembrei-me das coordenadas que eu podia enxergar no visor do barco de Caitlin. Recitei-as para Drad e então, ele desancorou, seguindo minhas instruções...

Então, antes mesmo de eu perceber, eu estava em outro lugar, longe do controle de Drad. Era Eclipse. Ele estava em apuros, batalhando contra um dos homens de Caitlin. Era... O homem que me deixara naquela situação. O homem que me acertara na cabeça e me fizera passar por esta terrível experiência do além... E agora eu o reconhecia.
— Você não deveria estar morto? — Gritou Eclipse.
— Deveria, mas não estou. — Retrucou o Campeão da Liga de Alola, que atacava sem parar e sim, deveria estar morto. Ele não havia sido pego por Lunala, como Lillie dissera? Não, ele estava bem ali, em carne e osso, ao vivo e em cores. Desgraçado! — Wishiwashi: Hydro Pump!
O enorme peixe que compunha o time do homem então cuspe depressa uma bomba de água, destruindo tudo em seu caminho. Mas eclipse não recuou. Pelo contrário... Ele parecia que recuaria, mas eu o firmei no chão e tomei conta de seus atos.
Accelerock! — Gritamos, Eclipse e eu ao mesmo tempo.
E Lycanroc, o pokémon que deveria ser a evolução de Rockruff soltou várias pedras em direção ao pokémon do Campeão, sendo inclusive mais rápido do que este, golpeando primeiro.
 
Ambos acabam levando dano, mas incrivelmente, Wishiwashi parece mais afetado do que Lycanroc, o que é estranho, pois aquele Hydro Pump deveria ter sido super efetiva e o Accelerock, não.
Rock Tomb! — Gritamos novamente em uníssono. E Rockruff soltou mais uma pedra, desta vez uma gigantesca, com alto poder destrutivo. Wishiwashi não pode fazer nada senão aguentar o ataque, que veio de surpresa e muito rápido.
Double-Edge! — Bradou o homem e Wishiwashi veio com mais um movimento do tipo normal, mas muito poderoso, capaz de causar danos tanto no usuário quanto no adversário.
 
Dig! — Gritamos para Lycanroc e ele começou a cavar muito rapidamente um buraco para o subsolo, escapando das garras de Wishiwashi e entrando em um turno semi-invulnerável.
— Ah! — O homem surpreendeu-se com a agilidade do lobo em escapar dos ataques inimigos. Lycanroc era muito mais que um simples oponente. Havia algum poder especial naquele lobo que ele não sabia dizer o que era...
— ATAQUE!
Lycanroc aparece debaixo de Wishiwashi, golpeando-o com o próprio corpo e jogando o grandão para cima... O Campeão corre para não ser esmagado pelo próprio pokémon e então... Um brilho envolve o peixe, que retorna à sua forma original: uns cinco centímetros de comprimento, um pokémon simploriamente ignorável.
— Fud--
— Termine com Bite! — Gritamos com tudo.
E com agilidade sobre-humana, Lycanroc abocanha Wishiwashi, mordendo-o e então arremessando-o para cima de seu treinador. O Campeão pega o diminuto Wishiwashi no colo, derrotado. Seus olhos giravam nas órbitas, quase saltando para fora. Era o fim.
— C-como?
Ele se surpreendeu. Ninguém derrotava um pokémon seu com tamanha facilidade há anos. Por isso recebera o título de Campeão de Liga. Ele estava acima de todos os líderes de ginásio e da própria Elite Quatro. E Eclipse... Bom, Eclipse era só mais um treinador iniciante. Como fizera aquilo? E como Lycanroc evoluíra de Rockruff na hora que bem entendera?
— Está na hora de rugir, Lycanroc! — disse Eclipse, atiçando o pokémon, que começou a uivar em um tom agudo muito estridente, no momento em que uma aura alaranjada surge ao redor de seu corpo.
— Não pode ser! — O Campeão encapuzado agora se via em desvantagem. Aquilo era... Aquilo era... — Um Pokémon TOTEM! — Ele exclamou.
A aura de Lycanroc se intensificou e vários outros pokémon da mesma espécie começaram a aparecer ao seu redor. De repente, era um Lycanroc gigante e vários Rockruff contra uma única pessoa.
   
— Se ferrou. — Comemorou Eclipse.
— Como... Como conseguiu este pokémon? — Perguntou o homem, que se via imobilizado, incapaz de contra atacar tantos pokémon cercando-o daquele jeito.
— Meu avô me deu.
— Ah, então é isso. — Inferiu o Campeão. — Os Pokémon Totem... A energia que emana deles... Advém dos Kahunas!
— Pode-se dizer que sim. — Concordou Eclipse, compreendendo que "Pokémon Totem" é um termo dado a certas criaturas especiais, como aquele Lycanroc, que apresentava características diferentes dos demais de sua espécie e servia como um líder natural para estes. Para falar a verdade, se Lycanroc era um Totem, isso queria dizer que seu corpo havia sido especialmente ungido pelos Kahunas, que lhes deram estas habilidades únicas, destacando-o dos demais Lycanrocs. E era isso o que conquistava o respeito da alcateia.
— Eclipse, termine isso. Você sabe o que fazer. — Cochichei no ouvido do garoto. Por um minuto, ele hesitou. Nunca fizera nada parecido e isso lhe dava arrepios só de pensar. Mas era preciso.
— ATAQUEM!
 
Milhares de pedras voaram em direção ao Campeão ao mesmo tempo e então, só se ouviu o barulho de estalos quando todos os seus ossos se quebraram impiedosamente. Eclipse matara o homem. Um silêncio terrível se instaurou sobre o local. A aura de Lycanroc desapareceu e ele involuiu, tornando-se Rockruff novamente. Os seus parceiros de matilha abandonaram o local e então ali só havia um garoto e um pokémon minúsculo olhando para uma pilha de pedras que não deveria estar ali.

