quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Capítulo 15: O Confronto Final! Parte 1 - Solgaleo, Lunala, Dim Moon e a Queda


~Sun

A inesperada mudança na direção de Hermia possibilitou que novas estratégias fossem aplicadas e assim, no momento em que segurei aquela Rare Candy, meu cérebro começou a processar duas vezes mais rápido, montando táticas para o combate à Team Dim Moon.
Apanhei a bala com as duas mãos e imediatamente, eu sabia o que fazer. Popplio sempre esteve a dois passos de evoluir, mas agora, com aquele item potencializador de nível, eu sabia que poderia esperar por uma boa mudança em seus stats. Joguei o item para o pokémon, que o abocanhou de uma só vez. Foi quando a mágica começou a acontecer.
 
Um brilho azul muito intenso começou a cercar o pokémon, que de repente já não era mais o mesmo. Popplio estava mudando muito, muito rapidamente. Suas nadadeiras ficaram maiores, o focinho deu uma diminuída e o babeiro ao redor de seu pescoço começou a se reformular, confeccionando um vestido de cartilagem. Seu tom de pele ficou consideravelmente mais claro, pelos brancos começaram a crescer nas extremidades de seu corpo e suas orelhas avantajaram-se no quesito tamanho.
 
Brionne, o novo pokémon de longos cílios e feição sorridente ficou de pé nas nadadeiras inferiores e acenou com uma das patas, mostrando-se pronto para a batalha. Era agora ou nunca.

POKÉMON SOL & LUA: A MISSÃO
Capítulo 15: O Confronto Final! Parte 1 - Solgaleo, Lunala, Dim Moon e a Queda

Caitlin nem prestou atenção no que acabara de acontecer. Ela estava ocupada demais sugando a energia de Solgaleo e Lunala para dar atenção a meros detalhes como a evolução de um pokémon que posteriormente veio a destruir seu exército de tipos normais.
— Brionne, Disarming Voice! — Ordenei, fazendo com que Brionne soltasse a voz em uma apaixonante canção, que reduzia a maldade no coração de seus adversários, amolecendo-os.
— O que? — Caitlin de repente percebeu meu ataque. Ela estava ocupada demais, absorta na absorção da aura psíquica de Lunala. — Eevee, Last Resort!
 
O corpo de Eevee começou a irradiar uma luz alaranjada, bem semelhante ao brilho do sol, e de repente, o pokémon partiu para o ataque, atirando-se de cabeça contra Brionne, que leva todo o dano do ataque, ficando com a energia pela metade, já beirando a derrota...
E então o que eu não previa aconteceu. Caitlin era esperta, muito esperta. Enquanto Eevee irradiava sua luz, Gumshoos e Raticate contornaram a cena, por um ângulo que eu não conseguia enxergar por causa de tanta luz, e se aproximaram de Brionne, lançando seus Shadow Ball contra o tipo aquático.
 
Uma explosão de pó negro se ergueu em torno do pobre Brionne, levando suas últimas pitadas de hit points por água abaixo.
— BRIONNE! — Gritei, mas eu havia sido derrotado.
Foi então que senti uma mão em meu ombro. Virei-me e dei de cara com o Kahuna de Alola, o avô de Eclipse. Ele assentiu com a cabeça e indicou com o braço ensanguentado os outros seis velhos senhores jogados pelo chão. Todos tinham o mesmo olhar no rosto e eu sabia o que queriam dizer.
— Vão em frente. — Eu disse.
E de repente, todos estavam ajoelhados juntos, orando com as mãos apoiadas sobre o solo, curvados perante a natureza. Suas auras de diferentes cores começaram a vibrar e a sair de seus corpos, que começaram a cair empilhados, uns por cima dos outros, no momento em que seus espíritos deixaram o plano físico e vagaram livres pelo ar, adentrando no corpo inerte de Brionne.
A aura explodiu e Brionne cresceu mais ainda. Seu corpo inchou e tornou-se maior do que o normal, uma luz laranja o cobrindo dos pés à cabeça. Agora a definição de Pokémon Totem voltava à tona em minha cabeça. Brionne se tornara um e seu poder só aumentou com isso.
— Não é possível! — Praguejou Caitlin. — ATAQUEM!
 