— Delegacia... — Ele murmurou alguma coisa enquanto seu coração disparava freneticamente e lágrimas brotavam de seus olhos, a culpa o atingindo.
— Não. Não vá para a delegacia. — Por fim eu disse em seu ouvido quando percebi que o garoto estava disposto a se entregar. — Vá atrás de Black e o salve. AGORA.
Quanto mais tempo eu permanecia "morta", mais fácil era fazer aquilo. Eclipse começou a correr em direção ao cais mais próximo e se sentou na beirada. Pegou a pokédex no bolso e começou a digitar um número de telefone.
— P-pai...?
Ele estava desesperado, eu pude sentir através das notas em sua voz. Mas quando ouvi a voz do outro lado da linha, eu é que me desesperei. Só eu que não sabia quem era o pai do Eclipse?
— Onde você está? — Drad perguntou freneticamente.
— Pai, eu matei. Eu matei! — Era tudo o que o garoto abalado conseguia dizer. Foi então que reparei o quão inocente Eclipse era e nós pensando que ele tinha algum envolvimento na coisa toda.
— Matou? — Drad se preocupou.
— Eles estavam atrás de mim! Eles estavam atrás de mim!
— Não se preocupe, filho. Onde você está? Eu vou te buscar agora mesmo! — disse Drad com uma voz de ternura, mais do que seria ético após a postura do filho em ter matado uma pessoa.
Eclipse então passou as coordenadas e desligou. Começara a chorar sem parar e então voltou para a mesma viela onde a batalha acontecera. As pedras ainda estavam lá. Eclipse removeu as mais de cima até encontrar o rosto do Campeão.
— Não torture a si mesmo! — eu disse, mas não adiantou. Eclipse colocou os dedos indicador e mínimo no pescoço do homem, procurando sua pulsação. Mas nada encontrou e assim, o choro prosseguiu de forma mais pesada e intensa que antes.
Mas Eclipse não era bobo nem nada. Cavou mais fundo nas rochas, deixando o corpo do homem todo de fora, várias fraturas expostas e sangue escorrendo para tudo quanto é lado. Apalpou nos bolsos do Campeão e tirou de lá todas as suas pokébolas, que ainda estavam intactas.
Pangoro (fight/dark), Turtonator (fire/dragon), Crabrawler (fight), Wishiwashi (water), Palossand (ghost/ground) e Oranguru (normal/psychic). Um time visivelmente equilibrado e muito tem treinado. Pegou os pokémon para si, guardando as pokébolas no bolso e continuou procurando... Tinha de haver alguma informação de útil junto dele.
         
E não é que tinha?
Um cartão de identificação, exatamente como um cartão de crédito. Era isso o que ele precisava para passar pelo esconderijo de Caitlin. Uma credencial.




Fala pessoal! Aqui é o Kevin com a primeira notas do autor "integrada" ao capítulo de Sol & Lua Adventures! E tenho uma notícia que talvez não seja muito interessante a quem acompanha a história... Joka não fará mais parte da fanfic. I mean... Ele não escreverá mais. E com isso, eu quero dizer que a fanfic passará a ser de minha total responsabilidade, o que pode acarretar em uma diminuição no número de episódios. Farei o meu melhor para que esta história termine a forma mais épica o possível e trabalharei duro para que o material que eu lhes entregar seja de qualidade.
Quanto ao capítulo, tivemos a aparição de Wishiwashi (finalmente) e de novo um foco na White, que resolveu de salvar todos os pokémon que estavam com ela, prometendo voltar para capturá-los quando ela acordar... Mas aí é que está: ela vai acordar? Não sei, ainda não decidi, mas vocês podem me dar sugestões nos comentários.
A identidade de Kilgry finalmente foi revelada e aparentemente ele era o Campeão de Alola. Sim, isso mesmo: aquele cara que saiu em uma expedição suicida com Lillie. E mais: Lillie contou que o Campeão havia desaparecido com Lunaala. Mas o quanto ela sabia sobre ele? Será que ela sabia que ele na verdade estava "trampando" para a Caitlin?
E mais: A Mega Stone. Resolvi colocar também um Z-Crystal na encomenda para finalmente fazer com que White entendesse o verdadeiro uso daquelas pedras (e isso com certeza ajudará Black no futuro).
E o mais importante de tudo: Agora Drad, Kukui, Hala, Eclipse e outras pessoas estarão envolvidas em ajudar Black, que está em apuros lá na ilha "deserta", onde fica o esconderijo da "Team Dim Moon". Finalmente nos aproximamos da conclusão dessa história e eu realmente quero fazer algo surpreendente. Portanto, acompanhem o próximo capítulo, pois pode ser que seja o último de toda a história. E quanto a este, pelo amor de Arceus... Um comentariozinho não vai doer, vai? Digam aí o que acharam e quais as suas teorias, lembrando que a pergunta é: quem são os verdadeiros vilões da história?




Capítulo escrito por #Kevin_
A fanart acima foi encontrada na internet, NESTE Link.
Todos os créditos vão para o artista.



Pokémon Sol & Lua: A Missão – Escrito e publicado originalmente por meados de Outubro de 2016 sob o título "Pokémon SL Adventures". – A cópia, venda ou redistribuição desse material é totalmente proibida. Pokémon e todos os respectivos nomes aqui contidos pertencem à Nintendo.

Ao escrever a fanfic, os autores não estão recebendo absolutamente nada, ou seja, esta é uma produção artística sem absolutamente nenhum fim lucrativo. A fanfic foi projetada apenas como uma forma de diversão, de entretenimento e passatempo para outros fãs de Pokémon. ~

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