Raticate e Eevee imediatamente partiram para cima, mas Brionne estava mais forte agora e o poder de cada um dos velhos senhores vibrando dentro dele faziam com que os instintos e sentidos do tipo água se aguçassem de uma maneira jamais vista. O Hyper Beam e o Shadow Ball lançados por Alolan Raticate e Eevee, respectivamente, explodiram no chão, sem causar qualquer consequência negativa em Brionne, que saltou com o auxílio de um balão de água, criado instantaneamente.
Gumshoos chega e solta mais um ataque, mas Brionne percebe a aproximação do mesmo e rapidamente contorna a situação, soltando um jato de água pressurizada pela boca e jogando o pokémon do tipo normal pra cima de sua treinadora, que é arremessada com o impacto.
 
— Menos um. — Pensei. Mas ainda havia Eevee com seus stats super ampliados pelo Extreme Evoboost anterior e é claro, tinha o Alolan Raticate. Se bem que... É claro! Aquele último Hyper Beam fazia com que Raticate não pudesse se mexer por algum tempo e essa era a minha chance de tirar mais um da jogada.
— Brionne, ataque o Raticate! — Aconselhei, e Brionne de repente fez algo que eu nunca o vi fazer antes. Da frente de sua boca brotou uma esfera de energia térmica mínima, e através desta bola, raios congelantes são disparados, transformando a ratazana rechonchuda em um bloco de gelo, tão sólido  e inquebrável quanto uma rocha.
— Menos dois. — Falei.
— Isso não vai ficar assim! — Falou Caitlin, que agora se levantava com uma fúria devastadora (parecia que ela ia cuspir na minha cara) e retornava o Gumshoos a pokébola. — Eevee, Trump Card!
 
O pequeno Eevee era a última chance de Caitlin conseguir qualquer coisa, e assim, ela atacou com tudo. Era uma a um agora e se Ela fosse esperta o suficiente, poderia me vencer sem problema algum.
— Evasiva! — Gritei, mas as cartas explosivas que emanavam do pelo de Eevee estouraram em Brionne, jogando-a com força contra o chão.
— Isso!  — Caitlin pegou seu fuzil novamente e dessa vez mirou em Eevee, dando-lhe a energia absorvida de Lunala, um boost perfeito que deu tanta força a ele que poderia ser comparado à prece dos kahunas que transformou Brionne em um Totem.
— Skull Bash! — Ela ordenou de novo, e Eevee atacou com um golpe de cabeça titânico, batendo na barriga de Brionne e o deixando seu ar.
— BRIONNE!
De repente, os fluídos psíquicos de diversas cores começaram a escapar de Brionne, que murchou, diminuindo de tamanho. As almas dos kahunas retornaram a seus respectivos corpos e o tipo água voltou à inércia, derrotado.
— Isso ainda não acabou! — Bradei, pegando Brionne no colo e fugindo na hora de mais um Shadow Ball de Eevee, que passou raspando pelas minhas costas, explodindo um pouquinho mais atrás, por um triz não me atingindo.
 
— É claro que acabou! Olhe ao seu redor! — disse Caitlin, em um tom de voz obcecado. Temi que ela estivesse certa. Hermia ainda batalha intensamente contra seus ex-companheiros, os kahunas estavam todos morbidamente enfraquecidos, Solgaleo e Lunala pareciam ter partido dessa para a melhor e por fim, minhas opções estavam se esgotando com Brionne estando derrotado.
— Eu não vou deixar que você se safe dessa! — Bradei, de repente uma coragem subindo por minha garganta e explodindo na forma de palavras. Eu ia dizer tudo o que eu tinha em mente e Caitlin iria ouvir tudo. — Você está matando estes pokémon! — Fiz um gesto que abrangia os corpos espatifados de Solgaleo e Lunala no chão.
— Estou, é? — Perguntou Caitlin, em um tom altamente irônico. — Pois que bom. Você não sabe o que essas criaturas têm feito com as pessoas! Há milhares e milhares de anos, Solgaleo e Lunala vêm tratando as pessoas feito servos, como se não fossem nada além de míseros seres inferiores. Eles mataram, eles se alimentaram dos seres humanos! Eles agrediram, eles exigiram sacrifícios, fazendo com que outras pessoas machucassem outras pessoas! Incentivaram atos desumanos como canibalismo, a matança e o fanatismo religioso extremo! Quando eu acabar com eles e recuperar o que falta de minha alma, terei feito um favor à humanidade! Terei me livrado destes seres tão repugnantes e recuperado o que me pertence tudo de uma só vez, com uma só cajadada!
— Você está certa, Ela... — Tive de concordar com o ponto de vista dela, mas até ali. — Solgaleo e Lunala são seres maus! Ou pelo menos têm sido, mas a vida tem se mantido graças aos poderes deles! O sol, a lua... Eles exercem grande influência sobre a Terra. Eles governam o nosso planeta e é errado tirarmos o direito deles de viver, porque sem eles... Nós também não sobreviveremos! Sem falar que olho por olho é a mesma coisa que Vingança e vingança está muito longe de ser o mesmo que justiça. A justiça tem sido feita pelos guardiões das ilhas há muito tempo. Foi graças à eles que surgiram os kahunas, graças a eles que Solgaleo e Lunala ainda não se rebelaram completamente contra a humanidade. E com esse seu plano, você está desconstruindo tudo o que Tapu Koko e seus comparsas teceram durante anos. Está arruinando o que os Tapus conseguiam contra nós e será o fim!
— Eles não se revoltarão contra ninguém quando eu acabar com eles! — A mulher pegou duas bazucas absorvedoras de vez e disparou contra Solgaleo e Lunala. Estava mais do que claro que a intenção dela era matar.
Então, um vento vindo do sul rebateu a energia da arma, que se autodestrói nas mãos de Caitlin Ela Hall.
— ARGH! O que é isso?
Ela pergunta, abismada, quando quatro criaturas flutuantes, formadas por conchas coloridas com símbolos aloianos à la totem aparecem. Tapu Koko, guardião de Melemele. Tapu Lele, guardiã da Ilha Akala. Tapu Bulu, guardião da Ilha Ula'Ula e Tapu Fini, guardiã da Ilha Poni. Os quatro tapus estavam ali presentes, reunidos ao vivo e em cores e não estavam para brincadeiras. Seu papel é proteger Alola e era isso o que estavam fazendo.
 
 
Assim que as quatro figuras irradiantes apareceram flutuando no céu, os Kahunas estrebuchados ajoelharam-se e começaram uma reza em sinal de reverência. Mais deuses haviam entrado na batalha.
Então subitamente, Caitlin juntou mais uma das armas, agora voltando-se para absorver a energia de outros pokémon lendários. Se tomar o fluido espiritual de Solgaleo e Lunala já era bom, imagine misturar todos esses deuses? A mulher não pensou duas vezes. Começou a atacar os Tapus sem pudor.
Mas não demorou muito para que Koko, Lele, Bulu e Fini fizessem algo para a impedir...
— Céus! — Exclamou Kilgry, que junto a sua colega Malena e seus próprios pokémon, subitamente deixou de prestar atenção na batalha contra Hermia e começou a se preocupar com o que vinha por aí. Os quatro guardiões começaram a irradiar energias de diferentes tipos, desferindo poderosos ataques todos de uma só vez contra Caitlin.
 
 
A explosão foi enorme. Ela Hall correu em disparada, tentando se esquivar do Psybeam lançado por Tapu Lele e quase foi pega pelo Hammer Arm de Tapu Bule. Ela se abaixou no momento em que a Hydro Pump de Tapu Fini se aproximou de sua cabeça, mas não conseguiu correr o suficiente para não ser pega pelo Nature's Madness de Tapu Koko, que também atingiu Eevee, removendo seus últimos pontos de HP.
O impacto arremessou Caitlin para longe. Kilgry e Malena precipitaram-se para acudi-la, mas era tarde demais. Tapu Koko não mediu esforços e investiu mais uma vez, disparando seu mais forte golpe contra a mulher: Guardian of Alola, invocando de debaixo da terra um avatar de luz com força descomunal, esmagando Caitlin com um soco definitivo, fatal.
 
A mão do guardião invocado pelo Tapu abriu uma cratera no chão no lugar onde o soco fora desferido e ali no meio daqueles escombros jazia o corpo de uma mulher em uma situação tão terrível que fazia os kahunas ensanguentados parecerem em perfeitas condições de saúde quando comparados.
— Arceus! — Exclamou Hermia, que tremia toda, dos pés à cabeça. O que acabara de acontecer?
— CAITLIN! — Kilgry ajoelhou-se ao redor do corpo da mulher, aparentemente sem vida.
Malena, por outro lado, cai sentada, em estado de choque. O plano da "Team Dim Moon" havia falhado e feio.
— O que foi que a gente fez? — Perguntou Hermia, sem esperar por uma resposta. Ela já sabia que estavam errados, embora todo mundo tivesse uma parcela de culpa naquela história.
Então, os Tapus se reuniram novamente, ficando os quatro juntinhos e começaram a fugir daquela cena, flutuando de volta para longe, para além do mar da Ilha Poni...
— EEI! — Gritei, de repente sendo inundado pela sensação de que aquilo não poderia acabar daquela forma. — É assim que vocês resolvem as coisas? COM VINGANÇA?!
Caitlin havia sido muito má, mas não merecia morrer daquela maneira, do mesmo jeito que Solgaleo e Lunala. Por mais que eles fossem cruéis e por vezes fúteis e se achando superiores aos humanos e demais pokémon, eles não mereciam passar pelo que Caitlin estava os fazendo passar. Serem sugados até a morte...
Tapu Koko virou-se para mim e de repente, minhas pernas tremeram. Senti que ele ia me atacar, mas muito pelo contrário. Ele nada fez senão conversar comigo.
Ondas de pensamento flutuaram telepaticamente, se espalhando a todos os que estavam presentes naquele cerco. Ele não falava só para mim, mas para todos nós, dentro de nossas cabeças.
— Ela não morreu. — Explicou o Tapu. — Guardian of Alola é o nosso Z-Move mais forte, mas ele só drena 75% da energia vital do alvo. Ela está 25% viva.
— Ah...
Eu não sabia o que dizer. Aquele pokémon era muito inteligente.
— E quanto aos outros? Isso acaba assim? Solgaleo e Lunala... Eles... Estão mortos?! E os Kahunas? Não acham que eles já sofreram demais? E os outros capangas? Cadê a justiça divina?
Tapu Koko ficou me encarando por alguns segundos e então sua expressão se suavizou, como se estivesse sorrindo, contente por qualquer razão que eu desconhecia.
— Você passou. — Ele disse. — Hilbert Black, da região de Unova... Meus parabéns, você passou.
— Passei? Passei no que? — Perguntei, confuso.
— Quando você estava no laboratório do Professor Hala... Eu o vi. Fiquei escondido, observando suas ações. Você parecia ser só mais um turista com um sotaque estranho e um cheiro esquisito nas partes baixas, mas eu acreditei em você, alistando-o para ser o salvador da pátria. Eu o escolhi assim que pus os olhos em você! E eu estava certo, afinal... Você é gentil, misericordioso e acima de tudo, tem senso de justiça, distinguindo-a da vingança. Você merece ser o escolhido amarelo e junto com os outros escolhidos, você deverá combater a outra ameaça, que está prestes a surgir. Tapu Fini, Lele e Bulu têm seus próprios escolhidos e ESTA NOITE, os quatro deverão estar reunidos para salvar a região de Alola das atrocidades maiores. E somente os quatro poderão fazê-lo.
Dito isto, Tapu Koko se afastou junto de seus irmãos.
— Temos de buscar nossos escolhidos! — Falou Tapu Lele, com uma voz doce e suave.
— Estão perto! — Comentou Tapu Bulu.
E só então, percebi que Tapu Lele, a irmã cor-de-rosa, parecia falar com Hermia em particular. Era ela a escolhida da Ilha Akala? Ela era a pessoa a quem Tapu Lele confiara a missão de salvar Alola da "ameaça maior"?
Mas afinal, que ameaça era essa?
— Quanto a Solgaleo e Lunala... Seu reinado foi longe demais e eles terão de subir os degraus da evolução novamente, até se tornarem seres melhores! Irmãos?
Os quatro Tapus então se reúnem em torno dos lendários abatidos e começam a flutuar em círculos, irradiando uma energia nas cores do arco-íris, o que faz com que a estrutura de Solgaleo e Lunala comece a decair rapidamente.
As asas de couro foram encolhendo, a juba metálica deixou de existir e em poucos segundos, apenas o brilho espacial visto em ambos os lendários poderia ser identificado em dois novos seres minúsculos exatamente iguais. Se eu não soubesse a posição de cada lendário, eu não saberia dizer qual dos dois seres era Solgaleo e qual era Lunala. Agora ambos estavam idênticos.
— O que é isso? — Perguntei abismado.
Rotom Dex imediatamente se pronunciou.
— Este Pokémon é Cosmoem, a anti-evolução de Solgaleo e Lunala. Bzz.
Mas Cosmoem não ficou naquela forma por muito tempo. O brilho de sete cores irradiado pelos Tapus continuou os reduzindo e reduzindo ainda mais, e os dois se tornaram seres menores ainda, com características cada vez mais etéreas e representando ainda mais o tom das galáxias cintilando no espaço sideral.
— E agora? — Questionou Hermia, completamente pasma com a situação. Solgaleo e Lunala, depois de terem praticamente todo o seu fluido vital drenado por Caitlin agora estavam decaindo rapidamente, tornando-se seres minúsculos, pouco maiores que uma fruta.
— Este Pokémon é Cosmog, a pré-evolução de Cosmoem, que por sua vez evolui em Solgaleo e Lunala. — Pronunciou-se Rotom Dex. — A Existência deste pokémon até então sempre foi tida como uma lenda. E não é que o bicho existe mesmo? Bzz.
— Caramba. — Exclamei.
— Solgaleo e Lunala foram muito maus. — Contou Tapu Koko. — Seu reinado foi doloroso e sombrio e como punição por seus atos insanos e maldosos contra a humanidade, eles terão de passar um bom tempo presos em suas formas iniciais e só retomarão seu poder total quando a canção do arrependimento for tocada.
Não entendi se era uma metáfora ou Tapu Koko falava no sentido literal, mas foi naquele instante que brilho que irradiava dos Tapus parou e os dois pequenos Cosmog, extremamente iguais, saíram purificados, flutuando felizes para longe dali. Suas almas pareciam limpas sem seus grandes poderes do Sol e da Lua para fazer suas cabeças.
Os Tapus viraram-se novamente para a direção do mar, mas um grito os fez retornar novamente.
— Ó, Grandes Guardiões das Ilhas de Alola! Por favor, deem-nos o descanso eterno! — Agoniou o Kahuna de Alola, implorando pela morte. — Arrependemo-nos de nossos pecados! Jamais voltaremos a praticá-los! Abdicamos todos os nossos poderes e bênçãos do sol e da lua em troca do descanso!
Os Tapus começaram a emitir sons que lembravam gargalhadas, mas então Tapu Koko se aproximou dos velhos escalavrados, com metade dos corpos faltando, e fechou os olhos, pedindo:
— Rezem.
Imediatamente, os velhos começaram a orar em voz alta e com suas preces, seus corpos começaram a se transformar em pó. Foi então que percebi o sorriso em seus rostos e as lágrimas escorrendo antes de desaparecerem por completo em meio às terras daquela montanha. Então compreendi que a vida eterna devia ser muito difícil. Solgaleo e Lunala, por exemplo, não fizeram um bom uso desse dom, enquanto que os velhos não aguentavam mais para partir desse mundo, talvez atormentados por suas práticas religiosas malignas.
Então um pensamento doloroso invadiu minha cabeça... Será que White havia partido também? Pensar naquilo fez meu estômago revirar e eu tenho certeza de que me abaixei para vomitar.
— Missão Cumprida. — Falou Tapu Bulu com uma voz áspera e de pedra extremamente grossa.
— Acho que não. — Telepaticamente disse Tapu Fini, que tinha a voz de uma mulher mais velha, mas não de idade. — Podemos fazer ainda uma última coisa.
— Tem razão. — Concordou Tapu Koko.
E então, antes de partirem, os quatro Tapus foram até o corpo esmagado de Caitlin, fazendo o mesmo que fizeram com Solgaleo e Lunala, flutuando em círculos por sobre ela e irradiando a luz nos sete tons do arco-íris.
Depois de terminado, os quatro se afastaram e flutuaram finalmente desimpedidos, para o oceano. Tapu Koko olhou para trás e de longe, deixou mais um recado, baixinho em nossas mentes, ou talvez aquilo fosse só na minha. Não sei. O fato é que ele disse:
— Kilgry e Malena. Vocês precisarão deles para enfrentar a ameaça final. Eles foram usados e logo logo estarão do seu lado quando souberem de toda a verdade. Black, Hermia... Vocês são dois dos escolhidos. Os outros dois deverão chegar em breve. Juntem todas as suas forças e batalhem. O futuro desta dimensão só depende de vocês.
E então os quatro sumiram no horizonte sem deixar rastros. Olhei ao redor e senti o mundo desmoronar, tentando registrar tudo o que acontecera neste dia. Caitlin estava... dilacerada. Os kahunas haviam se transformado em pó e Solgaleo e Lunala... Receberam uma punição digna das provações divinas de antigas lendas e mitologias. Foram "devoluídos" e todos os seus poderes, drenados. Caitlin perdera, Hermia trocara de lugar. Juan fugira e agora só sobrava Kilgry e Malena... Mas o que Tapu Koko queria dizer quando falou que precisaríamos deles para lutar? E o que queria dizer com ameaça maior? O que queria dizer com "os 4 escolhidos"? O que estava acontecendo que eu não sabia? O que mais faltava descobrir?
— Argh... Minha cab-- — Caitlin se levantou toda machucada, de repente deixando a frase no ar e olhando para a imensidão vazia ao seu redor. Nenhum pokémon fora da pokébola, nada de Solgaleo e Lunala. Hermia, Kilgry e Malena estavam parados, com uma expressão horrorizada estampada em seus rostos. Os kahunas já não estavam mais ali, nem os quatro Tapus. Tudo se fora. Ela perdera a luta. Mas o que mais me surpreendeu foi que, ao invés de ela falar qualquer coisa sobre a derrota que acabara de sofrer, ela disse, como se sentisse renovada: — Minha alma... Voltou!
A mulher se ergueu com dificuldade, mal mantendo-se de pé e só então eu entendi o que os Guardiões haviam feito com ela: devolveram a alma, para que talvez ela visse o erro que cometera com os próprios olhos. Se sem a alma, Caitlin agia descontroladamente e talvez até por impulso, com a presença do pedaço que faltava em sua cabeça, ela agora poderia refletir sobre tudo o que acontecera, com a mais plena faculdade mental e capacidade de distinguir o certo do errado e o bem do mal.
Ela então começou a chorar. Sim. Pessoas que têm alma choram. E foi então que percebi o quão aterrorizante deve ser perder o pedaço do seu eu interior. O marido dela havia arrancado a força um pedaço essencial de seu ser e sem esta peça, Ela Hall não conseguia agir com consciência, sem qualquer responsabilidade de seus atos, ainda que continuasse extremamente inteligente e calculista, mesmo na ausência de grande parte de seu fluido mental.
Agora, com a peça encaixada no lugar novamente, ela começou a refletir e ver que tudo estava errado. Ela havia feito tudo errado e por isso se culpava, berrando em voz alta, sem se importar com o que seus servos ou eu próprio iríamos pensar.
— Caitlin...
Kilgry colocou a mão no ombro dela, mas Ela se afastou.
— Sentimos muito... — disse Malena em um tom triste, diferente de seu habitual palavreado frio e cruel. — ...Mas está tudo acabado!
Ao ouvir aquelas palavras então, Caitlin ergueu a cabeça e sorriu por entre as lágrimas.
— Que bom que está acabado. Que bom que minha loucura chegou ao fim. Que bom que o bem venceu. Mas agora não tem volta. O que eu fiz, não tem volta. E eu mereço pagar por isso.
A mulher começou a caminhar lentamente para longe e eu pensei que iria fugir, quando então Hermia gritou:
— NÃOOOO!
Caitlin olhou para trás e disse:
— Sinto muito, Hermia, por te meter nessa confusão. Você é uma garota pura e eu só a usei. Eu não deveria ter feito isso. Sinto muito. Sei que não pode me perdoar e eu já não posso mais viver com a culpa...
Caitlin chorou mais alto e antes que Hermia pudesse a segurar, ela abriu os braços, inclinou o corpo para frente e deixou que a gravidade agisse, despencando do precipício em um ato de arrependimento.
— NÃOOO! — Quando eu vi, eu mesmo estava gritando, tentando pará-la. Mas era tarde. Caitlin Hall se jogara da montanha e seu corpo não poderia ser mais visto dali de cima, tamanha a distância do topo da colina para o solo lá embaixo. Era o fim, enfim.
Sentei-me em uma rocha crua e gelada, observando o céu voltar à sua coloração normal, os tons da energia do sol de Solgaleo desaparecendo e a noite voltando a ter o formato convencional: com estrelas, lua e céu negro. Do jeitinho que Lunala gostava.
— Está tudo acabado... — Hermia chorou, sentindo-se usada, amargurada, culpada...
— O que faremos agora? — Perguntou Kilgry a sua comparsa Malena.
— Vocês vão ser presos. — Falei. — Todos vocês.
— De jeito nenhum! — Malena ergueu mais uma pokébola, pronta para lançar mais um de seus pokémon com apelidos esquisitos e batalhar, mas Hermia interviu, segurando-a.
— Não. Ele está certo. Temos de pagar pelo que fizemos. Fomos poupados da justiça dos deuses, mas não é por isso que teremos de ser poupados da justiça dos homens. Fomos maus. Fizemos muita gente morrer... E Solgaleo e Lunala... Inclusive eles... Inclusive eles quase morreram em nossas mãos. Está tudo acabado. Não tem para onde fugir.
— ARGH! — Gemeu Kilgry em um acesso de fúria. — Se ao menos eu tivesse ido com o Juan...
— É... — Por fim disse Malena. — Odeio ter que admitir isso, mas você está certa, tampinha. Não há saída.
Juntei com calma as pokébolas caídas no chão, incluindo a dos pokémon que pertenciam a Caitlin e coloquei tudo de volta no saco que Ela carregava. Enquanto isso, um barco apontava no horizonte. O barco de Drad. E não apenas ele, mas também um helicóptero, que voava muito rapidamente em nossa direção, uma lanterna iluminando o chão para procurar a gente no meio da escuridão da noite.
— AQUI, AQUI! — Gritei, fazendo sinal com as mãos para que o helicóptero nos visse.
E foi aí que a profecia de Tapu Koko começou a acontecer.
Um raio de energia azulada cai do céu bem na hora em que o helicóptero passava por cima da gente, explodindo as asas do veículo, que imediatamente começou a tombar em nossa direção.
Começamos a correr para não sermos atingidos pela aeronave, que despencou a poucos metros de distância de Hermia. Olhei novamente para o local de onde o raio havia vindo e lá estava a fonte disso tudo: o mistério jamais resolvido nesta história toda. A garota ao qual chorei a morte. A garota que poderia ser boazinha ou não, mas sempre agiu de maneira estranha, nunca tendo sido completamente compreendida: Lillie.
Lillie flutuava no ar, bem no lugar em que o raio havia caído e seu rosto branco como gelo parecia ainda mais frio do que o de costume. Os cabelos louros brilharam em um tom pálido e ela deu uma risadinha provocante.
— VOCÊ ESTÁ VIVA?! — Gritei, pasmo.
— Sempre estive. — Ela disse. — Mas uma certa pessoa me fez voltar, porque acabou interferindo nos meus planos e fez com que minha mais fiel serva, Ela Hall, se jogasse do precipício, resultando inclusive, na perda do lendários que eu havia encomendado para ela: Solgaleo e Lunala. Huh... Black, está vendo só? Eu voltei só por você! Só para acabar com a tua raça depois de ter arruinado todos os meus planos!
— O que?
Eu estava em choque. Lillie era... A mentora de Caitlin e não o contrário? Como assim?
— Como assim? — Sim, eu realmente perguntei: como assim?
— Não se faça de tonto, "Black". — disse Lillie em um tom debochado. — Eu sempre estive por trás de tudo. Eu sabia da vontade que Caitlin tinha de recuperar a alma. Tudo o que eu fiz foi plantar na cabecinha desalmada dela que a solução seria caçar Solgaleo e Lunala... Lógico! Porque EU queria o poder deles! EU queria tê-los só para mim! Então eu a manipulei. Desde o começo. O plano foi meu. Eu estava por trás das cortinas. Tudo o que eu fiz foi guiá-la para a devassidão. Eu a tornei má. Eu a induzi a fazer tudo o que ela fez. E sabe como? Sussurrando mentiras no ouvido dela... Uma pobre pessoa com apenas uma fração de alma não consegue identificar quando alguém fala uma mentira ou uma verdade... E muito menos consegue perceber quando está sendo manipulada. E foi assim que eu fiz: Eu a convenci de que estava agindo corretamente. Eu a fiz acreditar que era a líder, eu a fiz reunir este grupinho de fanfarrões. E sabe por quê? Porque EU sempre estive dois passos à frente. Meus conhecimentos obtidos com a leitura de livros milenares me fez compreender que Solgaleo e Lunala são muito mais do que pokémon comuns, mas Ultra Beasts, as Ultra Feras! Criaturas Colossais de outras dimensões capazes de criarem portais que unem este mundo a outras esferas! Mas tudo isso foi arruinado. Graças a você. Ou melhor... Vocês. A leucêmica ali também teve sua participação negativa para que meu plano desse errado. E agora vocês vão pagar por terem arruinado tudo.
Espera aí. Eu precisava de um tempo para digerir toda essa informação. Então Lillie era quem havia feito Caitlin acreditar que Solgaleo e Lunala eram capazes de recuperar a alma dela? E foi por isso que Caitlin fez tudo aquilo para obter o poder dos lendários, quando na verdade, Lillie estava mentindo, só querendo obter o poder dos deuses para si? Juro por Arceus. Por essa eu não esperava. Como o mundo dá voltas...
— Você... — Eu não tinha palavras. Eu achava que Lillie havia morrido no incidente da caverna e a desconfiança que um dia eu tinha dela era quanto a saúde do Campeão de Alola. Eu jurava que ela havia matado o homem porque Caitlin havia mandado. Mas no fim... Ele estava vivo! E mais: não era Caitlin quem ditava as regras, mas a própria Lillie, que sempre se manteve nas sombras. Mesmo que eu tivesse uma certa desconfiança de que ela poderia estar envolvida nos planos da Dim Moon, eu nunca imaginei que ela seria capaz de ir tão longe, tendo sido a responsável por tudo. POR TUDO. — Você... Fez tudo isso?
Olhei ao redor. Hermia, Kilgry e Malena estavam chocados e seu olhar exibia exatamente o que Tapu Koko dissera: que eles se sentiriam usados quando a ameaça final chegasse. E agora eu entendia. Nem eles sabiam que ameaça era essa e agora estávamos todos no mesmo barco. Lillie estava viva e conseguia ser mais sádica de alma completa do que Caitlin sem um pedaço da alma.
— Fiz. — Ela respondeu. — E quer saber de mais uma coisa? Meu nome não é Lillie.
O QUE?
Aquilo estava ficando cada vez mais esquisito.
— Lillie é uma identidade falsa que eu criei há algum tempo, quando fui à região de Kalos buscar informações vitais sobre um pokémon lendário. No fim, continuei com a identidade e ainda consegui o lendário para mim. Huh... Zygarde foi a minha melhor aquisição em anos. Mas nada supera ELA: Nihilego, a Ultra Beast que foi capaz de criar este disfarce. Venha, minha querida, mostre ao mundo como eu sou de verdade.
De repente, Lillie (ou quem quer que fosse), desceu dos céus e mais uma vez o raio apareceu, quando uma criatura muito pálida pareceu "sair" de Lillie, desfazendo uma processo de fusão que resultou na separação de dois corpos diferentes. De um lado, uma mulher muito elegante e muito mais velha do que Lillie aparentava ser. Do outro, uma criatura de vidro líquido e moldável, que era quem dava a aparência de menininha para aquela indivídua e isso também explicava a cor pálida das roupas e da pele de Lillie. Era aquele pokémon... Nihi-alguma-coisa que estava doando suas características à mulher para que ela pudesse assumir tal identidade.
 
— OH MY-- — Hermia começou a tremer novamente. Aquilo era surreal demais para ser verdade. Então Lillie sequer existia? Era na verdade a fusão de uma mulher com aquele pokémon esquisito? O que estava acontecendo? Quem era ela, afinal?
Não tivemos muito tempo para pensar, pois a mulher que criara a falsa identidade de Lillie lançou seis pokébolas ao alto, iniciando o duelo final.


Continua...




Capítulo escrito por #Kevin_
A fanart acima foi encontrada na internet, NESTE Link.
Todos os créditos vão para o artista.



Pokémon Sol & Lua: A Missão – Escrito e publicado originalmente em Outubro/Novembro de 2016 sob o título "Pokémon SL Adventures". – A cópia, venda ou redistribuição desse material é totalmente proibida. Pokémon e todos os respectivos nomes aqui contidos pertencem à Nintendo.

Ao escrever a fanfic, os autores não estão recebendo absolutamente nada, ou seja, esta é uma produção artística sem absolutamente nenhum fim lucrativo. A fanfic foi projetada apenas como uma forma de diversão, de entretenimento e passatempo para outros fãs de Pokémon. ~

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